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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

somos muitos?

09.04.13

 

 

 

 

É frequente não sabermos quantos somos, mas começam a aparecer dados fiáveis. O número de professores do ensino não superior está nessa categoria e deve ser sublinhado.

 

Se a percentagem do PIB investido em Educação (3,8% em 2012) desceu para números de 1989, o número de professores do ensino não superior já vai em 1980 quando a frequência escolar era incomparavelmente mais baixa. Foi Nuno Crato, que se espera que saiba números exactos, quem afirmou que no corrente ano existem 105 mil professores nos quadros mais cerca de 10 mil contratados.

 

Olhe-se para o gráfico da Pordata, números até 2011, e acrescentem-se os dados de 2013.

 

É que há tanto comentador a dizer disparates que cansa mesmo. E escusam os apressados de considerar os mega-agrupamentos como a variável fundamental. Esse desmiolado modelo de gestão tem consequências mais graves no abandono e insucesso escolares. A revisão curricular, com os achamentos do ministro, os horários dos professores, o aumento do número de alunos por turma e a desertificação escolar do interior do país, são variáveis mais determinantes para esta descida abrupta.

 

 

das escolhas

09.04.13

 

 

 

Passos Coelho, quiçá inspirado no modelo ultraliberal de Singapura (um paraíso fiscal para a corrupção que é severíssimo nos costumes com os fracos), acreditou que tinha a oportunidade histórica de aplicar um inédito Estado mínimo.

 

O seu radicalismo ideológico levou-o a afirmar, em Abril de 2010, que reveria a constituição antes das presidenciais e que iria para além da troika e do memorando. Não conseguiu a tal revisão, mas aplicou 70% dos passos da revolução preferida dos ultraliberais. O resultado é um flagrante falhanço.

 

Passos Coelho não tem condições para impor o que quer que seja à troika e ao eurogrupo. Se tivesse a consciência democrática bem apurada e respeito pela história de um país que raramente foi endinheirado, demitia-se e não continuava condicionado pelos seus patrões.

 

Paul Krugman fez o que prometeuvoltou à sua tese sobre a descida dos juros na Europa e é arrasador para os ultraliberais que governam o velho continente e Portugal. Para o Nobel da economia não há qualquer relação entre a austeridade e essa descida e publicou um gráfico favorável para a situação portuguesa. Mas diz mais.

 

“Esta descida dos juros não tem nada a ver com a austeridade”, sustenta Krugman no seu blogue no New York Times, atribuindo-a, antes, à intervenção do BCE na compra de dívida soberana dos países em dificuldades, nomeadamente Portugal.

Neste contexto, o economista critica a Comissão Europeia – que, na segunda-feira, elogiou a determinação do Governo português em prosseguir a política de austeridade apesar do ‘chumbo’ do Tribunal de Constitucional a algumas das medidas impostas – quando esta reclama para si e para a sua política os créditos desta descida dos juros das dívidas soberanas e alega que um abrandamento da austeridade levará a nova escalada.

Para Paul Krugman, esta posição da Comissão resulta do facto de a descida dos juros da dívida ser “o único resultado positivo que tem para apresentar após três anos de austeridade”(...)."




o que é que estará a mudar?

09.04.13

 

 

 

Muitas vezes, o medo de se ter medo leva a que se paralisem os mecanismos democráticos. O medo apodera-se tanto de invasores como de invadidos, embora só no rescaldo uns e outros se apercebam da condição transversal desse sentimento humano.

 

Perante a agressividade dos invasores, os invadidos têm que se dar ao respeito. Foi isso que Paul Krugman disse ontem aos portugueses e é também isso que os invadidos fazem quando promovem, por exemplo, grandes manifestações. É frequente que o medo dos invadidos surpreenda os invasores que, por sua vez, estavam temerosíssimos da sua condição.

 

Quem é que tem mais medo se o programa português em curso cair na rua?

 

Standard & Poors garante que decisão do TC "não terá impacto imediato" no rating de Portugal

dos cortes nos salários

09.04.13

 

 

 

 

 

Alguns adeptos das actuais políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para fundamentarem que a queda dos salários é uma consequência do empobrecimento da sociedade.

 

Era bom que remetessem para os "soldados" do Goldman Sachs a tese que indica a obrigatoriedade da queda dos salários para que o empobrecimento da sociedade possa ser sustido e mais tarde contrariado. A queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.

 

Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento. A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs e por aí fora). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.