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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a misteriosa gaveta de nuno crato

02.04.13

 

 

 

Texto de Ricardo Costa no Expresso online.



"Pode parecer embirração ou configurar perseguição. Pode, acima de tudo, revelar que os meus horizontes são muito limitados. Então, quando as calotes polares derretem, quando a República Centro-Africana se agita, quando o Papa Francisco surpreende o mundo, quando chove há tantos meses sem parar, eu não tenho mais nada para perguntar?

Quando o país aguarda em transe uma decisão do Tribunal Constitucional, quando os portugueses se preparam para assistir à moção de censura do PS, quando Gaspar faz as contas a mais uma execução orçamental, é só mesmo esta a pergunta que me resta?

Sim, com Sócrates ao alcance, com Marques Mendes como alvo, com Marcelo na mira e com tantos políticos comentadores como assunto, é esta pergunta que me resta?

Confesso que o tema é pequenino, próprio do meu mundo e das minhas curtas deambulações. Mas pronto, aqui vai: que raio é que está a fazer há dois meses na gaveta de Nuno Crato o relatório final sobre as curiosas equivalências de Miguel Relvas?

Eu sei que o ministro da Educação tem que educar a pátria, salvar as crianças da ignorância e transformar os nossos petizes em alemães. Sei que os quer a fazer contas de cabeça e a escolher a profissão aos doze anos. Mas no meio de tanta coisa importante, será que o ministro se importa de abrir a gaveta da secretária e mostrar ao mundo o relatório sobre o seu colega que esconde há dois meses?

Eu sei que é pedir pouco, mas hoje deu-me para isto. Amanhã já penso em coisas importantes."


mais 18

02.04.13

 

 

 

Os mega-agrupamentos continuam a sua saga contra tudo e quase todos e uns indicadores macro, poupança dizem eles, fazem as delícias dos decisores do MEC. Mais cedo ou mais tarde (quanto mais tarde pior, como sempre) lá teremos de mudar, no mínimo, o modelo de gestão escolar. A configuração territorial das agregações vai assegurando um único dado a considerar: são escolas portuguesas.

 

Constituição de mega-agrupamentos chega ao fim com mais 18 novas unidades

"Foram muitas as escolas agrupadas contra a vontade. Também não foi respeitada opinião de várias autarquias.(...)"

Lloyd Blankfein

02.04.13

 

 

 

Não me satisfaz saber da desgraça de quem quer que seja, mas considero boas notícias as que nos dizem que o indivíduo mencionado no título do post, um dos que tem mais poder no planeta e que é CEO do banco de investimento Goldman Sachs, será acusado por suborno, fraude, extorsão, desfalque e lavagem de dinheiro.

 

Assim outros supostos criminosos se sigam e, se a justiça o entender, que os diversos"soldados" dos "donos do mundo" reponham o objecto dos seus crimes e que retorne alguma da esperança a esta democracia que tanto nos custou a erguer. E quando refiro o resto do mundo não me estou a esquecer de Portugal.

da subida do salário mínimo

02.04.13

 

 

 

 

 

A proposta da UGT, a que só a CGTP se opõe, que remete para o Estado o financiamento do aumento do salário mínimo com a redução da TSU, será mais uma história que explicará a encruzilhada em que estamos metidos.

 

O facto do secretário de Estado do emprego ser vice-presidente da UGT, a nomeação foi anunciada com o objetivo da concertação social e só é possível numa democracia em crise profunda, pode explicar qualquer coisa. Os últimos Governos do PS mantiveram uma promiscuidade inadmissível com sindicatos da Fenprof e o actual Governo exerce relações do género com sindicatos da FNE. A ausência de separação de poderes é grave para o Estado de direito, dei exemplos que conheço e é natural que se passem fenómenos semelhantes noutras áreas.

 

Ainda ontem se soube que em Espanha há relações muito pouco transparentes entre membros de Governos e chefes de sindicatos dos equivalente às duas centrais sindicais portuguesas e que envolvem milhões de euros.

 

Os ultraliberais de serviço, nas suas estafadas acusações de corporativismo, esquecem-se sempre do corporativismo (ler o post "da génese das corporações") das organizações patronais que parece incluir dirigentes sindicais. Este desequilíbrio é fatal para a democracia, como se comprova, e é denunciado desde o início até por quem pensou o liberalismo. Defender a liberdade individual, mesmo que até às últimas consequências, não significa usar o financiamento dos contribuintes para sustentar oligarquias com benesses ilimitadas.

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:179) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.