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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da génese das corporações

01.04.13

 

 

 

 

Os ultraliberais do arco governativo passaram, e passam, o tempo a acusar os professores portugueses de corporativismo. Não é uma classificação que me desagrade, apesar da forma injusta como é usada já que se "promove" com frequência os deveres de cidadania e os méritos da defesa da escola pública e da profissionalidade dos professores. Como é que se cumpre esse dever cívico sem uns laivos de corporativismo é que gostava de saber. Saliente-se que os professores que mais se expõem nesse papel são os primeiros na autocrítica do grupo profissional ou da cultura organizacional das escolas.

 

Esses acusadores recorrem com frequência ao "pai do liberalismo". Ora, Adam Smith foi claro: as corporações nascem de grupos minoritários de indivíduos que impedem o acesso de outros à profissão - o exercício deveria, portanto e para não ser corporativo, ser mais alargado e gerar mais emprego - e que mantêm esses privilégios durante várias gerações.

 

No caso dos professores portugueses, a acusação em relação aos últimos anos carece de fundamentação. Já os lucros do capital dos empreendedores das cooperativas de ensino encostadas ao Estado português, e sem transparência, entra mais directamente na classificação corporativa.

 

 

 

Adam Smith (2010:169) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

balanço negativo, naturalmente

01.04.13

 

 

 

Agrupamentos escolares afastaram pais, alunos e professores

 

 

"(...)Menos autonomia e maior fosso entre os problemas e os decisores. Directores, docentes, pais e especialistas fazem um balanço negativo da agregação de escolas. Ultrapassar as situações de isolamento das escolas, articular os vários níveis de ensino e combater o abandono escolar. Eis alguns dos princípios que nortearam a criação dos agrupamentos.(...)"


Há anos que o balanço sobre os agrupamento de escolas é negativo e não só se insiste como se aumenta a escala. Ninguém pode dizer que não foi avisado para os maus resultados.
Mesmo que a divisão administrativa do país seja o caos que se conhece e que isso se arraste ao sistema escolar, criar outra estrutura orgânica para o MEC, e que envolva as escolas, exige, desde logo, outro modelo de gestão. Não se pode projectar um modelo destinado, bem ou mal, a uma escola não agrupada e querer que se faça a gestão de dezenas de instituições.
Desde os organigramas do modelo ao preconceito providencial que evangeliza as cores que têm governado, o balanço negativo era mais do que esperado.
E nem é tanto a questão do unipessoal ou do colegial (embora num país tão propenso ao caciquismo essa questão nunca se deva desprezar), é o facto de passado o período de instalação apenas a escola sede ficar com o Conselho Geral, com a Direcção, com o Conselho Pedagógico, com a maioria do coordenadores de Departamento Curricular (uma estrutura inútil), com a totalidade dos serviços administrativos (num país com tanto apoio social, esta ideia choca com a realidade) e por aí fora. Só mesmo quem esteja para remar contra muitas marés conseguirá inverter o caos. E será muito difícil que o unipessoal cumpra o que a lei projecta.
É evidente que tudo isto beneficia as cooperativas de ensino. Nos concelhos onde a lógica de mercado está ao rubro, o continuado descrédito das escolas do Estado é uma espécie de dádiva do arco do poder. E nem vou pelas teorias da conspiração. Limito-me à impreparação e à incompetência.

da blogosfera - a educação do meu umbigo

01.04.13

 

 

 

Sobre O Actual Modelo De Gestão


"(...)Não encontro na vida das escolas agrupadas desta forma qualquer aspecto positivo, nem sequer a famigerada articulação vertical do currículo, que é algo que pura e simplesmente não existe. O único alegado factor positivo até agora não demonstrado – não fazendo doutrina os números de alguns sindicatos nesse aspecto quanto a cortes de horários – seria o de alguma poupança de encargos mas, como disse, ainda nada disso foi demonstrado.
Entre os factores negativos eu apontaria a excessiva concentração das decisões numa única pessoa, que fica como responsável por milhares de alunos e centenas de professores e funcionários; a distância entre os decisores (um único Conselho Pedagógico e um só Conselho Geral) e os objectos das decisões; a despersonalização e massificação das relações na comunidade escolar; a redução da oferta de projectos educativos em virtude da amálgama de escolas num agrupamento e a redução da autonomia das escolas, por exemplo, do 1º ciclo.(...)"