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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

metafísica com os do costume?

30.04.13

 

 

 

 

No post anterior fiz a seguinte previsão a pensar no resultado de mais um conselho de ministros que se anunciava determinante para os cortes uma vez que existia um qualquer prazo que terminava hoje:

 

"(...)Os austeristaristas são ultraliberais que podemos classificar como ultraracionalistas.(...)este género aplicado à política, e mesmo depois de seriamente abalado, pode derivar numa contra-ofensiva metafísica. Aguardemos."

 

Aguardou-se.

 

Passei pelos principais órgão de comunicação social e tirei umas fotos. Dá ideia que começa a ser sei lá o quê continuar a cortar nos do costume. O que também se fica a conhecer é que há questões de Estado que impedem a revelação de corrupção que ponha em causa o regime. É, como se previa, uma contra-ofensiva que se socorre da metafísica e que tem uma nuance além fronteiras que dá mais valor empírico à suposição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

da contra-ofensiva

30.04.13

 

 

 

 

Podemos agrupar os austeritaristas e o seu contrário (keynesianistas, por exemplo) numa contenda entre racionalistas e empiristas. De um lado a matemática (e recordo a polémica-excel) e do outro a cultura, digamos assim.

 

Os auteristaristas refugiam-se no liberalismo. Leio com frequência quem lhes acrescenta o prefixo neo e são menos os que optam pelo ultra. Tenho escolhido o segundo, como se pode ler aqui.

 

Os austeristaristas são ultraliberais que podemos classificar como ultraracionalistas. Como se pode ler a seguir, este género aplicado à política, e mesmo depois de seriamente abalado, pode derivar numa contra-ofensiva metafísica. Aguardemos.

 

 

 

Gaston Bachelard (1976:27). "Filosofia do Novo Espírito Científico".

Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.

processo a uma jornalista (2)

29.04.13

 

 

 

 

A jornalista Ana Leal, coordenadora da célebre reportagem TVI sobre a cooperativa de ensino GPSfoi suspensa e está impedida de entrar nas instalações do canal de televisão por causa doutra reportagem.

 

Assinei uma justa petição pela efectiva liberdade de imprensa. Bem sei que as petições têm sido inúmeras, mas se ler o texto e consultar as ligações sugeridas verá que é um assunto importante.

 

 

Pode subscrever a petição aqui.

já nem roberto carneiro

29.04.13

 

 

 

 

 

 

Até Roberto Carneiro reprova a ideia de mais cortes no sistema escolar e vai ao ponto de tocar em variáveis que aumentam o abandono escolar e diminuem a qualidade do ensino.

 

O aumento do número de alunos por turma e a revisão curricular envergonham um país que nada faz para proteger os progressos civilizacionais das últimas décadas. Estamos mesmo à deriva. Mesmo no que se refere ao ensino dual, e recorde-se que a ideia de ensino profissional é muita cara a Roberto Carneiro, o ex-ministro é taxativo:

 

"(...)Sobre o ensino dual, frisou – à semelhança de outros especialistas – que Portugal não tem a cultura nem o tecido empresarial da Alemanha ou da Suíça, em que as empresas “participam fortemente” neste sistema de via profissional. Em Portugal, referiu, “não é fácil por as empresas a participar, a pagar”. “Normalmente querem receber dinheiro para receber alunos do ensino dual”, disse, sublinhando: “O nosso tecido empresarial é sobretudo de mini e microempresas. Estão com a corda na garganta”.(...)"

 

Já todos percebemos que a corrupção é o grande problema do Estado. Não adianta escamotear mais a verdade e é fundamental que nos convençamos que está em causa o regime democrático.

 

O ex-ministro da Educação Roberto Carneiro diz ser impossível fazer mais cortes na Educação sem provocar “feridas profundas” no sistema e considera que chamar as famílias a comparticipar diretamente o ensino obrigatório abriria mais uma guerra constitucional.(...)

Mas à questão se ainda há pessoal dispensável nas escolas, responde que não: “Já foi feita uma tal razia nos últimos anos!”.

Entre aposentações e contratados a prazo terão saído do sistema cerca de 30 mil professores, estima, recordando que as turmas já passaram para 29/30 alunos por professor.(...)

Roberto Carneiro defende que o país precisa de investir na Educação, até porque, apesar dos progressos alcançados nos últimos anos, continua a ter uma das mais baixas taxas de escolarização de toda a Europa.

“É preciso levar os miúdos até ao secundário e bem. Não vejo grandes possibilidades de cortar aí sem provocar profundas feridas e lesões no sistema”, declarou.(...)"

 

a solução dos 1%

29.04.13

 

 

 

 

O blogue "A estante" publicou uma tradução de um post de Paul Krugman (The New York Times) de 25 de Abril de 2013.

 

"Os debates económicos raramente terminam com uma derrota técnica. Mas o grande debate político dos últimos anos, entre keynesianos (que defendem a manutenção, e até aumento, dos níveis de despesa pública em contextos de recessão), e os austeritários (que pugnam por cortes imediatos na despesa), está - pelo menos no plano das ideias - a chegar ao fim. No ponto em que estamos, a perspectiva austeritária implodiu: não só todas as suas previsões falharam por completo quando confrontadas com a realidade, como a própria investigação académica, invocada para suportar essa doutrina, acabaria por se revelar repleta de erros e omissões e feita com estatísticas duvidosas.(...)"

da blogosfera - as minhas leituras

29.04.13

 

 

 

Porque não voto PS

 

 

Encontrei este texto do José Luiz Sarmento no facebook. Respondeu assim a um comentário: "Obrigado, Paulo. Precisamente pelo respeito que tenho pelo PS é que me senti no dever de fazer esta declaração de voto."


"Há personalidades do PS, ou a ele ligadas, pelas quais sinto a maior e mais sincera admiração. Gente honesta, lutadora, culta, com fome e sede de justiça e consciente de que o actual regime político, em Portugal e na Europa, releva da barbárie e não pode conduzir senão a mais barbárie.

O meu problema com o PS é que isto não basta. A história do PS institucional é uma história de coligações à direita e de aceitação acrítica do debate nos termos que a direita define. O PS institucional parece mais preocupado com a liberdade dos mercados do que com a escravidão das pessoas. É um partido de blairs e schröders que soa mais sincero quando defende a austeridade do que quando a denuncia. Enquanto o Partido Comunista, para bem ou para mal, nunca renegou Marx, o PS renegou John Maynard Keynes - cuja visão da Economia é ainda hoje o "estado da arte", apesar (ou precisamente por causa) da fraude intelectual que o neoliberalismo perpetrou, por encomenda, contra ela.(...)"



dos aplausos a assis

28.04.13

 

 

 

 

 

Ouvi ontem na TSF uma parte, que incluiu o sistema escolar, do muito apaudido discurso de Francisco Assis no congresso do PS. O deputado elogiou o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e, para não variar, apontou o dedo às dificuldades criadas pelas corporações. Já cansa. Era bom que Assis revisse o conceito de corporações e talvez concluísse que é mais corporativo do que os acusados.

 

Tem razão quando acusa a direita de ter cavalgado a onda das contestações. Mas esquece-se de dizer que a direita só lá chegou em 2008 (a um ano de eleições), porque antes aplaudia silenciosamente, e que a justa contestação foi iniciada por cidadãos das mais variadas ideologias e convicções. Francisco Assis devia evidenciar essa onda quase heróica (estou a pesar bem) e não se remeter a um exercício de revisionismo.

 

Mas quando se fala em legado de defesa da escola pública fala-se exactamente de quê?

 

Antes de mais, é importante sublinhar que os dirigentes do PS misturam nesse argumentário a ciência e o ensino superior. Francamente: o que de muito positivo os governos do PS fizeram nessas áreas foram políticas conduzidas por Mariano Gago. Tenho sérias dúvidas que esse ex-ministro subscreva o legado infernal de má burocracia, a forma obcecada como se tentou impor uma monstro de avaliação de professores ou, já em fim de ciclo, se decretou uma gestão escolar contra tudo e quase todos.

 

É evidente que o actual Governo prolongou a agonia da escola pública e acentuou-a em áreas determinantes. É verdade que sim. Está agora mais em causa o regresso a níveis impensáveis de abandono escolar e ouve-se muitas vezes o elogio das novas oportunidades. Como sempre se disse, a certificação de competências nestes níveis de escolaridade é um imperativo num país como o nosso. Mas foram os governos do PS que deram cabo da ideia com a febre da propaganda misturada com uma descarada manipulação de dados. Também aí estão por provar os elogios ao legado.

do regresso do ps ao poder

28.04.13

 

 

 

 

Ouvi na TSF a parte final discurso de José Seguro. Dizia o jornalista que já há uma atmosfera de regresso ao poder. Não sei se a aposta é na interrupção do tempo de legislatura, mas, e como sublinhou o desajeitado consenso implorado pelo indizível Cavaco Silva, a antecipação de eleições legislativas está há muito dependente do pé-dentro-pé-fora de Paulo Portas. É até impressionante como um pequeno partido que já foi anti-Europa-e-sei-lá-mais-o-quê e que tem fornecido inenarráveis quadros neste milénio para as acções governativas, o sistema escolar que o diga, adquire esta importância.

 

Como Seguro pediu uma maioria absoluta mas prometeu um Governo coligado, tudo indica que o almoço secreto que teve com Portas em Agosto de 2012 pode finalmente antecipar o tão desejado, e naturalmente unânime dentro do PS, regresso ao acesso directo ao orçamento de Estado. Dá ideia que Portas é um expert em fugas de informação que alimentem a sua condição de incontornável. São também estes incontornáveis exercícios, dos maiores e dos menores destas coligações, que nos empurraram para um perigoso estado de descredibilização da representação política.

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