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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o poder, os vazios e a bancarrota

17.03.13

 

 

 

 

 

O poder tem horror ao vazio, os diversos espaços políticos estão preenchidos e em Portugal também (sem ser o fim da história, obviamente). Temos de tudo na régua ideológica: da direita radical à esquerda radical, passando pelas nuances mais aproximadas ao centro.

 

Nas últimas três décadas criámos um espécie de arco do poder e ostracizámos para a governação as esquerdas radicais, mesmo que com representação parlamentar, com a ameaça de que a sua presença governativa seria bancarrota pela certa. Somos quase únicos na Europa nesse domínio e talvez os gregos e os espanhóis nos acompanhem nessa discriminação.

 

Chegámos ao estado actual com o referido arco do poder. Essa governação, dita responsável, trouxe-nos para a falência. E se comecei o post com o facto do poder ter horror ao vazio, foi apenas a pensar que a direita radical está representada em termos parlamentares e governativos. Às tantas, até está bem inserida em todos os partidos do arco governativo. Por incrível que pareça, os tais da esquerda radical são os únicos a quem não se pode apontar o dedo todo. Mas que grande ironia, realmente.

 

Se o euro terminar em breve, ficamos a saber o que nos acontecerá. Os alemães já se estão a precaver e serão os únicos a ver a moeda valorizada. Portugal ficará no fim da lista, embora ligeiramente acima da Grécia para certificar a prosápia do inenarrável Passos Coelho. As poupanças de cada um cairão para metade e o resto da história será igualmente trágica.

 

 

 

 

 

a festa anti-professores

17.03.13

 

 

 

 

Reparei que os pais estavam com alguma dificuldade em explicar aos dois miúdos, filhos provavelmente e com os seus doze anos, a primeira página do Correio da Manhã de ontem. Pareceram-me pessoas sensatas e a narrativa manteve a compostura. Mas tem sido assim nos últimos oito anos: não há semana, para não dizer dia, em que os professores portugueses não sejam desconsiderados por governantes ou fazedores de opinião e os órgãos de comunicação social perceberam que ampliar a desgraça dá audiências e boas vendas.

 

Há estudos de opinião que indicam que os portugueses têm em boa consideração os professores e depois há a eterna asserção que diz que são as pessoas que fazem as profissões e não o contrário. Mas sejamos objectivos: com o clima de desesperança e de pobreza que se instalou e com uma sociedade sempre a beliscar a profissionalidade dos professores, só se podem esperar maus resultados. Os alunos vão intuindo a coisa e nem a ingenuidade e a inocência próprias da idade fazem milagres.

 

Leia-se alguma coisa do tal exemplo finlandês.


Ao que julgo saber, o Correio da Manhã é o único diário lucrativo (fora os desportivos) e ao Sábado deve chegar a muitas mentes.