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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

tal como se previa

18.02.13

 

 

 

 

Os economistas não acertam previsões, mas Joseph Stiglitz anda desde 2009 a dizer que estamos a assitir à maior transferência de recursos financeiros da história das classes média e baixa para a alta; e culpa a corrupção.

 

Se olharmos para Portugal, vemos que as classes média e baixa estão a ser financeiramente depauperadas enquanto a corrupção passa incólume e a banca volta a "aguentar" lucros astronómicos à conta da dívida pública.

avanços

18.02.13

 

 

 

 

 

A CGTP vai participar na manifestação de 2 de Março de 2013 ("Que se lixe a troika") e dizem-me que é a primeira vez que a central sindical integra uma manifestação que não organizou. No caso do sistema escolar, espera-se pela decisão dos restantes sindicatos (esta "espera" é só para sorrir um bocado).

 

É um avanço.

 

Bem sei que não se pode confundir a CGTP com todos os sindicatos nela filiados, a exemplo do que se passa com a Fenprof. Quando digo que é um avanço, estou a recordar-me do auge da luta dos professores em 2008 e 2009.

 

Como sou sindicalizado desde sempre e como apoiei os movimentos de professores (mais ainda, e naturalmente, os que nasceram na "minha" área geográfica"), conhecia relativamente bem os propósitos de ambos. Fiz um esforço de união. Modesto, mas determinado. E tanto me aborreciam as manifestações de anti-sindicalismo primário, como as defesas do sindicalismo-tout-court-e-encostado.

 

Recordo-me de um episódio. Numa semana que terminou com um grande manifestação de movimentos na capital, dois delegados sindicais entraram na sala de professores da escola onde sou professor e, enquanto distribuíam uns papéis, professavam: é contra os movimentos. Dei-lhes conta da minha indignação. Faziam o jogo do Governo de Sócrates e isso deixou marcas.

 

Espero, sinceramente, que outros ventos se levantem.

 

 

 

 

 

 

O propósito é simples. É também difícil? Claro que sim. Mas difícil é quase sinónimo de belo.

 

 

 

a culpa é do sistema?

18.02.13

 

 



"O início da aula é caótico e dificilmente se recompõe. São 30 alunos do terceiro ciclo, algo indisciplinados, e os primeiros minutos tenho de estar concentrada no teclado a escrever o sumário para não ter falta. Tenho dez minutos para o fazer", disse-me uma professora em estado de desespero. "Já protestei com o responsável que se desresponsabilizou com o sistema embora até concorde com o método", acrescentou.

 

Este exemplo ilustra o estado a que chegou o tratamento da informação, por outsourcing, nas organizações escolares e como uma aplicação informática pode inscrever um retrocesso civilizacional.

 

O tradicional livro de ponto é eficiente. Regista os sumários e as faltas de professores e alunos. Mas já não é eficaz. As faltas têm de ser posteriormente lançadas numa base de dados e os sumários perdem o seu valor essencial: didáctico e histórico.

 

Num país civilizado não existe registo de faltas. Mesmo em Portugal, as faltas dos professores podem ser comunicadas aos serviços administrativos por um assistente operacional que também recolherá, e lançará, as dos alunos. As faltas disciplinares requerem outro tratamento. Os sumários registam os conteúdos leccionados, servem de histórico para utilização didáctica e o momento de lançamento deve ficar à responsabilidade do professor.

 

O que nunca se pode misturar numa mesma base de dados é o lançamento de faltas e de sumários. Pelo menos a automatização temporal dos processos tem de ser independente. Se a pontualidade é um critério forte na educação das atitudes, já não o é tanto na eficácia de ensino. Sabe-se isto desde a criação dos livros de ponto.