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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

ainda a propósito

07.02.13

 

 

 

 

 

"A acção dos movimentos independentes é inconsequente e os protagonistas querem os seus cinco minutos de fama", disse Manuela Maria Carrilho (MMC) nesta conferência.

 

Bem sei que MMC tinha acabado de ilustrar a "ausência" da administração de Obama no duelo entre a política já civilizada e o financeiro por civilizar. Mais do que um cepticismo estruturado, MMC situou o debate na esfera da democracia representativa versus democracia directa (escolheu a primeira), embora mais à frente tenha desacreditado a representação do povo pelos políticos e pelos partidos (por impossibilidade de encenar o futuro) e o voluntarismo cívico (considerou-o um logro).

 

Como o desafio de MMC passa por pensar (pensa-se pouco), podemos fazê-lo e ler contradições nos termos apresentados.

 

Qual será a resposta dos cidadãos à tal crise de representatividade? Se o voluntarismo cívico é um logro e se a defesa que interessa é a da representação, aonde é que se jogam os argumentos para sairmos donde estamos? Como é que se desmunicia o voto estruturado na existente democracia representativa?

 

Podemos ficar horas a pensar, a enunciar o contraditório e a situar a discussão no plano das ideias. Será injusto dizer que MMC vive na estratosfera e que não sente na pele os verdadeiros efeitos da crise. Será. Mas também considero injusto arrumar desse modo os movimentos de cidadãos e a coragem de muitos dos protagonistas (sim, coragem; é bom  nomear as acções).

dual(idades)

07.02.13

 

 

 

 

Estudar comparando modelos é um exercício elementar, mas observar países diferentes exige que se considere a história. Foi risível a forma como se anunciou a supervisão da ministra alemã na implementação, nos países do Sul, do ensino dual.

 

Se não estivéssemos mais do que vacinados contra as cópias que mais não são do que terraplanagem e desprezo pela nossa história, ainda podíamos tolerar. Desta vez a caricatura assume formas já conhecidas. Os plagiadores, os de lá e os de cá, limitam-se a sublinhar que a falência é acima de tudo moral.

 

O que se pode ler aqui é elucidativo sobre a ministra alemã da Educação (se se fizesse uma purga semelhante por cá, dizem-me que era uma razia):

 

"(...)Após esclarecimentos e discussão, o CC subscreve o exame minucioso da comissão:


a dissertação da senhora Schavan tem plágio literal de textos em quantidade significativa (sem menção de autor). A quantidade e a forma como foram utilizados “ipsis verbis”, a não indicação das obras/dos artigos em notas de rodapé ou nas fontes bibliográficas resultam, no entender do CC, uma ideia global: a doutoranda disseminou, de forma sistemática e deliberada, pensamentos/ideias que na realidade não eram seus/suas. A senhora Schavan não conseguiu “remover esta imagem”.


A faculdade constata a fraude por plágio intencional. Esta decisão foi tomada com 13 votos a favor e 2 abstenções.


Em seguida, o CC apreciou cuidadosamente todos os argumentos, em especial os que são favoráveis à interessada, nomeadamente:


o intervalo de tempo decorrido desde que a dissertação foi escrita, assim como o fato da pessoa em causa não ter nenhum outro grau académico para além deste.(...)".