Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da nova teoria do mal

31.01.13

 

 

 

 

Há tempos escrevi assim:

 

 

"Os livros de Miguel Real, "Nova teoria do Mal" e de Andrei Platónov, "A escavação", parecem fechar uma espécie de trilogia com o livro de Gilles Châtelet, "Vivermos e pensarmos como porcos" (sobre o incitamento à inveja e ao tédio nas democracias-mercados).

 

A contra-capa do último diz assim: "Poder-se-à reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?(...)"

 

O livro de Gilles Châtelet começa com a seguinte advertência: "Antes de mais, que fique bem entendido que nada tenho contra o porco - essa "besta singular" de focinho subtil, que em todo o caso é bastante mais refinado do que nós em matéria de tacto e de odor. Mas que fique igualmente bem entendido: detesto a glutonaria açucarada e a tartufice humanitária daquilo a que os nossos amigos anglo-saxónicos chamam a formal urban middle class da era pós-industrial.(...)"


Encontrei há pouco em Adam Smith (2010:61), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, uma passagem interessante sobre o assunto. Adam Smith reconhece que o mal é uma espécie de oxigénio da sociedade, que o devemos olhar como natural e que funciona como cimento social.

 

 

 

 

 

 

plataformas

31.01.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando, depois da última manifestação de professores, li qualquer coisa do género "vai ser preciso que regresse a plataforma para que se faça alguma coisa em grande", sorri com a revisão da História. Só com atrevimento se consegue uma formulação destas.

 

Em 2008, os professores deram uma lição de cidadania e conseguiram atenuar a destruição da escola pública. Houve vitórias e muitas derrotas, apesar da mobilização inédita que se conseguiu. Quem quiser ser justo, reconhecerá que esse envolvimento deveu-se ao fenómeno da Web 2.0 - blogues, outras formas modernas de comunicação e movimentos - aos grandes sindicatos de professores e aos partidos políticos que se situam fora do arco do poder. Apesar de existirem críticas fundamentadas em factos comprovados, é verdadeiro que se considere o papel das organizações formais. Também é bom não esquecer o medo que a acção da Web 2.0 provocou no poder formal, para que se percebam os tristemente célebres entendimentos e acordos que se assinaram.

 

Estamos perante outra vaga de destruição da escola pública e procuramos caminhos para reerguer a barreira. Existem menos blogues activos, as redes sociais tiveram um impulso com resultados imprevisíveis (basta recordar o 15 de Setembro de 2011 e pensar no que pode acontecer no próximo 2 de Março) e surgiram novos movimentos, como o dos professores contratados ou de defesa da escola pública do Oeste que se restringem a causas particulares.

 

É legitimo que muitos blogues e movimentos independentes tenham cessado funções e quaisquer que sejam os motivos. Mesmo que nalguns casos  tenham passado a concordar com as políticas em curso, cada um tem direito a fazer da vida o que entende.

 

O que considero inadmissível é o comportamento de organizações sindicais ou afins que se pautam pelo silêncio ou pela "assessoria" ao MEC. Os sindicatos devem mover-se pela profissionalidade que representam. Esse desempenho é tão inqualificável como o dos bloggers que se posicionam de forma oposta perante problemas semelhantes ou mais graves do que os vividos em 2008. Se estas estruturas entendem que é tempo de regressarem a uma qualquer plataforma, a escola pública terá a ganhar com isso. Todos seremos poucos. O que não se poderá repetir é o corte da espinha dorsal das legitimas aspirações da democracia.