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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do valor das palavras - contraditório

30.01.13

 

 

 

 

 

A escolha das palavras pesa e é decisiva para a construção de um modelo.


Mas a prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vi impreparação modelar na presunção à volta de palavras que fizeram regredir o que existia. Foi o que se passou com a involução semântica na passagem de escolas para agrupamentos e depois para agregações. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".

já nem sei que diga

30.01.13

 

 

 

 

 

 

O desnorte da maioria tropeça no rísivel todos os dias e o sistema escolar não escapa. Hoje foi uma deputada do PSD que se mostrou perplexa com a abertura de 600 vagas para a vinculção extraordinária de professores contratados.

 

Deputada do PSD “perplexa” com 600 vagas para professores contratados


"(...)“Estas 600 vagas deixaram-me um pouco perplexa e irei pedir que me justifiquem ou me dêem argumentos para o entender”, disse esta quarta-feira a deputada do principal partido do Governo na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República, durante a audição da Associação Nacional de Professores Contratados (ANPC).

César Israel Paulo, presidente da ANPC, fez um discurso duro e indignado, considerando que os docentes contratados estão a ser alvo de um "genocídio laboral" e classificando a situação como "uma vergonha".

Margarida Almeida, que também é professora, mostrou-se solidária. "Face ao discurso da indignação, nada tenho a contrapor".(...)A deputada acrescentou depois que "devem ter sido abertas as vagas possíveis para não contratar e depois despedir".

(...)César Israel Paulo lembrou que o problema da precariedade docente "tem mais de 15 anos". "Os professores contratados são eleitores defraudados, seres humanos descrentes face aos sucessivos governos que lhes têm proporcionado emprego precário, deslocações infindáveis para poderem trabalhar e, agora, para muitos, o desemprego sem qualquer indemnização, a passagem a excedentário após anos consecutivos de trabalho. Que país é este?", disse o dirigente, lançando um repto: "Senhores deputados, o que irão fazer a curto prazo para resolver o problema da precariedade docente, quando vão pôr fim a esta vergonha?".

Miguel Tiago, do PCP, e Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda, responderam que vão continuar a apresentar iniciativas no Parlamento para vincular os docentes contratados, lembrando que as mesmas têm sido sempre travadas pelos partidos que se alternam no Governo: PSD, PS e CDS.(...)"

crise periódica?

30.01.13

 

 

 

 

Arendt considerava que a crise geral que se vivia no mundo moderno, em meados do século XX, abrangia os variados domínios da vida humana e eclodia nos diversos países, com saliência para Estados Unidos da América.

 

Uma das componentes mais críticas centrava-se na crise periódica da educação, que se tinha transformado num problema político central com repercussões diárias no mundo dos jornais, e sublinhou que “(...) uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

 

 

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro. Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.