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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da marcha da não resignação (2)

27.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Há sempre aquela pergunta a seguir às manifestações: mas o que é que mudou?


Quem nunca se manifesta, não faz greves e por aí fora, encontra as justificações mais abstrusas para a sua inércia porque sabe que beneficiará com os resultados da luta dos outros ou, como se tem visto, acaba por ser vítima da inacção.

 

 

 

 

Há menos professores do que há quatro ou cinco anos, mas fiquei com a sensação que estiveram na manifestação bem mais de 40000 professores. Cerca de metade dos professores portugueses manifestaram-se o que é um sinal que se deve ter em conta. É muito diferente ir ao local e sentir a atmosfera do que tirar conclusões pelas peças televisivas. Reduzir o significado destas manifestações ao papel das organizações que as promovem é desconhecedor. As organizações são os interlocutores institucionais, mas os professores pensam de forma muito diversa. Há uma variável que ficou bem vincada: as instituições que representam os docentes não podem dizer que os professores não disseram presente e pressinto que há novamente espaço para o reforço dos movimentos "independentes". Lamenta-se que muito do que existiu neste domínio tivesse uma intenção inspirada pela cor partidária. Daí ter colocado o adjectivo entre aspas.

 

 

 

 

 

Os professores mais novos estão indiferentes e não aparecem, era uma das perplexidades mais ouvidas. Talvez o despedimento colectivo de mais de 10000 professores contratados e a vaga de emigração expliquem o fenómeno. Parece-me que os professores vão enfrentar um forte período de proletarização da profissão. Talvez os mais novos pensem que não é nada com eles e mais cedo do que tarde sentirão na pele os efeitos.

 

 

 

 

Quando a frente da manifestação atingiu o Rossio, ainda havia professores no Marquês de Pombal. Não existiu a diversidade de outras manifestações, mas não me parece que isso signifique que os professores não estão informados ou que não sabem o que está em causa.

 

 

 

 

A EBI de Santo Onofre, integrada no agrupamento Raul Proença, marcou presença. O blogger Nuno Coelho, do profslusos, esteve sempre connosco e registou números, que valem o que valem, semelhantes (foto da Maria Filomena Ruivo).

 

 

 

Encontrei esta bonita imagem algures na rede.

publicidade, anedotas e comícios

27.01.13

 

 

 

 

Sou de um tempo em que a publicidade interrompia os filmes e era um excesso e uma perda de tempo. Desenvolvi um mecanismo mental de rejeição que já nem decifro as mensagens, apesar de reconhecer que tenho perdido coisas muito boas.

 

Acontece-me o mesmo com as anedotas. Talvez a brejeirice machista ligada a esse fenómeno me tivesse irritado tanto que estimulei um bloqueio que nem os sorrisos amarelos disfarçam e que quem me conhece bem já desistiu do uso desse meio de socialização.

 

Nas manifestações acontece-me o mesmo com as intervenções vindas dos palanques, que são sempre ruidosas e com vozes à beira de um ataque de rouquidão.

 

Ontem, na manifestação, existiu mais um coro de berraria. Só mais tarde dei conta do racismo do líder da CGTP, que classificou de escurinho o representante do FMI. É grave e inadmissível. Não sei se o homem já se retratou. Deve pedir desculpa e demitir-se de seguida. A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro.