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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

pedagogia do silêncio

25.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos considerar a pedagogia do silêncio como uma espécie de metáfora que contraria o insuportável caderno de encargos da escola actual, que atribui à instituição um papel centrado na sala de aula e que contraria o excesso de informação e de ruído a que se sujeitam as crianças até no ambiente escolar. A pedagogia do silêncio elege a sala de aula para além do registo tradicional, situando-a no vasto elenco de possibilidades que definem o conhecimento transformacional da categoria aprendizagem que teve uma espantosa evolução.

 

O parágrafo anterior é o que de mais significativo registei na interessante conferência de António Nóvoa que se realizou ontem à noite no auditório da Escola Secundaria Rafael Bordalo Pinheiro e que foi organizada, numa iniciativa que inclui conferências às quintas-feiras, pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Centro-Oeste.

 

António Nóvoa sistematizou um modelo que procura respostas para os desafios da escola do futuro através de um olhar atento para o presente e com uma profunda incursão num passado muito enriquecido por relevantes referências.

 

O conferencista continua à procura das palavras certas que ajudem a encontrar um caminho. Nesse sentido, talvez fosse curial reflectir sobre o uso da asserção "escola centrada na aprendizagem". É que foi quase exactamente assim que se instituíram as correntes pedocentristas como de alguma forma sistematizo aqui. Prefiro a "escola centrada no ensino", reconhecendo o risco do regresso ao outro termo da contradição, e talvez a "escola centrada na sala de aula" permitisse uma leitura menos equívoca. O peso das palavras é incontornável.

 

Para António Nóvoa continuamos na pedagogia do século XX e isso deve ser questionado. As ideias de "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola" e "o regresso dos professores" são duas asserções que devem corporizar a ideia de uma "escola centrada na aprendizagem".

 

O conferencista fez analogias entre o que vivemos e o período iniciado com as correntes pedocentristas. As crianças são o "centro da vida". Propôs como fundamental a ideia de "ensinar os alunos que não querem aprender, porque os outros acabam sempre por o fazer" e socorreu-se de Alain que considerou que "difícil é conduzir as crianças a ficarem agradadas, no fim, com aquilo que, no princípio não lhes agradava nada".

José Gil: "A política do Governo é uma aberração"

25.01.13

 

 

 

 

Recebi por email o seguinte texto do filósofo José Gil publicado recentemente.

 

 

"Ninguém pode razoavelmente negar a necessidade de repensar o Estado. Mas não assim: de modo inconsistente, irracional, contraditório e iníquo", afirma José Gil na sua crónica publicada esta quinta feira na revista Visão. O filósofo junta-se ao coro de críticos dos anunciados cortes com que o Governo PSD-CDS pretende atingir o Estado Social, defendendo que "o empobrecimento da sociedade, as falências, os cortes brutais nos salários e pensões, os despedimentos despóticos ou manhosos, não são reformas estruturais, se bem que sejam apresentados como tais".


"As reformas ditas 'estruturais' facilitam o empobrecimento e a extorsão fiscal", prossegue José Gil, dando o exemplo da mudança de escalões do IRS que "vai simplesmente permitir ao Estado arrecadar mais dinheiro" . "Esta mistura entre uma racionalidade mínima e uma irracionalidade máxima (apresentada ao contrário) é uma pura aberração", conclui o autor de "Portugal, Hoje. O Medo de Existir".


José Gil aponta ainda a contradição do Governo ao querer reduzir o Estado ao mínimo, enquanto vai "recrutando 'especialistas' com salários escandalosos", ou o silêncio do relatório do FMI sobre as Parcerias Público-Privadas, a política bancária do Estado, ou planos para combater a corrupção. "Não seriam estas reformas altamente estruturantes?", pergunta.


Outro alvo da crónica em que José Gil explica as razões pelas quais, na sua opinião, "a política do Governo é uma aberração", é o discurso dos governantes, marcado por contradições e incoerências, na forma como se "dizem e desdizem, chocam caoticamente uns com os outros, fraturam a coligação, contradizem o Presidente da República, negam as realidades mais evidentes, não cumprem as regras básicas da legitimidade tácita da governação face à opinião pública."


Questionando-se sobre as razões da apatia na sociedade portuguesa após a contestação que encheu as ruas em setembro de 2012, que atribui a fatores como "a confusão, a desorientação, o efeito de névoa que em nós se instalaram, impedindo-nos de nos situar relativamente ao passado e ao futuro (mesmo imediato)", o filósofo assinala que "tudo parece normal e tudo vai mal. Mas ignoramos aonde está a verdade, se na normalidade aparente (se a recusamos é o abismo) ou na anormalidade vivida".

chega a uma altura

25.01.13

 

 

 

Há motivos para os professores estarem divididos e há instituições representativas da classe profissional que não se têm portado bem. Sabemos isso. Mas também sabemos que andamos há seis anos a ser escolhidos para os cortes na despesa e que no último ano houve um despedimento colectivo, o mais numeroso da nossa história, de cerca de 10000 professores. Está comprovado que Passos e Gaspar andam pelo mundo a elogiar um modelo que vive à custa dos cortes nos professores.


Vale a pena desenvolver acções de luta.

 

É importante a manifestação do próximo dia 26 de Janeiro e espera-se que as formas de luta se agravem depois disso.