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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

editorial (18)

23.12.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Os blogues são uns clássicos das redes sociais, isso estimula-me a continuar e a restringir-me a este espaço no mundo virtual. Bem sei que as causas continuam, mas o gosto cimeiro de blogger sobrepõe-se.

 

Nas redes sociais, e nomeadamente no facebook, é preciso sobrevoar. Realmente que é assim. Se os tais Midas invertidos contaminam as generosas ideias de ONG, cooperativa de ensino, fundação e por aí fora, a natureza humana também torna mesquinho e tortuoso o conceito de redes sociais. Das páginas falsas às mensagens privadas e ao que mais se possa imaginar, tudo serve para que o voyeurismo e a má formação se entretenham a sei lá o quê e a relacionarem variáveis independentes. Resta sorrir, sobrevoar, repito, e a dar ao tempo a certificação que só vivemos uma vida e um dia de cada vez.

 

Seria mais cómodo que a linha editorial de um blogue se restringisse ao puro prazer de escrever e de editar posts sem conteúdos relacionados com causas e com temas denominados de cidadania. No meu caso seria, mas não era a mesma coisa.

se

23.12.12

 

 

1ª edição em 19 de Setembro de 2012 

 

 

Não é fácil dar um pequeno passo em nome da cidadania. O domínio do se exige-nos muito e inibe o direito à palavra. Propalamos o dever da opinião, mas não conseguimos fugir ao beco sem saída da intolerância. Não vivemos o contraditório com civilidade e isso não ajuda nos tempos que correm.

 

Se se criticava o Governo de José Sócrates, era-se um perigoso direitista ou esquerdista radical. Se se critica as políticas da actual maioria, é-se um esquerdista despesista e sem remédio. Se se publica um pedaço acertado da declaração histórica de um comunista, é-se um perigoso agitador. Se se tem um blogue, é-se um subversivo encartado ou um elitista insensível. Se se concorda com uma ideia liberal, é-se um convertido ao capitalismo selvagem.

 

Já nem as redes sociais escapam à voracidade do se: dos likes colocados às imagens que nos integram, tudo serve para o escrutínio tortuoso que nos consome. E podia ficar por aqui horas a divagar à volta do pronome pessoal (neste caso é mais conjunção, conforme contributo de uma professora de português).

 

E dou como exemplo um pequeno texto do politólogo José Adelino Maltez no facebook, que li e gostei:

 

"De mal com o gasparismo, pela mesma razão com que denunciei o socratismo, mantenho o meu feitio de radical do centro excêntrico, com situacionistas proclamando que não sou de confiança e com ataques formais vindos de sectores oficiais do PCP e de certas vozes anónimas que se acobertam em blogues do esquerdismo niilista. Para os devidos efeitos, sublinho que mantenho a minha concepção liberal do mundo e da vida."