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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dois deputados e o apagão

09.12.12

 

 

Dois deputados da maioria, Michael Seufert do CDS e Emídio Guerreiro do PSD, e pelo que vou percebendo são pró-privado-tout-court-no-sistema-escolar, declararam que os cortes dos tais 4 mil milhões de euros devem incluir a Educação. E até circunscreveram a incisão: no primeiro ciclo (enriquecimento curricular e escola a tempo inteiro) e no ensino superior (reavaliação da rede).

 

Estas declarações só podem ser influenciadas pelo apagão provocado pela reportagem da TVI, "dinheiros públicos vícios privados".

 

Ao contrário do habitual cheque-ensino, alargamento de cooperativas de ensino e por aí fora, os deputados apagaram os 2º e 3º ciclos e o ensino secundário.

 

Veja-se lá a comédia.

 

Terão receio de incluir a passagem de turmas das cooperativas de ensino ilegais para as escolas do Estado em nome da tal "refundação" das funções do Estado?

de beliscão em beliscão até às intemporalidades

09.12.12

 

 

 

Li o texto de Lurdes Rodrigues (MLR) na edição impressa do Público de hoje e fui-me beliscando a cada parágrafo.

 

A certa altura, MLR diz que "(...)vale a pena recordar que o período entre 2001 e 2008 foi marcado por medidas de contenção e racionalização da despesa pública de educação...(...)" e esqueceu-se de dizer que, no final desse período, fez aprovar o decreto-lei nº75/2008, sobre gestão escolar, que culminou a destruição das escolas públicas e que abriu portas ao que agora estamos a viver.

 

Esteve sozinha nessa trágica decisão? Não. É verdade que não. Foram poucos os resistentes.

 

Até a ocasião mediática foi incluída na tentativa de sei lá o quê.

 

"(...)3. A controvérsia que opõe escola pública a escola privada, declarando a falência de uma e enaltecendo as virtudes da outra, é sobretudo ideológica e motivada por interesses nunca explicitados. Toda a informação disponível sobre a prestação do serviço público de educação por privados mostra que essa opção não implica menos gastos nem dá garantias de uma melhoria global da qualidade do ensino e dos resultados. Não dispomos de avaliações rigorosas sobre esta questão em Portugal, mas os estudos conduzidos pela OCDE com base em comparações internacionais concluem que a privatização dos sistemas públicos de educação não garante a qualidade global e agrava os riscos de aumento das desigualdades escolares e sociais.(...)"


Desculpem-me o exagero, mas lembrei-me de Platão (É Platão que vai (três vezes) ter com o tirano Dionísio de Siracusa) e do seu mestre Sócrates. Se entrarmos num registo intemporal, podemos aplicar à actualidade (a MLR e ao seu chefe) a seguinte passagem da República de Platão (1949:VII. F.C.Gulbenkian.Lisboa):

 

"(...)Não é necessário excluir a Apologia de Sócrates, que, embora contenha algum diálogo, é, pelo teor de apresentação, fundamentalmente um monólogo.(...)"

 

link

09.12.12

 

 

 

 

O DN online terá desactivado um link que tinha como título "Só há 18 escolas privadas a mais de 15 km das públicas" (a notícia terá sido publicada por volta de 21 de Janeiro de 2011).

 

Um leitor identificado, enviou-me um email com o suposto (dito assim, pelo óbvio) conteúdo da notícia e com pedido de publicação (adenda: entretanto, e às 21h32, a Ana Sousa comentou no sentido do link estar activo. Tinha testado mais do que um vez e estava inactivo na referência indicada. Confirma-se a sua activação e nem sei o que é que aconteceu).

 

 

"Só há 18 escolas privadas a mais de 15 km das públicas"


por Ana Bela Ferreira, Bruno Abreu, Elisabete Silva e Patrícia Jesus

"Dos 94 colégios ... , 20 têm uma alternativa do Estado do mesmo grau de ensino a menos de 1 km.


Só 18 escolas privadas, das 94 com contrato de associação com o Estado, ficam a mais de 15 quilómetros de uma pública com o mesmo grau de ensino. O levantamento feito pelo DN, recorrendo às listas de escolas públicas e privadas fornecidas pelo Ministério da Educação e à aplicação Google Maps para medir distâncias, mostram também que cerca de 20 estabelecimentos privados ficam até a menos de um quilómetro dos seus equivalentes no público.


Ou seja, estas instituições - que protestam contra os cortes do financiamento público alegando a falta de alternativas estatais nas suas regiões - ficam afinal perto de muitas escolas públicas. Apenas menos de 20 surgem como a única alternativa num raio de 15 quilómetros no mesmo concelho.

É em Lamego, Viseu, que fica a privada mais isolada do País - a escola básica e secundária mais perto fica a... 25 quilómetros. Já em Vila Praia de Âncora, Caminha, são apenas sete os metros que separam a Cooperativa de Ensino ANCORENSIS da Escola Básica do Vale do Âncora.

José Canavarro, ex-secretário de Estado da Educação, admite que "é preciso repensar a rede", criada há 30 anos quando a oferta pública era insuficiente e o Estado delegou no sector privado, através de contratos de associação, a educação das crianças dessas regiões. E lembra que, em alguns casos, mesmo existindo escolas públicas, estas possam não ter vagas para acolher mais alunos.

Estes colégios prestam "um serviço ao Estado", pelo que têm de ser "bem" tratados, defende o professor universitário. O que, critica, não tem sido feito pela tutela no processo de cortes dos financiamentos. "Há que dar tempo às escolas para se reconverterem em privadas ou encontrar outras soluções caso a caso", sugere."

ontem, no expresso

09.12.12

 

 

 

 

 

 

Se a poupança é uma das principais conjugações a que deve obedecer uma sociedade que quer ter futuro, o desperdício em tecnologia é uma evidência e o sistema escolar inclui-se no desgoverno.

 

Para além dos conhecidos devaneios com o hardware, há todo o mundo de licenças de software vendidas por empresas comerciais de gestão escolar que agravam o despesismo, que não acrescentam conhecimento às instituições e que infernizam com hiperburocracia digital a vida dos professores e das escolas.

 

 

 

Expresso – Economia, 8 de Dezembro de 2012

uma quebra no silêncio do DN

09.12.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O DN, vá lá saber-se porquê, tem tido uma agenda pró-privado-tout-court-no-sistema-escolar e ignorou a célebre reportagam da TVI, "dinheiros públicos, vívios privados". Ontem, um cronista conseguiu quebrar o silêncio.

 

 

 

"(...)No universo dos "contratos de associação" há seguramente bons exemplos de serviço ao interesse das comunidades locais, lá onde o Estado não cumpriu o seu dever de garantir o bem público que é a educação. Mas esta é uma história pejada de casos de iniciativa privada alimentada com dinheiros públicos e de cumplicidades entre privados e governantes que resultam em gestão danosa do erário público em benefício da busca de negócio lucrativo por interesses particulares.

Uma investigação jornalística da TVI revelou esta semana mais um caso com estes contornos. Em diversos concelhos da zona centro do país, há escolas básicas e secundárias com excelentes condições que estão a perder alunos, que têm menos turmas do que as que solicitam ao Ministério da Educação e que têm um número crescente de professores com horários zero. Pois bem, nesses mesmos concelhos, a uma distância irrisória das referidas escolas públicas, há colégios privados de um mesmo grupo, poderoso e influente, que recebem cada vez mais alunos - precisamente o mesmo número que saiu da escola pública... - por decisão da Direção Regional de Educação respectiva. Dir-se-á que a concorrência é assim mesmo: quem tem mais qualidade a oferecer é premiado pelo mercado. Pois desenganem-se: a qualidade logística e pedagógica dos colégios em ascensão fica a milhas da das escolas públicas em perda - há neles professores compelidos, sob ameaça de despedimento, a vincular-se a cargas horárias totalmente ilegais e a leccionar a um número de alunos inconcebível. Dir-se-á também que a iniciativa privada vai à luta, arrisca, conquista e paga por isso. Pois desenganem-se: os referidos colégios são financiados por contratos de associação com o Estado, que lhes paga 85 000 euros por cada turma de que resulta um total estimado em 25 milhões de euros pagos ao grupo empresarial seu proprietário.(...)"

coisas com piada

09.12.12

 

 

 

 

Há tempos escrevi assim:

 

"Já tentei incluir o blogue na letra do acordo ortográfico e voltei atrás. Não tive tempo para estudar bem o assunto e não me estava a sentir cómodo. É natural que goste mais do registo anterior, mas respeito o espírito da decisão. Se fosse apenas por uma questão estética, preferia que ficássemos como estávamos. Não gosto de ler os textos na letra do acordo.

 

Há uma frase interessante de Proust, no "Em busca do tempo perdido", que é mais ou menos assim: uma nova gramática é também a legitimação dos erros em relação à anterior. Nunca me esqueço desta frase quando leio os argumentos mais dogmáticos em relação a estes assuntos.

 

Vou manter o blogue no registo pré-acordo, pelo menos até ter tempo para me informar devidamente."



Ontem dei com o seguinte acontecimento algo risível: