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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da imagem, das santas e dos equídeos

07.12.12

 

 

 

 

 

 

 



"Mudamos a designação para Colégio de uma Nossa Senhora e compramos um burro para dizemos que oferecemos ensino equestre", foi mais ou menos esta a solução verdadeiramente empreendedora (também a pensar nos custos e na rentabilidade) de um colega da Escola Básica Integrada de Santo Onofre quando, já em 2009, se acentuava a perda de alunos.

 

Numa sociedade civil fraca, a designação é tão relevante como foi noutros tempos a diferença entre Liceu e Escola Técnica. Ir de borla (mas o Estado será convenientemente esmifrado) à Clínica CUF dá mais estatuto do que socorrer-se da Unidade de Saúde de Tornada do Agrupamento de Centros de Saúde da sub-região Oeste-Norte. Vou ao segundo e aconselho.

 

E a coisa agrava-se quando a lógica de agrupamento (alguns desprevenidos, também em gestão organizacional, designam por "cultura de agrupamento") faz terraplenagem da identidade das diversas instituições agregadas com perda acentuada da imagem de todas elas.

do contraditório

07.12.12





Cortesia de Manuela Silveira.



“Os professores sabem que as notas não são fiáveis, que não dariam a mesma nota ao mesmo trabalho se lho apresentassem algumas semanas mais tarde e que os seus colegas dariam notas diferentes a esse mesmo trabalho. Eles sabem que são incapazes de precisar, mesmo para si mesmos, os objectivos e critérios de notação. Eles sabem que não sabem em que consiste o «nível» mínimo que permite «passar». Sabem que escapar à média é absurdo. Conhecem os efeitos da estereotipia e de halo. Sabem mas não querem saber que sabem. Sabem inconscientemente. E é por isso que podem em boa fé falar da sua consciência profissional. Ela é, de facto, inocente: trata-se sim do inconsciente! Mas porquê? O que é que eles defendem com esta resistência? (...) Defendem um prazer. Um prazer de má qualidade mas seguro, garantido, quotidiano. Um prazer que se tem de disfarçar para ser vivido sem culpabilidade (...). Esse prazer, é o prazer do Poder com P maiúsculo. O professor é o mestre absoluto das suas notas. Ninguém, nem o seu director, nem o seu inspector, nem mesmo o seu ministro, podem fazer nada quanto às notas que ele deu. Pois foi de acordo com o seu carácter e a sua consciência que ele as deu. Com o seu diploma, foi-lhe reconhecida a competência de avaliar (o que não deixa de ter graça!). A sua consciência profissional é inatacável. Na sua tarefa de avaliador, ele é omnipotente. E esse domínio significa poder sobre os alunos. A omnipotência de avaliar: um prazer que vem dos infernos e que não podemos olhar de frente...”



Patrice Ranjard, 1984, 93-94

in Philippe Perrenoud, 1992, 169-170