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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

coisas estranhas

27.12.12

 

 

 

 

 

 

 

É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.

 

Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.

 

As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.

 

É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.

 

"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.






Este texto é inspirado noutro

post que escrevi há uns anos.

digam o que disserem

26.12.12

 

 

 

 

É recorrente e inevitável: os milhares de milhões de euros da fraude BPN (mas há mais, do BCP a outros bancos e passando por regiões e autarquias) não podem ficar "arrumados" numa qualquer gaveta.

 

É interessante o texto de Rui Tavares, hoje na impressa do Público. E já começam a ser sei lá o quê as classificações de esquerdista radical e populista. É bom ir ver o que se defendia sobre a dívida há um ou dois anos ou ir mais longe e ver quem subscreveria nos tempos que correm os discursos de Olof Palme ou Willy Brandt.

 

 

em Braga

26.12.12

 

 

 

 Recebido por email com pedido de divulgação.

 

 

 

Comunicado à Comunidade Educativa





Reordenamento/Agregação das escolas agrupadas e não agrupadas do Concelho de Braga.


Considerando que, até à data, a Direção Regional de Educação do Norte não respondeu ao pedido de audiência solicitado por uma comissão representativa da comunidade escolar bracarense referente à proposta de agregação das escolas e agrupamentos de escola deste concelho;

Considerando que os diferentes serviços do Ministério da Educação e Ciência não emitiram qualquer parecer ou desenvolveram qualquer diligência, na sequência das solicitações de suspensão dos processos de agregação, entretanto encaminhados por diferentes órgãos de Administração e Gestão das Escolas e Agrupamentos de Escola;

Considerando que a Exma. Sr.ª Diretora Regional de Educação do Norte comunicou, em reunião convocada para o efeito, que, até 31 de dezembro de 2012 e por decisão unilateral da tutela, seriam publicadas em Diário da República as agregações relativas a este concelho;

O Conselho Municipal de Educação, a Confederação das Associações de Pais, os Presidentes dos Conselhos Gerais e os Diretores das escolas agrupadas e não agrupadas do concelho de Braga, em reunião no dia 21 de dezembro, na Escola secundária D. Maria II, consideraram fundamental dar a conhecer à comunidade educativa que representam as decisões tomadas:


Reencaminhar toda a documentação relativa a este processo ao Exmo. Sr. Ministro da Educação, com conhecimento aos diferentes serviços por si tutelados, solicitando uma audiência com caráter de urgência;


Promover uma conferência de imprensa, no próximo dia 27 de dezembro (quinta-feira), pelas 11 horas, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Braga;


Convidar toda a Comunidade Educativa (Alunos, Pais e Encarregados de Educação, Docentes, Não Docentes…) a comparecer na Praça do Município, no dia e hora acima agendados, no sentido de acompanhar e apoiar esta iniciativa.



O Presidente do Conselho Geral



O Diretor

investimento privado

26.12.12

 

 

 

 

 

Muito se tem escrito no sentido da insuficiente privatização do ensino não superior. Se considerarmos que as cooperativas de ensino integram a gestão privada, os nossos números ficam acima da maioria dos países e para surpresa de alguns. Mas não é disso que o post trata.

 

O gráfico que colei, do relatório da OCDE - Education at a Glance 2012 -, refere-se à percentagem da despesa pública e privada em 2009 (GDP é o PIB).

 

Não existe investimento privado nos três primeiros ciclos de escolaridade e há algum no tertiary (grosso modo, secundário, ou pós-secundário, profissionalizante).

 

Ao contrário da maioria dos países, o nosso "privado" alimenta-se do orçamento de Estado e parece preferir a designação para ter melhor acolhimento numa sociedade civil fraca.

 

 

editorial (18)

23.12.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Os blogues são uns clássicos das redes sociais, isso estimula-me a continuar e a restringir-me a este espaço no mundo virtual. Bem sei que as causas continuam, mas o gosto cimeiro de blogger sobrepõe-se.

 

Nas redes sociais, e nomeadamente no facebook, é preciso sobrevoar. Realmente que é assim. Se os tais Midas invertidos contaminam as generosas ideias de ONG, cooperativa de ensino, fundação e por aí fora, a natureza humana também torna mesquinho e tortuoso o conceito de redes sociais. Das páginas falsas às mensagens privadas e ao que mais se possa imaginar, tudo serve para que o voyeurismo e a má formação se entretenham a sei lá o quê e a relacionarem variáveis independentes. Resta sorrir, sobrevoar, repito, e a dar ao tempo a certificação que só vivemos uma vida e um dia de cada vez.

 

Seria mais cómodo que a linha editorial de um blogue se restringisse ao puro prazer de escrever e de editar posts sem conteúdos relacionados com causas e com temas denominados de cidadania. No meu caso seria, mas não era a mesma coisa.

se

23.12.12

 

 

1ª edição em 19 de Setembro de 2012 

 

 

Não é fácil dar um pequeno passo em nome da cidadania. O domínio do se exige-nos muito e inibe o direito à palavra. Propalamos o dever da opinião, mas não conseguimos fugir ao beco sem saída da intolerância. Não vivemos o contraditório com civilidade e isso não ajuda nos tempos que correm.

 

Se se criticava o Governo de José Sócrates, era-se um perigoso direitista ou esquerdista radical. Se se critica as políticas da actual maioria, é-se um esquerdista despesista e sem remédio. Se se publica um pedaço acertado da declaração histórica de um comunista, é-se um perigoso agitador. Se se tem um blogue, é-se um subversivo encartado ou um elitista insensível. Se se concorda com uma ideia liberal, é-se um convertido ao capitalismo selvagem.

 

Já nem as redes sociais escapam à voracidade do se: dos likes colocados às imagens que nos integram, tudo serve para o escrutínio tortuoso que nos consome. E podia ficar por aqui horas a divagar à volta do pronome pessoal (neste caso é mais conjunção, conforme contributo de uma professora de português).

 

E dou como exemplo um pequeno texto do politólogo José Adelino Maltez no facebook, que li e gostei:

 

"De mal com o gasparismo, pela mesma razão com que denunciei o socratismo, mantenho o meu feitio de radical do centro excêntrico, com situacionistas proclamando que não sou de confiança e com ataques formais vindos de sectores oficiais do PCP e de certas vozes anónimas que se acobertam em blogues do esquerdismo niilista. Para os devidos efeitos, sublinho que mantenho a minha concepção liberal do mundo e da vida."

 

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