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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do gáudio com a precarização

24.11.12

 

 

 

 

 

Do que tenho assistido nos últimos anos com a destruição da escola pública, o que mais me surpreende é ler ou ouvir professores a defenderem a precarização do seu grupo profissional (em regra, convencem-se que escapam, coisa que nem os reformados têm como garantida, e fazem-no para agradar à entidade que servem). Há já história mais do que suficiente para os aconselharmos a serem ponderados.

 

Participei numa série de debates sobre gestão escolar quando eclodiram os primeiros sinais de que Sócrates e Lurdes Rodrigues tinham escolhido os professores e a escola pública como exemplo do corte a eito através da hiperburocracia e de outras coisas igualmente maléficas.

 

Nessas sessões, estavam também professores com funções de gestão numa das cooperativas de ensino que é proprietária de vários colégios (é mais fino e o lumpen agradece). O que mais me impressionava no seu discurso não era o endeusamento do chefe do Governo nem sequer a espécie de ciúme profissional com os professores das escolas do Estado. Era o gáudio por apresentarem a folha salarial mais baixa à custa da precarização dos professores que era a política primeira da sua administração. Era uma espécie de solidariedade divina.

 

Avisei-os da ingenuidade e, nalguns casos, da notória ingratidão.

 

Há tempos, encontrei um desses professores. Estava em litígio jurídico com a cooperativa de ensino e esperava poder concorrer para uma escola do Estado. Era alguém que também evidenciava com frequência o ranking do seu colégio. Tinha sido substituído. Preferiram alguém com salário mais baixo e que leccionava uma disciplina dos cursos profissionais. É que o colégio onde estava teve "de se abrir" aos CEF´s e profissionais e, com a mesma organização e com os mesmos professores, o ranking baixou. "Mudou" a direcção e a precarização continuou o seu lema sem vãs solidariedades.

é uma festa

24.11.12

 

 

 

A banca andou anos a fio em ambiente de "festa brava" e o país entrou em bancarrota. É esta a verdade cruel dos números. 

 

Depois da sucessão de relatórios e de execuções orçamentais, e com todo o respeito por quem está no desemprego, recebe pensões de miséria ou passa fome, já ninguém duvida de que os professores foram os escolhidos. Não apenas por serem muitos, mas por razões ideológicas e porque os fortes interesses instalados assim o exigem. Mesmo na máquina do Estado. Ainda há uma semana escrevi assim:


"Nas autarquias não se toca porque boys e caciques fazem sempre falta, nos militares também não porque há golpe de estado, nas fundações e observatórios é a ladainha do costume, na saúde assobiam para o lado à primeira greve, nas empresas públicas ou municipais (estas são incontáveis, valha-nos sei lá o quê) há muito emprego de aparelho e ficaria aqui o dia todo."


Notícias do género"Menos 14% de despesa com pessoal à custa dos professores", inundam a imprensa mais livre.

 

A primeira página do Expresso tem duas notícias que explicam o que escrevi no primeiro parágrafo. A banca consome o dinheiro dos contribuintes, os professores são os principais atingidos e Nuno Crato não tem uma palavra em defesa da escola pública que tanto nos custou a construir.