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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

episódios da tragicomédia

23.11.12

 

 

 

 

 

Recebi um email devidamente identificado que dá conta do desvario burocrático que se instalou há muito no sistema escolar e que persiste. Em regra, o que muda são as designações.

 

Quem não exerce funções nas escolas não reconhecerá a parafernália de siglas inseridas no texto (a não ser que esteja pelas estruturas do MEC e convencido que anda a reformar), mas creio que perceberá o espírito, e a letra, que nos trouxe até ao estado em que estamos.

 

 

"Já tinha visto o plano de trabalho de turma no novo estatuto. Esse plano também se encontra previsto no decreto-lei N.º 139/2012 que revoga o 6/2001, ponto 8 do artigo 25º e anexo 1 (1º CEB).

Não é apenas aqui que se encontra a ignição do problema. É sim no entendimento que cada escola faz. A sua inútilidade advém da sua ignorante substância.

Questiono-me, se o PTT é para ficar conforme o "preconizado" para o PCT, qual a razão que levou o legislador a alterar?

Questiono-me acerca da necessidade do legislador ter redigido isto:


"2 — Os órgãos dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas e, bem assim, as respectivas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica devem:
a) Evitar a exigência ao pessoal docente de documentos que não estejam legal ou regulamentarmente previstos;
b) Contribuir para que os documentos exigidos aos docentes ou produzidos na escola tenham uma extensão tão reduzida quanto possível"."

digam-me que isto não aconteceu (1)

23.11.12

 

 

 

 

Recebi por email o texto que colo de seguida. O testemunho foi enviado com pedido de divulgação por parte do destinatário original. Pelo óbvio, suprimi os dados de identificação.


Bom dia, colega,

Agradeço as suas palavras de compreensão.
Trata-se de facto de um grupo com grande poder. Lembro que, na altura da compra do Externato pelo (…), na reunião de tomada de posse vieram à escola indivíduos do topo da hierarquia. E se não me falha a memória, o próprio (…) (cujo pai fora amigo da fundadora do Externato, primeira mulher em Portugal a formar-se em medicina veterinária). A opção pelo (…) partiu da parte da fundadora do Externato de duas vertentes: uma, a da ingenuidade – quem conheceu o carácter do pai, não conhece verdadeiramente o carácter do filho, a amizade obstruiu a visão da situação; por outro lado, e neste caso por parte dos filhos da senhora, que são bastantes e estão internamente divididos nos seus interesses particulares, o conhecimento de que o (…) tem dinheiro para os salvar da “enrascada” em que estão metidos. Precisam de vender a todo o custo. E é isso que fazem.
Na reunião a que me refiro, notei que os tais indivíduos não se abstinham de nomear os conhecimentos políticos que tinham. E, desconfiada pelo nosso futuro, não pude deixar de pensar, já naquela altura, que aquilo me parecia uma ameaça velada. A mesma que, já mais descaradamente, se fez sentir aquando do fórum anual que se realiza na (…), no (…) e à qual todos os profs (…) devem (carácter obrigatório) comparecer. Neste fórum esteve presente o (…)e o presidente da Câmara de (…). Mais uma vez, o (…) salientou os seus contactos governamentais. É como se dissesse: “escusam de nos ameaçar, podem falar mal de nós à vontade, com os nossos conhecimentos na esfera do poder, safamo-nos sempre, temos imunidade, vejam quem trabalha connosco e para nós!” Este último trecho nem sequer é o que eu calculo que pensam, foi dito. Eles salientam muito quem dos ex-governos trabalham com e para eles. O (…) faz gáudio em salientar esse aspecto, ele é um indivíduo sem pudores, descarado, com segurança em público.
Na reunião de antes de ontem, no Externato, sei que houve ameaças veladas, relativamente à eventualidade da participação na entrevista. E, mais uma vez, partiram do topo da hierarquia da (…), onde tudo se decide.
A nossa escola foi, durante os anos em que lá trabalhei, uma escola familiar. Tinha espírito de escola, principalmente, enquanto os seus fundadores foram vivos. O fundador foi um indivíduo com visão e espírito de missão, preocupado com o nosso bem estar e o dos alunos. Tudo fez pela escola que fundou, pagando os nossos salários com endividamento à banca, quando já na 2ª metade dos anos 80, e muitas vezes nos anos 90, o Estado não enviava a tempo e horas a 1ª tranche de pagamentos que cobre os meses de Agosto a Dezembro. E nem sequer nos fazia sonhar que esse percalço acontecia. Era um indivíduo de esquerda, que não procurava louros de vitória, não se expunha nem se vangloriava. Era coerente com os seus princípios, rígido e firme nos seus propósitos, mas com um fundo humano que se mostrava pelas acções. Falava pouco, agia muito. O espírito com que criou a sua própria numerosa família foi o espírito com que fez pagar do seu bolso os estudos a alguns filhos da terra, carecidos financeiramente, mas com capacidades intelectuais notórias. Nunca ouvimos da sua boca a mais leve menção a este facto. Este espírito morreu com ele, em Fevereiro de 2002. Manteve-se no entanto a vontade de manter este carisma que nos deixou: o de que estávamos a trabalhar para um bem comum. E se trabalhávamos mais horas do que seria estipulado, fazíamo-lo porque gostávamos de o fazer, não por medo ou coação. Tínhamos brio na escola que defendíamos. Sentíamo-nos em casa, fazíamos o melhor que sabíamos. Era uma casa e causa de todos. Era espírito de missão educativa.
Numa RG, pouco depois da compra pelo (…), a gestora administrativa da escola disse uma frase que não me saiu da cabeça “…não quero dizer que, ao comprarmos esta escola, tenhamos dado um tiro no pé”: ora, todos sabemos que, em política, quando se nega uma coisa é sinal de que ela é verdade. O que equivale a dizer que o (…) considerou que, se tivesse podido voltar atrás, não teria comprado o Externato. Com os cortes introduzidos pelo Estado às escolas, os lucros previstos à partida não se concretizariam. Havia que proceder a cortes internos (as nossas cabeças), para não haver muita discrepância entre as ambições e a realidade. Ainda assim, nesse mesmo ano, quiseram ter “os dois pés iguais”, porque compraram uma escola profissional na (…).
Infelizmente para todos nós, as oligarquias no poder continuam a existir e a ser economicamente poderosas e, quaisquer que sejam as forças partidárias que ocupem esse poder, qualquer boa vontade vai ser esmagada pela ditadura económica que não se compadece com a dignidade humana e com as pessoas como seres humanos que constituem de facto esta nação. Somos meros colaboradores, ou seja peões de que o poder partidário dispõe a seu bel-prazer no tabuleiro dos seus interesses próprios.
Infelizmente, na conjuntura actual, não creio, caro colega, que nos possamos libertar dessa gente pelo voto. Apenas pela denúncia sem tréguas e pela revolta activa. Pela força da palavra apartidária. O que, temo, levará ainda muitos anos até produzir efeitos. Resta-nos não deixar cair a voz da denúncia dessas ilegalidades e ter esperança.

Cumprimentos,

o que se vai sabendo

23.11.12

 

 

 

 

 

São dados muito surpreendentes que comparam as despesas de funcionamento entre as escolas estatais e as escolas das cooperativas de ensino, relativas a 2009/10, e que excluem os salários com professores e com as direcções das escolas.

 

Depois de anos a ouvirmos que as escolas do Estado eram despesistas e mais sei lá o quê e que o privado (mais até o "encostado" ao estado) é que pensava nos contribuintes, começam a conhecer-se dados sobre dados que deixam perplexos os mais distraídos.

 

Encontrei o quadro neste post do Paulo Guinote.