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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

só pode ser uma blague a pensar nos professores portugueses

22.11.12

 

 

 

O Parlamento Europeu aprovou hoje, por larga maioria, a proposta que vai obrigar a que o presidente da Comissão seja eleito por todos os cidadãos, através da apresentação de listas, já em 2014.

 

Belisquei-me. A União Europeia vai abdicar da nomeação ou do voto colegial para a escolha do presidente da Comissão?

 

Bem, aquelas pessoas ensandeceram, radicalizaram ou estão a inspirar-se numa espécie de resistentes portugueses que mais pareciam os famosos habitantes da invencível Gália.

 

De uma coisa podem estar seguros: vão ter a resistência dos descomplexados competitivos portugueses e é bom que tenham decidido em Estrasburgo sem qualquer inspiração num dos bairros mais chiques da vida parisiense ou com consulta à CEO da FLAD. Não adianta fazerem perguntas ao actual MEC porque essa macro estrutura eliminou do pensamento assuntos mais dados ao radicalismo.

 

 

Sucessor de Barroso será eleito por todos

previsível

22.11.12

 

 

 

 

 

Apesar dos professores das escolas do Estado terem um histórico de "salva-vidas" aos devaneios reformistas, começa a ser muito difícil a contenção mediática a propósito da gestão escolar em curso.

 

Essa contenção ainda se acentua mais nos concelhos onde a lógica de mercado se abre ao ensino privado ou cooperativo e em que as políticas dos últimos anos provocaram o aumento de salas de aula vazias e dos denominados horários zero.

 

Até aqui, os agrupamentos de escolas tinham uma sede e vários satélites de primeiro ciclo ou de pré-escolar e caminharam em plano inclinado.

 

A actualidade é diferente e única no mundo conhecido. Os mega-agrupamentos incluem várias escolas com "tipologia sede", mas só uma obtém o estatuto. É, como já escrevi várias vezes, uma escala que exigia outro modelo de gestão escolar ou outra filosofia na abordagem deste decisivo problema, como sublinha o Conselho Nacional de Educação. Mas já se sabe: fazemos depressa e mal porque não estudamos nem antecipamos os problemas.

 

 

Mega-agrupamentos "fragilizam" autonomia das escolas 

 

"Os agrupamentos escolares de grandes dimensões, que têm vindo a ser criados, “constituem, até ao momento, um caminho de reforço do controlo e não da autonomia das escolas”. O alerta é feito pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), um órgão consultivo da Assembleia da República, numa recomendação sobre a autonomia das escolas, aprovada no mês passado.


No documento, a que o PÚBLICO teve acesso, e que aguarda ainda publicação em Diário da República, o CNE constata que a recente criação dos chamados mega-agrupamentos “tem vindo a criar problemas novos onde eles não existiam”. São exemplo o “reforço da centralização burocrática dentro dos agrupamentos, o aumento do fosso entre quem decide e os problemas concretos a reclamar decisão” ou a “sobrevalorização da gestão administrativa face à gestão autónoma das vertentes pedagógicas”.


Segundo o CNE, esta situação “fragiliza ainda mais a já frágil autonomia das escolas e deixa pela frente o reforço do cenário único e salvador do caos: a recentralização do poder na administração central, agora reforçada na sua capacidade de controlo de tudo e todos, pelas novas tecnologias”.


(...)O CNE lembra, a este respeito, que “a primeira responsabilidade de uma escola/agrupamento de escolas é para com os alunos e as famílias e não para com os níveis e subníveis burocráticos” e exorta o Governo a levar por diante “um inequívoco reforço da concentração das actividades de gestão pedagógica nas escolas, o mais perto possível dos alunos, aplicando um projecto educativo próprio, o que não está a ocorrer no processo de concentração de agrupamentos de escolas”.

o efeito boomerang

22.11.12

 

 

 

 

Os defensores da privatização de lucros no ensino não superior andaram anos a fio a afirmar o despesismo das escolas do Estado e a pugnar por estudos.

 

Como os estudos apareceram e não lhes agradam, e o país entrou em fase de "refundação", cruzam os indicadores da OCDE com os do PISA para advogarem que o nosso investimento justificava melhores resultados dos alunos. Fazem terraplenagem da nossa história, omitem que ainda temos 30% de abandono escolar e 10% de analfabetismo e só lhe falta dizer que os cortes de subsídios devem permanecer apenas para os professores das escolas do Estado para que o investimento médio por aluno nos aproxime da parte baixa dos países desenvolvidos.

 

Talvez se enganem.

 

O facto de nunca admitirem cortes nas cooperativas de ensino é estranho.

 

Mesmo sem estudos publicados, o Estado contratualizou durante muito tempo 115000 euros por turma e de repente baixou para 80000 euros com Isabel Alçada, tendo Nuno Crato alterado para 85000. Como é que se chegou a estes números é que gostávamos de saber.

 

Mas, e como disse, talvez se enganem.

 

É que já há quem defenda uma racionalização do MEC a custo zero com a passagem das turmas das cooperativas de ensino para as escolas do Estado que estão com salas de aula vazias e com professores com horário zero. Esta medida terá amplo apoio popular e reduzirá substancialmente a tal despesa da administração central.

 

Este inferno dos números deixará a nossa sociedade ainda mais doente.

 

Já se vêem sinais disso nos protestos das escolas católicas ou nas declarações do secretário de Estado Casanova quando anuncia a revisão dos contratos com as cooperativas de ensino.