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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

2m

18.11.12

 

 

 

 

 

Diz-se que quem não incorpora o "impossível" ideológico no final da adolescência jamais o fará e não escapei a essa condição.

 

A libertação de Moçambique (a minha pátria de nascimento) empurrou-me para a construção de uma espécie de utopia real que queria habitar. A veloz formação política, até aí subentendida por corajosos símbolos clandestinos que só mais tarde racionalizei, e a vivência de um regime totalitário de partido único marcou-me e desencantou-me de alguma forma.

 

O também acelerado conhecimento da história e do contexto (e o amor à terra, claro) atrasaram a fuga, mas as ideias vincadas de liberdade e de justiça determinaram a partida.

 

Mais tarde, Nelson Mandela (e Frederik De Klerk, sublinhe-se), em condições algo semelhantes e mesmo mais adversas do que as verificadas em Moçambique, confirmaram o imperativo de que os regimes têm sempre de considerar que as sociedades são constituídas por pessoas em ambiente de contradição.

 

Devo a Portugal quase quatro décadas de paz e de democracia e a convicção de que o discurso anti-político é nefasto para que se construam outros tantos anos no mesmo registo.

 

São já inúmeras as vezes que me convidaram a integrar partidos políticos e, mesmo sem a inscrição, foram também variados os convites para cargos de eleição assegurada ou para disputas que prometiam. A "indisciplina", que cedo se apoderou de mim, fez-me traçar um caminho que mistura a independência com a incomodidade (com desvantagens para a vidinha, é certo, mas com vantagens que me escuso de elencar e a que não renunciarei), apesar de manter amizades, com respeito mútuo, em grande parte dos convites rejeitados e nas mais diversas áreas políticas.

 

Dito isto, e a propósito de uma ou outra interessante discussão noutros posts, há dois substantivos, memória e maniqueísmo, que se devem divorciar na análise histórica.

 

Há várias figuras da democracia portuguesa que aglutinam correntes ideológicas e o actual presidente da República é a que mais me desgosta.

 

Vivíamos, em 1985, o final de uma intervenção do FMI e com um Governo de bloco central. Cavaco Silva assinou uma cavalgada populista com predominância para o anti-político global (nem Mota Pinto ou Balsemão escaparam à perigosa deriva) que me impressionou e tomou o poder, num país carente de infra-estruturas, no momento em que se iniciou uma chuva de euros da comunidade europeia. Dez anos depois, o país estava mais endinheirado, com muito mais edificado por metro quadrado, com défices sempre superiores a 5% de 1990 a 1995 e saturado do anti-político como se constatou nas presidenciais de 1996.

 

O antipolítico ficou em banho-maria, mas com voz sibilina, para regressar em 2006: com a decisiva (em termos eleitorais) promessa da segurança económica (a memória em política é curta, como se sabe), com a concretizada cooperação estratégica com Sócrates e com o aplauso a Maria de Lurdes Rodrigues, como não se cansou de deixar claro.

 

Nos últimos tempos, tem cultivado o silêncio e sua voz só se levantou para implorar que o deixem trabalhar na economia e para ser deselegante com quem fazia greve. É, na minha modesta opinião, uma das correntes mais nocivas para a democracia portuguesa. Estimula a não participação e a infantilização e dá espaço para o mais nefasto dos comportamentos: a corrupção. Aliás, e sem querer ser populista e injusto, basta olhar para os factos e para o percurso do núcleo duro do cavaquismo.

 

post 6000

18.11.12

 

 

 

 

 

 

É o post 6000 (foram acompanhados por 17829 comentários). Tinha o hábito de dar conta dos totais de audiências (visitas e páginas vistas), mas já não sou capaz de o fazer com rigor. Por um lado porque não me preocupei com isso de início, mas também porque fui depurando os contadores até ficar com o que mais me interessava para evitar a supressão do tempo. Já são muito anos a olhar para écrans de computadores.

 

Passo pelo Apollofind, pelo menos um vez por semana, e fico a saber o essencial. Ontem fiz esse exercício para copiar uma tabela das visitas para este post. Percebi que 2219 pessoas chegaram por sua iniciativa (self referring/bookmarker), outras 1120 conduzidas pelo google e que as restantes foram aconselhadas por blogues e sites que lincam o Correntes.

 

E foi aqui que voltei a dar conta da crise que atravessamos.

 

Já confessei que me tento divertir com o Sporting e com os Lakers e que pior do que se tem passado com estes clubes só mesmo a condição de cidadão português. Mas essas confissões não deviam permitir que o Correntes recebesse centenas de visitas no mesmo dia provenientes da Coluna das Águias Gloriosas (se olharem para a tabela e somarem ficam com uma ideia, porque a coisa ainda se prolonga mais para baixo). A ligação fez-se por causa de um vídeo sobre corrupção e a propósito das práticas bélicas entre os dois clubes mais adversários do Sporting e atenuou a humorada perplexidade.

 

Enfim.

 

Obrigado a todos os que passam por aqui.