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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

querem ver

16.11.12

 

 

 

 

Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.

 

 Gráfico obtido no Pordata.

 

As palavras estão gastas e cansa o retorno (eterno ou efémero?) de Nuno Crato à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo sempre os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar (sobre este último e decisivo assunto nem se sabe o que pensa).

 

Se cruzarmos os dados dos dois gráficos (é interessante fazer esse exercício), vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).

 

Por outro lado, neste milénio o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 2º ciclo. Ou seja, nos próximos sete a oito anos vamos necessitar de professores como nunca nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais ainda se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano. Ainda a partir deste gráfico concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 porque os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001.

 

Mas Nuno Crato está investido como secretário das finanças. Querem ver que depois de equacionar que os alunos do 3º ciclo passem para o politécnico também foi inspirado na passagem de alunos do final do 1º ciclo para o ensino profissional, digo dual, digo vocacional.

 

Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.

 

Educação: Ministro admite mais saídas de professores

 

 

 

a primeira página do público

16.11.12

 

 

 

 

 

Não quero ser injusto com outros grupos profissionais, mas é impossível escapar à realidade: os professores foram os escolhidos e em exclusividade.

 

Nas autarquias não se toca porque boys e caciques fazem sempre falta, nos militares também não porque há golpe de estado, nas fundações e observatórios é a ladainha do costume, na saúde assobiam para o lado à primeira greve, nas empresas públicas ou municipais (estas são incontáveis, valha-nos sei lá o quê) há muito emprego de aparelho e ficaria aqui o dia todo.

 

Os professores e as escolas são a projecção do ciúme social da nação e de Sócrates a Passos, passando por Gaspar, Portas, Santos, Rodrigues, Relvas, Alçada e Crato, o jogo é fácil de fazer. O que ainda custa mais é ver professores a fazerem esse jogo porque desta vez são os da sua cor que dão as cartas do mesmo baralho. Já ontem tinha referido a eliminação de professores que o Público chama hoje à primeira página.