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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

as transições ideológicas

12.11.12

 

 

 

 

 

 

liberalismo defende a hegemonia do indivíduo contra as intromissões coercivas do Estado. Esta filosofia política fundamenta-se na defesa da liberdade individual nos domínios político, religioso, intelectual e económico e na não ingerência no direito de propriedade privada.

 

O liberalismo tem sido reivindicado pelas forças políticas de direita e os prefixos neo ou ultra advogam uma melhor redistribuição da riqueza por parte das empresas de grande produção financeira que se consideram mais aptas para a responsabilidade social do que os Estados. Os offshores e a desregulação dos mercados nasceram neste espírito e têm os resultados que se conhecem.

 

O triunfo industrial da China do partido único a das nacionalizações contraria a hegemonia destas correntes e a ajuda do Norte ao Sul iniciada com a globalização nas últimas décadas do século passado acentuou-a. O advento do comércio livre transferiu para os países emergentes a industria dos países da Europa do sul, com saliência para os têxteis, para a cerâmica e para as tecnologias de massas, e protegeu a das nações do centro e do norte do velho continente e de uma parte dos EUA.

 

Os supostos liberais europeus no poder têm de refrear desesperadamente o consumo de produtos dos emergentes e alargar a produção das industrias sobrantes (automóveis e afins e quiçá da tecnologia que se adivinha). Essa austeridade empobrece e transporta a fome e o desemprego e exige a colectivização através do aumento dos impostos. No auge das contradições ideológicas, o dinheiro dos mais pobres é entregue aos satélites do Estado através das organizações de solidariedade social ou por mecanismos como a TSU.

 

É neste quadro que surgem propostas como bancos de fomento que mais não são do que familiares dos generosos bancos dos pobres. Estas ideias nascem por parte de forças políticas de esquerda que tentam sobreviver no quadro desenhado e que tentam que a globalização comandada por liberais em transição ideológica não nivele as vítimas da sua guloseima com resultados tão catastróficos como os perpetrados por outras utopias igualmente absurdas.

 

a auto-estima, oito anos depois

12.11.12

 

 

 

 

 

 

A agenda mediática do fim-de-semana foi marcada pelo vídeo supervisionado por Marcelo Rebelo de Sousa. O conteúdo eleva a nossa auto-estima e põe em sentido o resto da Europa.

 

Estas epifanias são cíclicas. Lembro-me de um pico semelhante em 2004 que foi o ano em que comecei este blogue. Receei que não tivesse registado o momento, mas não. Em 27 de Maio de 2004 escrevi assim e os resultados são conhecidos no presente (é muito interessante a plêiade de especialistas):

 

 

"Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos

 

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

 

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha."

actualidade

12.11.12

 

 

 

 

A situação europeia, e mais propriamente o poder alemão, está a criar um clima de nervosismo e de forte contestação. Os denominados intelectuais dividem-se e há mesmo alguns que não alinham naquilo a que chamam de histerismo-dos-derrotados-da-vida.

 

É sempre bom ir aos clássicos e socorri-me de uma passagem do "Em busca do tempo perdido" de Marcel Proust:

 

"“Parece que certas realidades transcendentes emitem em torno de si radiações a que a multidão é sensível. É assim que, por exemplo, quando se dá um acontecimento, quando na fronteira está um exército em perigo ou derrotado, ou vitorioso, as notícias bastante nebulosas que dele chegam e de que o homem culto não sabe retirar grande coisa, provocam na multidão uma emoção que o surpreende e na qual, depois de os especialistas o terem posto ao corrente de verdadeira situação militar, ele reconhece a percepção pelo povo daquela “aura” que rodeia os grande acontecimentos e que pode ser visível a centenas de quilómetros”".