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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

mas que grande chatice

09.11.12

 

 

 

 

 

Se alguém defender que a miscigenação e a democracia são sinais de progresso e que o mesmo se deve aplicar ao sistema escolar, é imediatamente "engavetado" como radical livre e perigoso. Então se disser que a escolha da escola acentua a segregação social e favorece o abandono escolar (mais ainda numa sociedade fraca como a nossa e marcada pelas desigualdades) passa para a gaveta dos corporativos e dos culpados pelas tempestades e furacões.

 

Há tempos esteve por cá uma dirigente sueca numa conferência da liberdade de escolha da escola. Retratou o processo no seu país, que foi decretado na década de noventa do século passado, e concluiu (e estamos a falar duma sociedade que eliminou o analfabetismo no século XIX): aumentou a segregação e pioraram os resultados. Constatou-se a desilusão dos nossos descomplexados competitivos e os suecos estão a mudar de caminho.

 

Ontem aconteceu algo de semelhante:


"(...)a reacção de Margaret Raymond quando lhe disse a dimensão das nossas “unidades de gestão” em Educação. Quando lhe disse que íamos em “unidades” bem acima dos mil alunos, com escolas bem distantes do centro de decisão, o espanto foi evidente pois tinha acabado de dizer que a dimensão das melhores charter schools de Nova York andam pelos 560 alunos. O conselho dela foi, e cito, para que as serrássemos ( to saw).(...)".

 

E mais ainda:


"(...)O respeito que na Holanda se tem pela Constituição e pelas suas opções, com 100 anos, em particular no que se refere à Educação. São opções diferentes das nossas mas a atitude é interessante pois consideram-se erradas as tentativas para a alterar apenas por motivos ideológicos.(...)".

 

Realmente os ventos começam a soprar em sentido contrário aos que não se cansam de acusar uma boa parte dos professores portugueses de corporativos e radicais. Talvez não contassem que o conhecimento do terreno também fosse bem fundamentado. Só lhes resta, como de costume, mudar o azimute das cópias: norte-americanos, suecos e holandeses são perigosos agitadores e os exemplos a seguir serão agora os alemães e não tarda os chineses.

29 milhões como pano de um fundo esquisito

09.11.12

 

 

 

 

Somando nos orçamentos de 2012 e de 2013, o MEC inscreve cerca de 29 milhões de euros para estudos e pareceres. Considerando os brutais cortes em curso, é uma decisão que nos deixa perplexos. Onde está a retórica implosiva de Nuno Crato?

 

Percebe-se que boa parte desse despesismo está a ser consumido nas "alterações" no ensino profissional e num apressado relatório que tentará contrariar o último do tribunal de contas.

 

Nuno Crato propõe que se transfira o ensino profissional do ensino secundário para os politécnicos. É mais uma perplexidade. O discurso de "rigor" que tanto criticou as "novas oportunidades", consegue que os alunos passem do 3º ciclo para o superior e que se faça mais uma terraplenagem no esforço financeiro realizado nas escolas secundárias. É uma "obra" que começa a evidenciar a defesa de mais lobbies poderosos como pode ler nos linques que vou indicar.

 

Como ponto de passagem, colo uma parte do último post de Santana Castilho, "Ai aguentamos, aguentamos! Resta saber até quando?":

 

“Cruze-se isto com a razia dos despedimentos, a proletarização da classe docente e o retrocesso dos conceitos educativos e, generosamente, há uma palavra que serve: obsceno! 
(…) cinco chefes de gabinete, mais 14 adjuntos, mais 12 especialistas, mais nove secretárias pessoais (só o ministro tem três), mais 26 “administrativos”, mais 12 “auxiliares” e mais 13 motoristas (só o ministro tem quatro). Tudo somado, estamos a falar de 218 mil, 446 euros e 51 cêntimos por mês ou, se preferirem, dois milhões, 621 mil, 358 euros e 12 cêntimos por ano. E, cereja em cima do bolo, os especialistas e os especialistas dos especialistas não chegam. Para superespecialistas, isto é, para pagar estudos e pareceres encomendados fora do ministério, a privados amigos, Nuno Crato teve, em 2012, 16 milhões, 277 mil, 778 euros. Sim: um milhão, 356 mil, 481 euros e 50 cêntimos por mês. E vai ter, em 2013, 12 milhões, 863 mil, 945 euros, isto é, um milhão, 71 mil, 995 euros e 42 cêntimos por mês. Para estudos e pareceres que os especialistas e os especialistas dos especialistas, mais a parafernália administrativa do mais mastodôntico ministério da República apenas teriam que ir buscar à gaveta. Porque está tudo estudado e “parecido”. “

 

 

Aconselho então dois posts fundamentais do Paulo Guinote.

 

Já Se Percebeu Bem Para Que Servem Os Grupos De Trabalho, Estudos E Pareceres

Uma Certa E Determinada (Total) Falta De Vergonha