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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

enigma

08.11.12

 

 

 

 

 

Pouco depois da explosão da bolha imobiliária de 2008 o Governo português, que afirmava o controle orçamental, lançou um dispendioso e apressado programa de obras públicas que incluiu a "festa" da parque-escolar-sa e foi apoiado, e incentivado, pela comissão europeia e pela Alemanha (com quem tinha boas relações, de resto)

 

No ano seguinte, e em plena campanha eleitoral, aumentou os funcionário públicos e gostava de saber se o poder central europeu discordou.

 

Fiquei perplexo com as duas decisões.

 

Pareceu-me que só podia acabar em tragédia e foi nessa altura que percebi a inevitabilidade da bancarrota. Ao buraco bancário acrescentámos a derrapagem das contas do Estado.

 

É, portanto, um enigma que a austeridade em curso no sul da Europa seja perpetrada pelo mesmo centralismo como se tivessem chegado em 2010.

 

 

até o FMI

08.11.12

 

 

 

 

Há dias escrevi assim: "(...)A presente troika tem três braços e cada vez são em maior número os que consideram que o FMI até é a coisa mais à esquerda. A comissão europeia tem o chefe que se sabe e o banco central europeu não é um enigma ideológico. Pelo que vou percebendo, o FMI é uma espécie de paquiderme com um histórico de falhanços graves e que deve sorrir ou encolher os ombros com as coreografias dos nossos tacticistas que disseram claramente ao que vinham: passar o negócio do estado social para as empresas que os suportam com a força dos dois braços extremamente direitos.(...)"



Já restam poucas dúvidas que alguma coisa tem de mudar e que existe uma carga ideológica na presnte austeridade.

 

FMI diz que austeridade europeia pode ter limites políticos


"(...)O FMI defende que há risco dos países europeus que pediram ajuda não conseguirem cumprir as reformas de ajustamento e que a austeridade pode ter "limites políticos"(...)"


da democracia mediatizada

08.11.12

 

 

 

 

Estou muito à vontade para escrever o seguinte: na nossa democracia mediatizada uma declaração do BE, PCP, CGTP e FENPROF é imediatamente desvalorizada por preconceito histórico e ideológico. Pelo contrário, uma afirmação proveniente do CDS, PPD, FLE, CIP, banca em geral ou por radicais de direita é imediatamente escutada. É pena. A democracia e o país têm sofrido demasiado com tanta falta de "atenção".

 

Já escrevi vezes demais que o último relatório do tribunal de contas, e na polémica custo médio por aluno, é datado a 2009 (o que desfavorece as escolas do Estado tal os cortes entretanto verificados e sublinhados no próprio relatório) e tem reconhecidamente muitas variáveis por estudar. Temos assistido a uma  manipulação das conclusões por parte dos indefectíveis, que são cada vez em menor número até no Governo e a começar por Passos Coelho, da actual maioria.

 

É importante ler o comunicado da FENPROF sobre o assunto e refutar se for caso disso.

 

Custo de aluno no ensino público é menor que no privado

 

"Comunicado.

(...)Conscientes da dificuldade que é levar os portugueses a abrirem mão de um bem essencial como a Escola Pública, o PSD (ainda oposição) levou a Assembleia da República a pedir ao Tribunal de Contas (TC) um estudo sobre o custo médio dos alunos no ensino privado e no público para poder justificar as suas opções políticas. O TC fez esse estudo e, concluído, entre outras recomendações ao governo, apontou para a adoção da seguinte medida: “Ponderar a necessidade de manutenção dos contratos de associação no âmbito da organização da rede escolar.”

A esta recomendação não foi alheio o facto de se ter apurado que o custo médio por aluno nas escolas públicas (em 2009/2010, ano do estudo) foi de 4.415 euros, enquanto nos colégios privados com contrato de associação foi de 4.522 euros. Ou seja, mais 107 euros!(...)

Confrontados com os números, os arautos da privatização – da FLE à direita política que, também nesta matéria, tem muitos aliados nos “comentadores de serviço” – depressa começaram a afirmar, repetindo até à exaustão para que parecesse verdade, que os alunos, no ensino público, têm um custo mais elevado do que no ensino privado”(...)Poderia até ter acontecido que, nestas contas, o custo médio do aluno do ensino público fosse mais elevado, pois a realidade que foi tida em conta para as escolas públicas é significativamente diferente da que existe nos colégios privados. 

De acordo com o documento do TC, os estabelecimentos públicos de ensino incluíram as escolas profissionais (mais dispendiosas e em muito maior número do que no privado, em que apenas se consideram as que têm contrato de associação). Foram ainda consideradas, na lista de estabelecimentos de ensino público e nos custos dos seus alunos, as escolas de ensino artístico especializado que disponibilizam ensino integrado (em que o custo do aluno chega a ultrapassar os 40.000 euros, como acontece com alunos dos conservatórios) e o ensino recorrente e de dupla certificação. São ainda consideradas respostas específicas como a Educação Especial, o PIEF, os PCA, o Programa TEIP e o PMSE. 

Entram igualmente em consideração os cursos EFA, a FM, o processo RVCC e a educação extraescolar. Como todos sabem, estas respostas são, por norma, mais dispendiosas (turmas de menor dimensão, recursos materiais acrescidos…), são por norma (algumas, até, exclusivamente) dadas pelas escolas públicas e, no entanto, nem por isso o custo médio do aluno no ensino público sobe acima do custo no privado. Isso é extraordinário, de facto, ainda que não satisfaça os que tomaram a iniciativa de pedir este estudo!(...)

DUAS NOTAS FINAIS:

1.
São estes colégios privados, sobretudo os que têm contrato de associação, que, apesar de receberem muito dinheiro do Estado, violam sistematicamente as leis laborais, impondo horários ilegais, pagando abaixo das tabelas estabelecidas e despedindo professores.

2.
O MEC publicitou em Diário da República (31 de outubro de 2012), depois das denúncias feitas pela FENPROF, a informação sobre as verbas transferidas para os colégios no primeiro semestre de 2012. Faltam 2010 e 2011. que lhes aconteceu? Perderam-se os documentos?

O Secretariado Nacional da FENPROF
4/11/2012"

em que é que ficamos?

08.11.12

 

 

 

 

 

De acordo com o presidente da Siemens Portugal, a chanceler Merkel vem também em busca de 60.000 jovens engenheiros portugueses (o número parece que subiu para 100.000 e pode chegar aos 200.000) e vai começar por oferecer uns estágios. Ou seja, dá ideia que a poderosa Alemanha tem graves insuficiências no seu sistema escolar e espera-se que não seja por causa do algo desacreditado sistema dual precoce. A desistência associada ao pragmatismo paga-se sempre e a um preço elevado.

 

O referido presidente da Siemens está muito bem relacionado com o actual Governo e com a realidade alemã. Também o ouvi dissertar à volta das áreas estratégicas para o nosso país e que implicam um reforço do ensino superior.

 

Nos últimos tempos tem existido uma forte polémica a propósito das ideias sobre ensino dual ou vocacional do actual Governo e dos seus satélites. Já se percebeu que está, naturalmente, instalada a confusão: juntar membros do Tea Party com neoliberais, passando por social-democratas, descomplexados competitivos, adoradores de vento e maurrasianistas, não pode dar bom resultado.

 

E depois há sempre os bicos de pés que não resistem e lançam ruído. Quando se avancou com a ideia do dual aos 10 anos e depois aos 13 estragou-se a atmosfera. Quem conhece o terreno sabe que em Portugal há demasiados alunos nessas idades que necessitam de um currículo adaptado e que o nosso grande desafio está a montante da escola; na sociedade, portanto. Enquanto não atenuarmos o empobrecimento, o sistema escolar enfrentará ciclicamente os mesmos problemas. Precisamos de ter um olho no presente, mas não podemos suprimir o futuro. Quando um dos secretários de Estado da economia escreve o que pode ler a seguir é caso para perguntarmos: em que é que ficamos? A proposta portuguesa de ensino dual e vocacional é para o ensino secundário ou é também para os graus anteriores da escolaridade?

 

"(...)No âmbito do ensino e formação profissional de jovens, está a ser desenvolvido um investimento público muito significativo na aprendizagem dual. Esta via de ensino e formação, equivalente ao ensino secundário regular ou profissional, tem como grande ponto de diferenciação a relevância atribuída à formação prática em contexto de trabalho. Efetivamente, no âmbito dos cursos de aprendizagem, cerca de 40% do tempo de formação dos jovens é desenvolvido nas empresas, consolidando, complementando e aprofundando os conhecimentos de cariz socioculturais, científicos e tecnológicos adquiridos na dimensão mais académica da formação. Simultaneamente, este investimento permite às empresas conhecer e desenvolver melhor o potencial de cada formando, facilitando eventuais processos de recrutamento futuros e de integração através de um vínculo laboral aquando da conclusão da formação.(...)"