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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dinheiros públicos, vícios privados - corrupção na educação

30.11.12

 

 

Passei pela TVI generalista e dei com um anúncio para um programa de grande investigação denominado de "Repórter TVI", a passar segunda-feira à noite (jornal das 20h00), que envolve o Grupo GPS e tem depoimentos de professores do movimento "Em defesa da escola pública no Oeste".

 

O mote é o mais ou menos o seguinte: "Dinheiros públicos, vícios privados: corrupção na Educação".

descoordenação?

30.11.12

 

 

 

Vi um jornalista do jornal I acusar de descoordenação a acção mediática do Governo, nos últimos dias, em matéria de Educação.

 

Não me parece que descoordenação seja a classificação ajustada: prefiro os que optam por designar como desesperada a acção de alguns assessores do primeiro-ministro, e do representante do CDS nas pastas governativas do MEC, que esperavam que os últimos estudos e relatórios dessem resultados favoráveis aos seus preconceitos recheados de desconhecimento e aos interesses privados.

 

Como não foi assim, talvez Nuno Crato não consiga disfarçar a tal "desautorização" ao primeiro-ministro. É um processo para seguir atentamente.

propinas no secundário

29.11.12

 

 

 

 

Passos Coelho terá dito, ontem à TVI, que vai implementar um co-pagamento (um eufemismo para o substantivo propinas) no ensino secundário. Ouvi a pergunta, nesse sentido, de José Alberto Carvalho, mas a resposta escapou-me. O que ouvi foi Passos Coelho afirmar que o sector privado já se ajustou e que o público não. Esta enormidade só se pode justificar por radicalismo ideológico.

 

Compreendo a indignação com as propinas no secundário. As pessoas intuem a realidade. Com a chegada de Passos Coelho ao poder, a agenda de privatização tout court ganhou um alento inédito reforçado pelo sentimento da derradeira oportunidade.

 

E por que é pessoas informadas na actual maioria estão tão desesperadas?

 

Em primeiro lugar, porque os últimos estudos e relatórios não ajudam os seus propósitos como esperavam. O derradeiro, encomendado pelo MEC, apresenta, de forma resumida, os seguintes números para o investimento médio por turma: 70000 euros nos 2º e 3º ciclos do ensino básico e 89000 euros no ensino secundário (apura-se um valor médio de 76000 euros) nas escolas do Estado e 85000 euros nas escolas cooperativas.

 

Este estudo tem um relatório com os números apresentados. Foi, depois, feita uma adenda que incluiu outras variáveis independentes. Os valores nas escolas do estado subiram e o valor médio passou para 86000 euros.

 

Em segundo lugar, e se olharmos para a discussão em curso, percebe-se o desespero da maioria em propor propinas no ensino secundário. Já não têm espaço para mais supressões de disciplinas, não podem advogar as quatro dezenas para o número de alunos por turma ou aumentar o despedimento sem apelo de milhares de professores (são os que mais contribuem para que Passos e Gaspar andem pelo mundo a elogiar um modelo que cortou na despesa com funcionários públicos).

 

Para além disso, não conseguem refutar os que defendem uma poupança a custo zero: passar turmas das cooperativas de ensino para as escolas do Estado que têm salas de aula vazias e professores com horários zero. Qualquer que seja a posição de quem se move nesta área, começa a ser impossível o silêncio ensurdecedor.

das almas

29.11.12

 

 

 

 

Lembro-me duma entrevista a José Pinto dos Santos no canal um da RTP: "certo dia, numa reunião de um conselho de administração de uma grande empresa portuguesa digo, a propósito de uma proposta de outra pessoa - por sinal minha amiga -: isso não tem pés nem cabeça; deixou de me falar."

Queria o entrevistado ilustrar a ideia de que em Portugal é muito difícil discordar.

Recordei-me disso a propósito de uma outra coisa que li do Padre António Vieira, em "Sermão de São Francisco Xavier Dormindo", e que também não deixa de ser verdadeira quando as mesmas pessoas se cruzam em reuniões; em Portugal e no resto do mundo.


"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas acções, dos seus propósitos e dos seus desejos."

o que me preocupa?

29.11.12

 

 

 

 

Preocupa-me o radicalismo ideológico de Passos Coelho que ficou ontem bem patente na entrevista à TVI. Lembro-me sempre dos pensadores da mediatrix que se interrogam se nos tempos actuais podia ocorrer uma revolução de forma tão rápida que nem déssemos por ela (veremos como será a contra-revolução).

 

O primeiro-ministro continua convencido que vai criar um "mundo novo" e até me parece cada vez mais crente, apesar dos frequentes sinais de fuga quando o caminho se torna apertado (a evasão é sempre um boa maneira de dizer que não o deixaram trabalhar e de poder recolher louros qualquer que seja o futuro).

 

Como noutras circunstâncias históricas, estas personagens providenciais e purificadoras podem ter finais trágicos e deixarem atrás de si um rasto de terra queimada.

escusa

28.11.12

 

 

A avaliação de professores entrou no desmiolo conhecido. Já cansa mesmo. A única informação relevante é sobre o pedido de escusa por parte dos possíveis avaliadores. Concordo e ponto final.

 

Só faltava termos os sindicatos a pugnarem pela consideração das aulas observadas no desmiolo anterior e na enésima simplificação do inclassificável. É a tradicional resposta no universo-alpaca: contra minutas luta-se com minutas.

freakonomics (seis anos depois)

28.11.12

 

 

 

Faz cerca de seis anos que

publiquei parte deste post.







Steven Levitt é considerado uma mente brilhante, objectiva e inovadora no âmbito das ciências económicas norte-americanas. 

O seu livro “Freakonomics” está na berra. Li-o em duas tardes e gostei. Steven Levitt faz perguntas pouco“ académicas” e obtém resultados surpreendentes. A ideia de que a legalização do aborto contribuiu para a acentuada descida da criminalidade na sociedade norte-americana, deve ter deixado muita gente perplexa.

Achei interessante a história sobre o que motivou o descrédito da organização Ku Klux Klan. Stetson Kennedy, um lutador pelos direitos cívicos, infiltrou-se, a meio da década de 40 do século passado, no dito movimento para o estudar.

 

A sua primeira impressão foi curiosa: "“o Klan era uma organização com uma lamentável fraternidade entre homens, a maioria deles pouco instruídos e com perspectivas limitadas de vida, que sentiam a necessidade de um lugar onde se pudessem exprimir e afirmar - e de uma desculpa para não dormir em casa algumas noites -". 

Numa época, em que "todas" as crianças viam na televisão, antes do jantar, o Super-homem a combater Hitler e Mussolini, Stetson Kennedy convenceu os responsáveis pelo programa televisivo a centrar o combate no Ku Klux Klan.

 

Como Stetson Kennedy já tinha atingido a assembleia suprema da organização, passou aos programadores toda a terminologia da sociedade secreta incluindo as senhas e as contra senhas.

 

Um delírio. Já imaginaram o que era o avô chegar a casa e ver os netos a brincar aos polícias e ladrões com a utilização da verdadeira nomenclatura dos Klan? Foi a desmobilização rápida e acelerada. Só lendo. Steven Levitt agarra nesta história a propósito dos efeitos da sociedade da informação na economia. Tem outras histórias curiosas e bem fundamentadas. 

da blogosfera - verbiário volátil

28.11.12

 

 

 

Para uma ontologia paradoxal do corpo, por Eduardo Prado Coelho: introdução



Encontrará vários post, este é o primeiro, sobre uma célebre conferência sobre o corpo.


Os conferencistas foram Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.


Estive presente com a companhia do editor do blogue. Já dei nota, pelo menos aqui e aqui, desse dia inesquecível no auditório da Faculdade de Motricidade Humana.

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