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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

das memórias

26.10.12

 

 

 

 

 

 

 

 

(da ontogénese da humilhação à filogénese da implosão)

 

 

 

 

 

Tinha uns 12 anos e viajava com o meu pai numa estrada moçambicana fora dos centros urbanos. Estava um dia muito quente. Parámos numa "cantina" - áreas de serviço que eram propriedade de comerciantes portugueses (os metrôpoles) imbuídos do espírito colonial - e deparámos com uma dezena de homens de pele negra, nua e bem suada, à volta de uma mesa com uma bazuca - cerveja de litro e meio - no centro. Enquanto esperavam por uma qualquer refeição, o filho do comerciante, com uma idade igual à minha, atirava-lhes pão e repetia: "hoje é dia de festa".

 

O meu pai esteve em silêncio e à saída não se conteve: "serão os primeiros". Lá me explicou o que é que queria dizer com o desabafo. Anos depois, a revolta "legitimou" a tragédia e as áreas de serviço arderam, e em muitos casos, com os comerciantes lá dentro. Foi também assim noutros capítulos dessa revolução. A cor da pele era o primeiro critério implosivo para humilhações acumuladas durante séculos.

 

As sociedades actuais não se devem considerar livres da ontogénese da humilhação. O bodo aos pobres deixa marcas. Os pobres não têm vergonha (a condição não o permite, sequer) de se socorrem do que existe para afagarem a fomeÉ certo que o fazem, como também é de saber filogenético que um dia manifestarão em implosão social as sucessivas humilhações.

 

obviamente

26.10.12

é óbvio ou é apenas surpresa para os fanáticos ideológicos?

26.10.12

 

 

 

 

 

 

Tendo em consideração a precarização dos professores que a lógica cooperativa de ensino gosta de afirmar como ponto forte, é, no mínimo, estranho que o custo médio por aluno seja superior nestas instituições se comparado com as escolas públicas geridas pelo Estado e de acordo com o último relatório do Tribunal de Contas e com esta notícia ("num colégio financiado pelo Estado, um aluno custa mais 107 euros que numa escola pública") do Económico online.

 

Se considerarmos que o referido relatório diz que...

 

174. O custo médio por aluno nos estabelecimentos de educação e ensino do MEC ascende a 4.415,45€, sendo o custo médio relativo ao 1.º CEB de 2.771,97€ e o correspondente aos 2.º e 3.º CEB e ensino secundário de 4.921,44€.


175. De mencionar que o custo médio apurado, referente ao ano escolar de 2009/2010, não deve ser considerado para anos subsequentes, atendendo ao contexto de contenção da despesa pública que se verifica nos últimos anos e que terá impacto em apuramentos análogos, nomeadamente em resultado de:


a) Reduções salarias ocorridas em 2011;

b) Aplicação de um imposto extraordinário aos subsídios de Natal de 2011;

c) Suspensão dos subsídios de férias e de Natal em 2012;

d) Evolução do número de aposentações;

e) Reorganização da rede escolar determinada em junho de 2010;

f) Novas regras de organização curricular dos ensinos básicos e secundário;

g) Diminuição das situações e das horas de redução da componente letiva;

h) Aumento do número de alunos por turma;

i) Alteração à constituição dos agrupamentos (incluindo as escolas secundárias).

 

 

... há motivos mais do que esclarecedores para considerarmos a pertinência dos que denunciam a despesista privatização de lucros nestes graus de ensino numa lógica da pior PPP.

 

Se a massa salarial é apontada como despesa que incomoda, é incompreensível este estado de sítio e mais ainda nos concelhos onde as escolas do Estado estão sublotadas e com horários zero e têm de competir numa lógica de mercado com (ilegais) escolas das cooperativas de ensino.