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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

tem de cair (de e não que porque é uma necessidade e até uma obrigação)

21.10.12

 

 

 

 

 

Não sei se deve ser antes ou depois do orçamento e raciocino também por indução e a partir das epifanias e das más cópias (há sinais demasiado evidentes de desespero e de fim de festa que são sempre os mais perigosos para a democracia) que contaminam o MEC: este Governo tem de cair e até os próprios o advogam.

 

Quando escrevi isto no tempo de José Sócrates, muita gente de esquerda acusou-me de estar a favorecer a direita. Sempre disse que não votaria nos partidos da AD e que isso era independente da queda do Governo. Um Governo mau tem de sair e no caso em apreço a corrupção até é um dado desprezível. Que se esgotem os mecanismos existentes ou então o povo que decida. Se o próximo Governo for do mesmo calibre não poderá ter outro caminho.

 

O que me parece perigosíssimo para a democracia é um Governo do bloco central. O seu insucesso pode dar lugar a um populismo tão nefasto como foi o cavaquismo na década de oitenta (está comprovado o que acabei de escrever; "saímos" do aperto FMI e do bloco central porque de seguida se imprimiram toneladas de dinheiro).

o que estamos a pagar e onde querem cortar

21.10.12

 

 

 

O título é do jornalista Daniel Oliveira para a seguinte crónica que publicou no expresso online:



"O economista Nuno Moniz fez um excelente exercício. Criou uma aplicação em que as pessoas podem colocar os seus rendimentos anuais e ficam a saber quanto vão pagar (isto sem deduções) e para onde vai o seu dinheiro. O exercício é pedagógico. Porque diz onde estão as famosas "gorduras" que se querem cortar. E porque diz para onde vão os nossos impostos em despesas em que não quer tocar.

 

Fiz o exercício com um casal com dois filhos que receba 24 mil euros por ano. Ou seja, mil euros brutos por mês cada um. O agregado paga 5,7 mil euros de impostos. 472 euros por mês. 69 euros vão para a saúde. 61 euros vão para a educação. Até agora, é dinheiro bem empregue. 78 euros vão para a segurança social, quase tudo para as transferências do Estado. 18 euros vão para a defesa e outros 18 vão para a segurança. 10 euros vão para a justiça. Um euro vai para a cultura, esse sorvedouro de dinheiro que os ultras do regime abominam. Um euro vai para a habitação. 19 euros vão para as autarquias. Já agora: 60 cêntimos vão para a Assembleia da República. Talvez ajude a refrear um pouco o populismo.

 

A maior rubrica é a das Finanças: 180 euros por mês. Mais de 11 euros vão para as PPP's. Mas o que realmente sai caro é isto: 64 euros vão para os juros da dívida. Ou seja, dos 472 euros de impostos, mais de 60 vão para pagar juros a bancos. Não é a dívida, entenda-se. As famílias pagam o mesmo em juros do que pagam, por exemplo, para garantir educação gratuita para os seus filhos. E esta é a única parte dos seus impostos em que a direita no governo e a que o contesta não está disposta a mexer.

 

Quando lhe falam em cortes na despesa, é sobretudo na educação, saúde e segurança social de que estão a falar. Aquelas em que seguramente o nosso dinheiro deveria ser mais útil. Ou um casal com dois filhos e dois mil euros por mês acha excessivo pagar 130 euros por educação e saúde? Algum privado, apesar de toda a lenga-lenga sobre a liberdade de escolha, o garante a este preço? Este é o Estado que eles querem emagrecer. Porque, dizem, é incomportável. E há a parte da despesa em que não querem tocar: os mais de 64 euros por mês para os juros da dívida. A mesada que damos a quem, diz-se por aí, nos resgata. Tudo é negociável. Nenhum compromisso, a começar pelos compromissos sociais, vale nada. Mas estes juros são, para esta gente, inegociáveis. Está ou não está tudo de pernas para o ar?"