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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

6 de outubro, pelas caldas - autonomia/centralismo

08.10.12

 

 

 

 

 

Da esquerda para a direita: Rui Correia, Paulo Guinote e José Alberto Rodrigues

 

 

 

O último debate, sobre autonomia e centralismo, foi moderado pelo Paulo Guinote (do blogue "A educação do meu umbigo" que já dispensa apresentações e adjectivações) e teve como convidados o José Alberto Rodrigues (APEVT) e o Rui Correia (do blogue "Postal - um verbário").

 

 

O Paulo Guinote começou por sublinhar a ideia que definimos no planeamento dos debates: o tema autonomia e centralismo serviria como uma espécie de "guarda-chuva" ou de "carro vassoura" uma vez que, e como se verificou, o tema é, a par do "modelo de gestão", transversal aos restantes.

 

Fez a seguinte categorização sobre a linha editorial dos blogues que deram corpo à iniciativa: o Ad Duo, o Blog DeAr Lindo e o Profslusos prestam um enorme serviço de utilidade pública que substitui uma função que estaria destinada ao MEC e aos sindicatos do sector; o Correntes e de alguma forma o Educar a Educação são blogues mais vocacionados para a opinião e para a síntese das políticas educativas; e o seu blogue tem tido os dois tipos de funções descritas, embora ultimamente se tenha dedicado mais à segunda.

 

A propósito do tema em debate, recordou Natércio Afonso e a conclusão a que chegou este investigador sobre a autonomia das escolas: surgiu para tirar o poder aos professores, resulta da desconfiança em relação a estes profissionais e concretizou-se com a eufemística entrada da comunidade na escolas. Os resultados parecem indicar que estamos na presença de verdadeiros mini-MECs, dando exemplos que foram das reconfigurações do currículo aos constrangimentos administrativos e financeiros. O Paulo Guinote desconstruiu de forma incisiva a ideia atentatória de medir os horários dos professores ao minuto.

 

O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, não pode estar presente e pediu ao Paulo Guinote para ler um texto com, entre outros assuntos e se bem me recordo, críticas muito incisivas ao estado da educação especial. Enfatizou a sua posição ao interrogar-se a propósito dos programas individuais dos alunos da educação especial serem estabelecidos centralmente.

 

O Paulo Guinote relatou ainda o seguinte pormenor elucidativo dos tempos que temos vivido nos últimos anos: o telefonema de uma jornalista, e a propósito de um post do seu blogue, permitiu que uma escola vazia, e prestes a inaugurar, fosse imediatamente equipada.

 

 

O José Alberto Rodrigues centrou a sua intervenção na extinção da disciplina de educação visual e tecnológica. Historiou com detalhe o desempenho da sua associação e relatou pormenores caricatos da relação estabelecida com o MEC e com o poder político. O processo das metas curriculares atingiu, na sua opinião, o auge do estado de sítio curricular e organizacional. Vincou a ideia de não desistência.

 

 

O Rui Correia pegou "na bandeira do avesso" dos últimos dias e relacionou-a com o desnorte do tempo democrático de curto prazo: a opinião pública e o excesso de simbologia. Fez uma analogia humorada entre o cartaz destes debates (acrescento um obrigado ao autor do cartaz: Maurício Pereira) e a autonomia, uma vez que a mão de uma criança parece impedir uma outra mão, de unhas impecavelmente envernizadas, de usar o rato do computador.

 

O Rui Correia, e a propósito do tema, deixou a seguinte garantia: o próximo Governo vai mudar tudo e o que seguirá também. Fez uma análise aos últimos testes PISA que revelam uma preocupante iliteracia em toda a Europa (e mais do que isso, o que se verifica, na sua opinião, é o abandono escolar dos professores).

 

Foi crítico da generalizada insensibilidade social. Advogou um papel importante dos blogues no combate a essa actualidade, afirmando que podem ajudar a atenuar o flagelo da fome, promover a resistência ao medo e estimular a segurança. Foi mesmo enfático quando considerou que muitos blogues têm feito esse papel. Alertou para o facto da inveja constranger a relação entre estes, e entre os blogues e os poderes formais.

 

Aconselhou a consulta deste texto da rede eurydice, onde se defende que a autonomia justifica uma legislação europeia no sentido de que a qualidade do ensino deve garantir a aproximação entre as pessoas.

 

Terminou a sua intervenção com um breve relato sobre a sua experiência junto de professores dirigentes escolares do resto da Europa. Disse que apenas em quatro países se elegia o director escolar e que os que não o faziam eram muito elogiosos para a legislação portuguesa anterior a 2008 no sentido de legitimar as lideranças escolares. Fez ainda um breve análise sobre os orçamentos participativos ao nível autárquico e sobre a extinção de freguesias. Disse que nunca houve uma reforma administrativa com as pessoas e "recomendou" a pílula do dia seguinte para o tratamento da legislação em Portugal.

 

 

Seguiu-se um debate muito interventivo. Voltou a sublinhar-se que destes debates não nascerá uma qualquer instituição, apesar da opinião contrária de alguns dos presentes.

para além da troika

08.10.12

 

 

 

 

 

Os professores, ao contrário das mentiras eleitorais de Passos Coelho e Paulo Portas, continuaram os escolhidos e foram os principais alvos dos "destemidos" para além da troika.

 

À medida que o tempo avança, vai-se percebendo a ligação muito pouco clara que liga estes dois políticos aos privados (há quem lhes chame, e com propriedade, encostados) do sistema escolar.

 


Professores portugueses são dos mais afectados pela crise na Europa

6 de outubro, pelas caldas - Gestão de Expectativas no Seio da Classe Docente e Da Burocracia à Desinformação na Educação

08.10.12

 

 

 

 

Da equerda para a direita: Ricardo Montes, Nuno Coelho, Luís Braga e Nuno Rolo.

 

 

 

Este debate foi moderado pelos editores de outros dois blogues que prestam um enorme serviço de utilidade pública (Ad Duo de Nuno Rolo e Abel Martins e o Profslusos do Ricardo Montes e do Nuno Coelho) e teve como convidado o Luís Braga do blogue "Visto da Província".

 

O Luís Braga, que é director do Agrupamento de escolas de Darque (TEIP), começou por descrever o quotidiano das tarefas de gestão em comunidades com grupos culturais minoritários. Desconstruiu o conceito de burocracia, pegou na origem etimológica da palavra e argumentou no sentido de que antes de se discutir a validade dos instrumentos científicos, importa saber o uso que lhes damos. Relacionou esta asserção com o tratamento burocrático através das tecnologias da informação. O Luís Braga gosta da expressão administração e aconselhou a leitura do texto de Vitorino Magalhães Godinho "Um rumo para a educação".

Ricardo Montes e o Nuno Coelho incidiram as suas intervenções na gestão de expectativas no seio da classe docente, onde encontram divergências. Salientaram a existência de interesses não convergentes em matérias que vão da distribuição de serviço docente à vinculação de professores contratados e passando pela progressão na carreira. Analisaram também alguns dos aspectos da vinculação extraordinária de professores debatidos durante o período da manhã e o Ricardo Montes considerou inadmissível que prevaleça o denominado factor C (cunha).
Nuno Rolo (também em nome do Abel Martins) evidenciou o espaço que o seu blogue preenche tendo em consideração a incompetência legislativa dos serviços do Ministério da Educação e Ciência. Demonstrou o que acabei de referir através da projecção de quadros e documentos que operacionalizam a legislação do sistema escolar e que o seu blogue publica com frequência. Ficou patente para quem assistiu à conferência o que há muito se tinha percebido: os bloggers têm que desconstruir a legislação produzida para se torne minimamente inteligível. 

à volta do debate das caldas

08.10.12

 

 

 

 

A Ana Sousa inseriu um comentário neste post sobre o debate de 6 de Outubro nas Caldas da Rainha que deve ser lido. A partir de 2003, e com o célebre algoritmo que "resolveu" os concursos de professores bloqueando a recuperação de vagas e deixando milhares de opositores mal colocados sem o saberem, o rol de injustiças não parou de aumentar. O secretário de Estado que deu início ao processo também tinha fama de ser um descomplexado competitivo. Descredibilizou de tal modo o sistema escolar, que os que se seguiram "reformariam" com uma ligeireza arrepiante; e a saga continua.

 

 

"A vinculação de professores é um dos temas que me suscitaria mais interesse no debate das Caldas, caso tivesse podido estar presente, como desejaria.

Embora adiante já que tenho interesse pessoal na questão, continuo a considerar descabida a existência de uma vinculação extraordinária em ano de concurso nacional de professores, uma vez que os efeitos práticos das duas situações se sentirão apenas no ano lectivo seguinte, ou seja, em 2013/2014 (a partir de Setembro).

Como os concursos nacionais costumavam ter início em Fevereiro/Março, a vinculação extraordinária, a existir em ano de concurso nacional, previsivelmente nessas ocasiões, como se prevê, será efetuada já muito perto da data do concurso e servirá somente para cumprir um ponto da agenda política desta governação de Nuno Crato, criando novas injustiças.

Há professores do quadro, como eu, que aguardam a oportunidade de concorrer para se aproximar das suas raízes familiares, das quais se afastaram há décadas, por opção pessoal é certo, para conseguirem estabilidade profissional e vaga de quadro. Alguns deles foram professores titulares e estiveram impedidos de concorrer durante uns anos. Se houver vinculação extraordinária, algumas vagas serão ocupadas por professores cuja graduação profissional será muito mais baixa, assim como a realidade das vagas existentes será sempre condicionada, já que alguns pretendem mudar-se sem que tal seja conhecido previamente.

Estou há 27 anos a 150 kms das minhas raízes, tendo criado o meu núcleo familiar e vivido uma nova vida em “terra de ninguém” para mim. Foi a minha opção pessoal, com certeza, mas neste momento, tendo a família regressado toda às origens para estudar ou trabalhar, encontro-me sozinha a 150 kms de todos os meus. Gostaria de, também eu, regressar às minhas origens e, vendo a oportunidade de o fazer em breve, não me parece justo que vá encontrar menos vagas disponíveis, por terem sido preenchidas por colegas muito abaixo de mim na carreira, na sequência de uma vinculação extraordinária que produzirá efeitos apenas na mesma ocasião em que o concurso nacional a que poderei ser opositora poderá produzir efeitos também. A própria vaga que deixarei onde me encontro não será equacionada para efeitos dessa vinculação extraordinária. Logo, essa vinculação extraordinária teria feito sentido muito mais cedo, ou se produzisse efeitos em momento ímpar. Assim, não passará de um capricho do MEC, lembrando o ditado: “Com papas e bolos se enganam os tolos” e gerando outras injustiças e desacertos.

Para além disto, questiono-me se, entre os próprios professores contratados a vincular, e conhecidos que têm sido os atropelos nas recentes colocações, não haverá também muitas irregularidades que carecem de rectificação urgente, só possível através de um concurso nacional sério."

bem lá do fundo

08.10.12

 

 

 

 

A forma como um país administra o território é determinante. O caso português é um exemplo do caos (estou a pesar bem) organizativo, do desleixo, da incúria e do desrespeito pelo bem comum.

 

Não admira que Miguel Relvas tenha ficado com as pastas da administração do território nas duas passagens da AD pelo Governo neste milénio. O que mais nos caracteriza ainda, é o facto de num momento de emergência como o que vivemos termos um primeiro-ministro com o perfil profissional que pode ler a seguir.

 

Empresa de que Passos foi gestor dominou fundo gerido por Relvas

 

A Tecnoforma, uma empresa de que Passos Coelho foi consultor e administrador, dominou por completo, na região Centro, um programa de formação profissional destinado a funcionários das autarquias que era tutelado por Miguel Relvas, então Secretário de Estado da Administração Local.