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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos papéis invertidos - cenas da nossa desorientação

01.10.12

 

 

 

 

 

 

 

O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública (SIADAP) reúne uma linguagem tão sedutora e bem-pensante como as que deram origem aos totalitarismos mais diversos. São cada vez mais os que classificam a meritocracia como uma impossibilidade de génese antidemocrática.

 

A desorientação instalou-se no SIADAP e só o faz de conta vai sobrevivendo apesar de degradar o clima das organizações públicas. Para que a comédia fosse verdadeiramente lusitana, só nos faltava um Governo a eliminar distinções por mérito para poupar e sindicatos a pugnar pelo continuação do desmiolo.

 

 

Eliminados artigos sobre a distinção por mérito na função pública

pandora (2)

01.10.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(O primeiro post Pandora é de 21 de Junho de 2010. Pareceu-me oportuno reeditar, e reescrever, quando a ideia de mega-agrupar recomeça a povoar as cabeças que ainda não se satisfizeram com a desgraça instituída. É até incrível como ainda se confunde mega-agrupar com combate ao despesismo ou melhoria na eficácia administrativa. É preciso muita impreparação para não se conseguir fazer melhor.)

 

 

 

A gestão escolar voltou naturalmente à superfície por causa dos mega-agrupamentos. Será mais um período sobreaquecido em que as pedras e os telhados sentirão o peso do tempo, a memória reavivar-se-á e os professores começarão mais uma espécie de ajuste de contas silencioso. É natural. Tem sido uma luta desgastante que deixou marcas profundas.

 

Muitos associam, e bem, o modelo de gestão inventado pelo PS aos mega-agrupamentos, apesar dos primeiros agrupamentos, as escolas básicas integradas, terem nascido no início da década de noventa do século XX como agrupamentos verticais. Instalaram-se escolas com segundo e terceiro ciclos que integraram uma, duas ou três escolas de primeiro ciclo. Tudo no mesmo edifício.

 

Os fundamentos da lógica empresarial aplicados à escola-organização são desfavoráveis à ideia de agrupamentos dispersos no espaço geográfico e em qualquer das diversas imagens que uma escola pode assumir: empresa, burocracia, democracia, arena política, anarquia ou cultura. Até a tão propalada cultura empresarial de escola não se afirma sem ser na relação de proximidade estabelecida no mesmo espaço físico. Foi também isso que fez de algumas escola básicas integradas casos singulares e de referência.

 

Há outras formas de reduzir despesa como se defende aqui sem recorrer aos problemas em curso. A ideia que se persegue nesta fase descaracteriza qualquer escola. Mais ainda numa época de quase mercado. Pior ainda se assente num modelo de gestão que retira a democracia da escola.

 

São estes os fundamentos. Aceita-se a discussão. Tem sido denunciado o oportunismo de quem só agora vem clamar por justiça. Foram avisados, há uns quatro anos, que estavam a abrir uma caixa de Pandora.

9792

01.10.12

 

 

 

De acordo com os números sempre fiáveis do Arlindo Ferreira, o maior despedimento colectivo da História de Portugal já regista menos 9792 contratações de professores do que no ano passado. O dobro do anunciado por Nuno Crato na semana passada e podemos prever a evolução da coisa (ou do coiso). Mas vamos deixar que a verdade venha naturalmente à superfície.

 

Os cortes e achamentos do actual Governo continuam a afundar as escolas públicas. Para além do aumento do número de alunos por turma, das desmioladas agregações de escolas e da nova estrutura curricular, temos agora um intercâmbio com o IEFP a tentar impor uma lógica disfarçada, e de médio prazo, de recibo-verde-descartável. Neste último assunto, até começa a ser risível a forma com estes pouco fundamentados críticos das novas oportunidades (porque há quem criticou com fundamento) andam aos papéis com os milhares de alunos que estão de braços cruzados.

10, sempre as 10

01.10.12

 

 

 

Estava, ontem, a tomar um café e a ler o Público e não conseguia deixar de ouvir a conversa animada na mesa do lado. A esplanada estava cheia e os quatro "vizinhos", dois homens e duas mulheres, falavam da conferência algarvia em que António Borges classificou de ignorantes os empresários anti-TSU e em que Relvas mostrou preocupação com o crédito dos políticos europeus (um comentário noutro post confirmou esta afirmação).

 

Um dos masculinos tecia laudos à estratégia mediática dos dois políticos. Dizia que as suas comunicações foram seguidas por um impressionante batalhão de jornalistas e que os ditos se gabaram de terem arranjado matéria tergiversadora para uma semana.

 

Nessa altura olhei bem para o contador da história e reconheci-o. Como vi a peça televisiva, dei conta que era um dos empresários, penso que famoso, que também debitou para as câmaras. Não me lembro do que disse.

 

Do que não me esqueço é das 10 estratégias de manipulação de Noam Chomsky e que volto a publicar.

 

"1- A estratégia da manipulação.

O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

2- Criar problemas e depois oferecer soluções.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da gradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A estratégia do diferido.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de baixa idade. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante.

6- Utilizar o aspecto emocional, muito mais que a reflexão.
 
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e por inactivar o sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controlo e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores".

8- Estimular o público a ser complacente na mediocridade.

Promover o público a achar que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.

9- Reforçar a revolta pela auto-culpabilidade.
 
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas (in)capacidades ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico e político, o individuo auto-desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmo se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado um crescente hiato entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem propiciado conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo se conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controlo maior e um grande poder sobre os indivíduos do que aquele que os indivíduos conseguem sobre si mesmos."