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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

3 anos depois e estamos no mesmo sítio

31.10.12

 

 







"Poucos economistas perceberam a emergência da crise actual, mas essa falha de previsão foi o menor dos problemas. O mais grave foi a cegueira da profissão face à possibilidade de existência de falhas catastróficas numa economia de mercado. O papel da economia perdeu-se porque os economistas, enquanto grupo, se deixaram ofuscar pela beleza e elegância vistosa da matemática. Porque os economistas da verdade caíram de amores pela antiga e idealizada visão de uma economia em que os indivíduos racionais interagem em mercados perfeitos, guiados por equações extravagantes. Infelizmente, esta visão romântica e idílica da economia levou a maioria dos economistas a ignorar que todas as coisas podem correr mal. Cegaram perante as limitações da racionalidade humana, que conduzem frequentemente às bolhas e aos embustes; aos problemas das instituições que funcionam mal; às imperfeições dos mercados - especialmente dos mercados financeiros - que podem fazer com que o sistema de exploração da economia se submeta a curto-circuitos repentinos, imprevisíveis; e aos perigos que surgem quando os reguladores não acreditam na regulação. Perante o problema tão humano das crises e depressões, os economistas precisam abandonar a solução, pura mas errada, de supor que todos são racionais e que os mercados trabalham perfeitamente."

 


Paul Krugman

New York Times

2 de Setembro de 2009

 

por explicar

31.10.12

 

 

 

 

Temos de acreditar que a teimosia ideológica não vai ao ponto de manipular as contas orçamentais.

 

Contudo, dá ideia que quem decide a esse nível (nas instâncias nacionais e internacionais) foi vacinado para o anti-sector público embora vá usufruindo das mordomias sem fim dos cofres estatais.

 

Se ler esta notícia...

 

"(...)Gastos sem salários sobem 18% na Defesa, Segurança e Diplomacia. O Negócios analisou a evolução da despesa de cada ministério sem os gastos com pessoal, com o objectivo de anular o impacto da reposição do subsídio de Natal dos funcionários públicos. Um exercício que revela um corte na Educação cinco vezes maior do que mostra o orçamento.(...)"

 

 ...ficará no mínimo com dúvidas sobre a concertarão à volta dos orçamentos de Estado e das respectivas dívidas.

só mesmo com um grande se

30.10.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vi o ontem o jurista Paulo Saragoça da Matta, numa entrevista a Mário Crespo, defender a avaliação dos juízes. Fiquei com a ideia que é também professor de magistrados e advogou a pontuação dos seus pares como um caminho inalienável para a meritocracia e para os ganhos de credibilidade junto da opinião pública. No entanto, Paulo Saragoça da Matta foi enfático num se: é tudo muito interessante se (e frisou bem o se, arrastando-o até) o processo for sério.

 

Assisti a discursos semelhantes por parte de professores que nunca iam à génese da meritocracia, e muito menos à aplicabilidade destes modelos pontuáveis e infernais, e se deixavam envolver pelo temor de enfrentar a linguagem sedutora e bem-pensante dos totalitarismos. Há, como sabemos, modos de mobilizar pessoas que não passam pela meritocracia, só que dão trabalho e requerem convicções democráticas e alguma exemplaridade e competência.

 

O Governo reiterou ontem a intenção de pontuar os juízes pelo número de processos judiciais concluídos como um caminho para "o desta vez é que vai ser". Já estamos cansados desta parábola circular que volta e meia abala os alicerces da democracia que tanto nos custa a construir.

 

Ainda há dias manifestei a esperança na queda livre do espírito SIADAP com o fim da contabilização do número de multas na avaliação dos fiscais da EMEL. Disseram os responsáveis que o modelo teve "efeitos perversos"; pois.

do custo médio ao aquecimento global

29.10.12

 

 

 

 

O oxigénio governativo com as jornadas parlamentares do fim-de-semana durou pouco tempo. Um deputado do CDS disse que votará contra o orçamento e Marcelo Rebelo de Sousa considerou a ideia de refundação um erro monumental.

 

O que parece não escapar à tal refundação é o sistema escolar. O ex-ministro Roberto Carneiro vem advogar a intenção, mas a notícia da Lusa parece um bocado baralhada. No parágrafo em que "(...)O antigo ministro da Educação chamou ainda a atenção para um relatório recente do Tribunal de Contas que mostrou que o custo por aluno é muito maior no ensino público do que no privado.(...)" o linque indicado é taxativo e contraria Roberto Carneiro:"(...)O custo médio por aluno nas escolas públicas estava, em 2009/2010, nos 4415 euros. Nos colégios com contratos de associação situava-se nos 4522 euros.(...)". É ainda estranho que o ex-ministro omita que o Tribunal de Contas considera o relatório desactualizado.

 

O indicador custo médio por aluno é interessante para se perceber o óbvio: os investimentos não caem do céu. Só quase isso. São tantas as variáveis independentes em estudo, que uma discussão séria num país avançado não devia cair neste jogo de interesses inconfessáveis e de lobbies. O sistema escolar merece mais e melhor.

da destruição

29.10.12

 

 


É difícil criar um emprego sustentável fora do sector público e era ainda mais meritório quando os empresários recorriam a capitais próprios. Nas últimas décadas, a banca assumiu cerca de 95% da capitalização e a responsabilidade diluiu-se. Os gestores conseguiram ser pagos a preços proibitivos e a sustentabilidade das empresas foi-se fazendo à custa da precariedade dos empregos. Dir-se-á que o crescimento demográfico assim o exigiu. Contudo, o que se comprova é que a ganância e a desregulação deram as mãos e criaram dívidas privadas que quase duplicaram as do sector público.

 

Os defensores da diluição da responsabilidade na sustentabilidade dos empregos foram derrotados. Resta-nos esperar que o modelo em curso seja ajustado sem que a tragédia faça lei.

 

Perto de 650 mil empregos destruídos em cinco anos

 

"A economia portuguesa terá destruído perto de 650 mil empregos em cinco anos, de 2008 a 2013. Deste total, 428 mil foram destruídos desde que o País pediu resgate."

no seu esplendor

29.10.12

 

 

 


Maria de Lurdes Rodrigues, a CEO da FLAD, disse à Agência Lusa, e a propósito da conferência "portugal e o holocausto - aprender com o passado, ensinar para o futuro", "(...)que o holocausto não deve ser matéria curricular(...)".

 

Quando penso nas causas que nos levaram à bancarrota, nunca me esqueço das nomeações deste género. A ex-ministra foi contemplada com a administração de uma das dez mais influentes organizações portuguesas no mundo depois duma passagem desastrosa pelo Governo e que o mainstream que vive na estratosfera das benesses ilimitadas não se cansa de aplaudir.

 

Maria de Lurdes Rodrigues tinha tanto de desconhecedora como de atrevida, como se sabe. No artigo que linquei tem algumas pérolas, com destaque para as seguintes afirmações: "(...)"não se deve ceder à tentação de transformar estas questões em matérias curriculares, devem ser tratadas no espaço de desenvolvimento da cidadania ou de projetos, de uma forma muito criativa e interdisciplinar, envolvendo os professores das áreas de Educação Tecnológica, História ou Geografia".(...)"

estranhas relações

28.10.12

 

 

 

A propósito do post, "O Lobby", do Paulo Guinote, em que se perecebe que um grupo de pessoas afectas às cooperativas de ensino "inundariam" o programa de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, fiquei atento à conversa com Judite de Sousa. E logo no início a questão foi abordada.

 

Já uma vez confessei por aqui que o célebre analista político nem sempre estuda, naturalmente, os assuntos, mas que não se coíbe de dar a sua opinião e não raramente inverte a intenção dos perguntadores; e confirmou-se.

 

Ao contrário da intenção do tal lobby, Marcelo Rebelo do Sousa afirmou que o custo por aluno é inferior nas escolas públicas se comparado com as cooperativas de ensino (nem sei se se enganou, mas foi o que afirmou), mas disse mais: nas escolas mesmo privadas, com pagamento de propinas, os custos são cerca de metade das escolas das cooperativas de ensino.

 

Para além de ter referido a polémica despesa da parque-escolar-sa e as diferenças regionais que o relatório do Tribunal de Contas evidencia, o comentador disse que oportunamente voltará ao assunto e Judite de Sousa acentuou essa necessidade com o seguinte sublinhado: é bom que se perceba para onde vai o dinheiro dos contribuintes.

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