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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

4 anos depois e a prosápia não tem remédio

29.09.12

 

 

 

 

 

António Borges era um dos gurus do subpraime (foi a escrita que escolhi para desdenhar do sub-prime) e em 2008 ainda dizia que não entraríamos em crise, que a tempestade era passageira e que os críticos eram uns pessimistas.

 

Aparece agora, como uma espécie de proprietário do Governo, a afirmar que só os "ignorantes" é que criticaram a TSU. Convenceu-se que a memória foi eliminada da sociedade portuguesa?

 

Há gente com desplante ilimitado.

 

A primeira notícia é de 2008 e a segunda de hoje.

 

 

Sub-prime é das melhores inovações dos últimos anos

 

António Borges classifica de "ignorantes" empresários que criticaram a TSU

fora cá dentro

29.09.12

 

 

 

Elegemos a ideia de singularidade, testámos o devir do ser qualquer e construímos o imaginário do insuperável. Não queremos um igual, precisamos do carácter universal do indivíduo e ansiamos pela descoberta da coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade por género, como se diz agora).

 

Existe a diversidade regional ditada pela geografia e pela história. Portugal é uma zona semi-periférica e tem as suas categorias: uma densidade inigualável de inhos e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos .

 

A utilização acentuada dos diminutivos (somos únicos no assunto) na nossa Educação tem de fazer efeito e pode dar maus resultados.

 

Somos uns adultos com egos elevados. Fui fazer umas pesquisas por ego-história convencido que era uma invenção nossa. Mas não: Freud, e o seu eu psicanalítico, influenciou meio-mundo.

 

Mas não desisto e passo a sentenciar: temos de ser os melhores do bairro. É uma alta competição generalizada. Reconhecer (que é diferente de anunciar) o sucesso alheio magoa. Parece que o mote é viver na alteridade.

 

Ai de quem se distinga, ai de quem faça bem aquilo que sempre se espera que corra mal, ai de quem fuja do lugar comum e não se pareça com a formatação estipulada pelo horizonte do nosso quarteirão. Portugal sofre de uma dilatação tal dos egos que o espaço público tornou-se uma impossibilidade e o exterior passou a ser o sítio oxigenado; a não ser que se consiga viver fora cá dentro ou que a queda-sem-fim nos garanta alguma redenção.




Já usei algumas ideias deste texto noutro post.