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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dos limites e da paciência

25.09.12

 

 

 

 

 

 

É arriscado escrever sobre as nossas circunstâncias e não aprecio exercícios exorbitantes. Mas um blogue é também um espaço onde transparece quem somos e onde é possível ir além da espuma dos dias.

 

Nos últimos dois meses tenho estado envolvido em dois turbilhões: a organização de um debate sobre políticas educativas e tudo o que o envolveu e umas coisas locais que parecem ter calendário marcado tal o grau de repetição ao longo dos anos.

 

Se no primeiro caso o que cansa um bocado é a tortuosidade e a desorientação de quem parece sobreviver com a marcação cerrada a tudo o que mexe (e abstenho-me de enumerar os casos sórdidos a que tenho assistido), no segundo é o tal mais do mesmo que reafirma o que escrevi há tempos: "(...)habitar numa Madeira-mesmo-que-de-terceira-divisão (divirto-me-qb com as perseguições várias que me fazem sentir como uma espécie de fantasma perturbador de sonos alheios)(...)"

 

E ainda no segundo domínio, disse hoje a um amigo: quando te disserem que vou para Marte, podes dizer que não sou dado a embarcar no curiosity.

 

da violência e do medo

25.09.12

 

 

 

Liguei a televisão para ver o telejornal da RTP1 e deparei-me com a violência em Espanha.

 

Se a violência gera violência, fico com a sensação que o medo tanto gera medo como a ausência dele e os dois comportamentos têm um resultado comum, que se agravará na relação directa com a acumulação: violência.

 

E depois, há sempre o risco definido por José Alberto Quaresma, no Expresso, sobre o medo:

 
 “O medo finge não ter medo da raiva em que o medo se pode metamorfosear. Em palavras obscenas de angústia, em bandeiras negras de cólera, em ovos que falham o alvo. Ou, esperemos que nunca, em balas como as que mataram o penúltimo rei ou o quarto presidente da República, o ditador Sidónio.

O medo pode levar a perder o medo. E o medo perdido incendeia cabeças perdidas. E as cabeças perdidas, em solitário ou em bandos radicais, metem mesmo muito medo.”

 

pele

25.09.12

 

 

 

 

 

 

 

 

E apetece-me citar Nietzsche: "assim como os ossos, a carne, os intestinos e os vasos sanguíneos estão encerrados numa pele que torna a visão do Homem suportável, também as agitações e as paixões da alma estão envolvidas pela vaidade; ela é a pele da alma".

 

 

 

Nietzsche, Friedrich, 

"Humano demasiado humano".

mais do que

25.09.12

 

 

 

“(...) mais do que partir de uma resposta preparada historicamente para todos os casos, mais do que fazer como se nada soubéssemos, que é a posição dos racionalistas, trata-se de agir com tudo o que possamos dispor “aqui e agora". (...)”.

 

 

Miranda, J. (1997:11). Política e modernidade.

Linguagem e violência na cultura contemporânea.

Lisboa: Edições Colibri


e se

25.09.12

 

 

 

E se os alemães tivessem as contas bancárias tão descontroladas como as portuguesas? E se quem os governa andar, há muito, aflito e em campanha eleitoral?

 

É bom colocar todas as hipóteses em cima da mesa para que a realidade não seja vista com palas nem preconceitos.

 

Neste exercício de imaginação, podemos acreditar que o financiamento que a UE e o FMI disponibilizarem a Portugal pode entrar e sair à velocidade da luz e com destino à depauperada banca alemã. Talvez seja por isso que alguns especialistas vão dizendo que a banca não está ao serviço da maioria das pessoas.

 

Há fortes suspeitas de que os bancos germânicos foram, pelo menos, tão desmiolados como no do sul da Europa e também se alimentaram dos gastadores compulsivos que se viciaram na privatização de lucros e na nacionalização de prejuízos. Há quem fale de corrupção ao estilo norte-americano. Pesquise por Joseph Stiglitz, por exemplo, que o prémio nobel dá a sua versão.

 

O único problema de toda esta coreografia é que o financiamento vai passando por solo lusitano e deixa um rasto de destruição em cima dos mesmos de sempre.

 

 

 

Já usei esta argumentação num post antigo,

mas é sempre conveniente recorrer às intemporalidades.