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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

era bom

18.09.12

 

 

 

 

Os concursos de professores por oferta de escola são um retrocesso civilizacional. Como somos uma sociedade civil fraca, o clientelismo (que é um factor fundamental para se compreender a bancarrota) agravou-se e há motivos legislativos que o explicam. Era bom que se encarasse de vez a influência que as alterações dos últimos anos provocaram na vida das escolas.

 

A notícia do Público tem detalhes que importa sublinhar.

 

Ministério investiga irregularidades na oferta de vagas para professores

"(...)A "oferta de escola" é um concurso local, mas este ano, pela primeira vez, foram estabelecidas regras que limitaram a liberdade de escolha dos directores, que nos últimos anos têm sido acusados de definirem critérios demasiado específicos e dirigidos a determinadas pessoas da sua preferência.

“Relativamente aos critérios que possam não estar de acordo com o que a legislação prevê, a inspecção está atenta e já visitou escolas no sentido de que essa situação não se verifique”,(...)

Nos blogues de educação têm vindo a multiplicar-se, no entanto, as denúncias de directores que alegadamente continuam a condicionar o concurso, colocando entre os subcritérios factores muito específicos, como ter dado aulas naquele exacto estabelecimento de ensino, ter trabalhado numa escola TEIP e ter dado aulas a alunos de língua estrangeira. Isto terá feito, alegam os queixosos, com que candidatos com uma graduação mais alta fossem ultrapassados pelos poucos que preenchiam os restantes requisitos.(...)

Os directores têm-se queixado de que este processo torna o processo demasiado burocrático e moroso."

obviamente que já não existem

18.09.12

 

 

 

O estado de sítio legislativo no sistema escolar é tal, que até procedimentos revogados continuam a infernizar o clima organizacional e a alimentar o faz de conta burocrático. É o caso dos revogados projectos curriculares de turma (PCT). Disse isso em Julho numa reunião de professores e quem lá estava surpreendeu-se. Voltei a fazê-lo no início do ano e ninguém sabia da revogação.

 

Se o legislador soubesse a influência negativa que os PCT´s desenvolvem, vangloriava-se com o feito e tinha os spins assoberbados. Como a revogação pode ter sido por distracção (imagino a resposta da equipa ministerial perante o facto consumado: "o que era isso?"), a comédia faz-se em actos sem fim.

 

O blogue Ad duo retrata bem a história:

 

"Os PCT, PCE e PCA ainda existem? Não. Apenas fazem parte da história. O Projeto Curricular de Agrupamento (PCA), o Projeto Curricular de Escola (PCE) e o Projeto Curricular de Turma (PCT) foram criados com o Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de janeiro, que estableceu a organização curricular do ensino básico. Com a publicação do Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho, que estabeleceu a nova reorganização curricular do ensino básico e secundário, os PCA, PCE e PCT deixaram de se constituir como documentos necessários à estratégia de concretização e desenvolvimento dos currículos. Para consolidar a informação que prestamos, basta confontar os números 3 e 4 do art.º 2.º do Decreto-Lei n.º 6/2001, de 18 de janeiro que institui os projetos curriculares com a nova redação do novo diploma e com a ausência de correspondênca dessas mesmas estratégias. É análoga a interpretação ao ensino Pré-escolar, cuja designação é Projeto Curricular de Grupo/Turma ou Projeto Curricular de Grupo."

da repartição

18.09.12

 

 

 

O grau de redundância afere a qualidade de uma cultura organizacional. A gestão da informação, como pilar fundamental, tem de considerar a repetição como a componente crítica a eliminar. Não há nada mais nefasto para o utilizador informado do que a inutilidade das tarefas.

 

São vários os exemplos que ilustram o baixo nível organizacional de uma escola: o encarregado de educação que disponibiliza o nome e o número de telefone no acto de matrícula e que sempre que participa numa reunião vê passar um papel onde é solicitada a inserção desses dados; o professor de educação especial que quando produz um documento público com um apoio educativo tem de digitalizar o nome do aluno; o professor director de turma que preenche os documentos inventados pela má burocracia (planos de recuperação ou projectos curriculares de turma, por exemplo) com repetição de dados que estão lançados numa qualquer base de dados. E podia ficar aqui o dia todo a apresentar exemplos. 

 

Um nome (de aluno, de encarregado de educação, de professor ou de funcionário) deve ser digitalizado apenas uma vez durante a sua permanência como  membro da organização. Deste simples exercício de avaliação pode retirar-se um mundo de conclusões.

 

 

 

(Parte deste texto foi publicado numa edição em 18 de Outubro de 2010)