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Correntes

em busca do pensamento livre

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as 11 respostas de passos coelho

13.09.12

 

 

 

 

O blogue ad duo lançou onze perguntas que devem ser feitas a Passos Coelho (hoje, RTP 1, 21h00). A Ana Sousa, com o contributo de um agente do CDS infiltrado no Conselho de Ministros, antecipou as onze respostas.


1. Por que disse, há um mês, que a crise terminava em 2013, quando agora se sabe que esse será um ano bastante pior?
R: Só posso garantir-lhe que os Serviços de Segurança já detiveram esse meu clone e, neste momento, as minhas comunicações ao país são sérias e fidedignas.

2. Por que não acredita no crescimento da economia?
R: Porque ainda não a plantei. Estou a aguardar pelo próximo Dia da Árvore.

3. Vai conseguir ser mais eficaz na redução da despesa do Estado?
R: Claro! Veja-se o Estado a que isto chegou: despesa reduzidíssima! 

4. Existem áreas estratégicas para o desenvolvimento da economia? Em que sectores devemos apostar?
R: Viagens. Sem dúvida! Devem apostar nas viagens de ida, nas viagens de longa duração, nas viagens de longo curso, na preparação da última viagem....

5. Por que toma uma medida (TSU) que, na realidade, não é necessária para cumprir o défice do próximo ano?
R: Não, não, eu não tomo medida nenhuma. Fiz apenas um tratamento para a calvície precoce. 

6. Que mais vai privatizar? A CGD? E a RTP, ainda será privatizada?
R: Sim, sim, a CGD, pois o Dr. Nogueira Leite vai-se pirar e, provavelmente, a restante equipa da presidência. A RTP vamos apenas concedê-la (fazer uma concessão, percebe?) talvez aos chineses ou à Isabel dos Santos, perdão, aos angolanos, porque é muito importante um serviço público promover a aprendizagem de novos idiomas, do mandarim, ou do... (desculpe, engasguei-me).

7. O coro de críticas, externas e internas, não o faz repensar a sua estratégia?
R: Não. Que ideia! Eu adoro música. Olhe, ainda há poucos dias me fartei de cantar no concerto dos 50 anos de carreira do Paulo de Carvalho!

8. Como vai conseguir cumprir a legislatura quando estilhaçou qualquer espécie de consenso e de acordos futuros com o PS?
R: Estou convicto que uma boa cola-tudo tornará esse consenso mais Seguro.

9. Por que não remodela o Governo?
R: Seria um erro de avaliação e uma injustiça aos seus membros. Sei, de antemão, que dificilmente arranjaria pior. 

10. Comente esta afirmação de Abebe Selassie, chefe da missão do FMI: "Simplesmente reduzir salários não vai resultar"
R: Trata-se apenas de um erro de tradução, já reconhecido pelos assessores de imprensa que foram demitidos de imediato.

11. Que garantias pode dar aos portugueses de que este será o último aperto de cinto a que os obriga?
R: Não preciso de dar garantias. Os portugueses já viram que este cinto está prestes a rebentar e terá de ser substituído a curto prazo.

factor

13.09.12

 

 

 

A ideologia dominante absorveu todas as áreas, os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional e as escolas não escaparam à voragem como se observa nos resultados que a OCDE regista em Portugal e que alguns professores e investigadores repetem à muito.

 

O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado do muro que ocupavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção: 


"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."

arqueologia da fuga

13.09.12

 

 

 

Os dados das aposentações nos últimos anos são inequívocos: os professores só esperam que a conjugação da idade com o tempo serviço lhes permita "fugir"; a penalização é secundária. O estado de sítio vai agravar-se com o aumento do horário lectivo dos professores associado ao aumento do número de alunos por turma e à desmiolada organização do serviço docente.

 

Somos um país à deriva e governado por impreparados. Propalamos que a idade da reforma tem de passar para os 65 e provocamos a saída entre os 55 e os 60 convencidos que reduzimos a despesa e que aumentamos o emprego jovem. Está comprovado que não é assim e só temos agravado a atmosfera relacional nas escolas e o clima organizacional.

 

Com o aumento da esperança de vida, para não falar da natalidade e da alteração dos fluxos migratórios, só podemos concluir: não tarda e não conseguiremos suportar o regime de pensões.

 

A redução da componente lectiva com a idade (algo que, com conhecimento, é possível em todos os ciclos de ensino sem aumento da despesa) é a solução justa em termos pedagógicos, profissionais e orçamentais. O ciúme profissional entre pares, o ciúme social, a ilusão da eterna juventude e outras coisa do género, exterminaram essa regulação profissional. Assisti, incrédulo, a todo esse rol de desrespeito pela profissionalidade dos professores e percebi que pagaríamos mais tarde. Não tarda e teremos os reformados a descontarem para pagaram aos pares.