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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

estes são do purgatório

07.09.12

 

 




É evidente que os números são essenciais à tomada de decisões, mas a selecção das variáveis independentes permite manipular conclusões.


O universo das comparações é também pouco fiável. Comparar o número de alunos por professor no espaço Europeu vale o que vale porque a organização administrativa dos países é diferente, nem todos os professores estão vinculados às administrações centrais e há tarefas que são desenvolvidas por outros grupos profissionais.

 

O inferno da medição tomou conta de nós e a entrevista de Nuno Crato é mais um exemplo. Há manipulações que nos recordam a Divina Comédia de Dante. Se consultarmos o PORDATA, podemos ver o inverso do que argumenta o actual ministro.

 

Os dados oficiais de alunos matriculados no ensino não superior (pode ir ao link e ver os dados anuais) devem ser do purgatório e os dos mais de 5000 professores que foram despedidos do paraíso:


. em 1980 1.788.278 alunos matriculados;
. em 1990 2.002.311 alunos matriculados;
. em 2000 1.887.000 alunos matriculados;
. em 2010 2.022.471 alunos matriculados. 

na pegada de rodrigues

07.09.12

 

 

 

 

 

A entrevista de Nuno Crato ao Semanário Sol de hoje, uma parte está online e o Público trata-a aqui, não tem grandes novidades a não ser a atitude do género sou-uma-estrela-orçamental-intocável-e-não-receio-nada que caracterizava a tristemente célebre Maria de L. Rodrigues.

 

Sabe-se que existem graves problemas de natalidade e alterações nos fluxos migratórios que se vão reflectir durante esta década no pré-escolar e no primeiro ciclo. Nos ciclos seguintes temos a batalha do abandono escolar precoce para vencer e o ensino secundário, e considerando as diversas vias existentes ou a estabelecer, deverá continuar a crescer em número de alunos. Portanto, se temos professores a mais deve-se em primeiro lugar aos cortes brutais promovidos por Nuno Crato, à sua incapacidade em modernizar a traquitana do MEC e à acção multi-funções dos professores que dão corpo à escola transbordante. Começa a dar ideia que o ministro se sente já um advogado do que prometeu implodir.

 

Quando confrontado com o despedimento colectivo recente e que é inédito na História de Portugal, o ministro defende-se com "(...)O Ministério da Educação e Ciência (MEC) tem mais de 50% do total de funcionários da administração central. É um Ministério gigantesco e tudo o que se faça nele significa números muito grandes.(...)". Não é a primeira vez que usa esta argumentação. Há tempos eram 46.7%. E então? O que é que isto significa? Se fossem 51% ou 48% já estava bem? Fica a ideia que o ministro tenta assustar as pessoas e que já entrou-na-pegada-de-rodrigues. É muito mau sinal.

 

 

pelo oeste

07.09.12

 

 

 

Há mais de uma dezena de configurações para definir o Oeste no território português, nada de novo, portanto, e o movimento "Em defesa da escola pública do oeste" tem alguma dificuldade em obter dados. O colega João Daniel Pereira, que integra a comissão do movimento, fez uma recolha de dados que é significativa.

 

"Dados relativos aos professores sem colocação na zona Oeste (110 no total), desta vez, a divisão por grupos de recrutamento:

100 - Educação Pré-Escolar: 7.

110 - 1.º Ciclo do Ensino Básico: 9.


200 - Português e Estudos Sociais/História: 1;
210 - Português e Francês: 1;
220 - Português e Inglês: 1;
230 - Matemática e Ciências da Natureza: 1;
240 - Educação Visual e Tecnológica: 22.

300 - Português: 9;
330 - Inglês: 7;
340 - Alemão: 1;
400 - História: 1;
410 - Filosofia: 5;
420 - Geografia: 1;
430 - Economia e Contabilidade: 8;
500 - Matemática: 1;
510 - Física e Química: 3;
530 - Educação Tecnológica: 13;
550 - Informática: 2;
560 - Ciências Agro-Pecuárias: 4;
600 - Artes Visuais: 11;
610 - Música: 2.

Confirma-se o cenário previsto para a Educação Visual e Tecnológica.
Relembro que estes números dizem respeito apenas aos colegas dos quadros (mobilidade interna), não contemplando as centenas de professores contratados que ficaram sem horário."