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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

só a troika?!

01.09.12

 

 

É bom que se sublinhe, como ponto prévio: qualquer português de boa vontade gostava que as contas do Estado tivessem um comportamento aceitável e lamenta que tenhamos um Governo que, após todo este esforço, tenha falhado técnica e politicamente.

 

O presidente da República responsabiliza a troika pelo estampanço da execução orçamental. Este economista, que foi eleito presidente há mais de seis anos com a promessa de impedir derrapagens económicas e financeiras, esquece-se de nomear um Governo da sua preferência ideológica e que prometeu ir além da troika. E foi.

 

O recente despedimento colectivo de professores tem números inéditos na História de Portugal. Nunca se despediram, num espaço de um mês, mais de 5000 profissionais em qualquer área de actividade. É como se tivessem encerrado cerca de 25 escolas secundárias.

 

Depois de anos a fio a serem delapidados com uma avaliação hiperburocrática, kafkiana e fascista (não tenhamos receio das palavras certas), de se sujeitaram a tresloucadas alterações no seu estatuto, de verem a confiança na sua acção ser seriamente comprometida com políticas desmioladas que vão do estatuto do aluno à gestão escolar, de verem os mais experientes "fugirem" com fortes penalizações nas reformas, os professores portugueses são agora confrontados com um despedimento colectivo que não tem paralelo, repito.

 

Leio algumas acusações de corporativismo. Gostava que nomeassem uma outra classe profissional com um histórico de "escolhidos" como os professores portugueses. Mas mais: o que estamos a assistir, desde as privatizações ao branqueamento das fraudes bancárias e das PPP´s, exige que classifiquemos os professores portugueses como um grupo profissional com uma enorme paciência.

oásis ou spin?

01.09.12

 

 

 

 

O cinismo e a arte de mentir sedimentaram-se de tal forma na realpolitik que até um um discurso sensato, óbvio e equilibrado surpreende qualquer um. As afirmações da ministra da justiça na Universidade de Verão do PSD (a frequência deve equivaler a um pós-doutoramento em relações internacionais numa cooperativa de ensino) retratam a divisão que está a estalar no Governo ou são apenas spin?

 

"(...)defendeu este sábado que é essencial "apostar na dignificação da função pública", sobretudo quando que se pedem "muitos sacrifícios" aos trabalhadores do Estado, e sublinhou que "está por provar" a "maior eficiência" do sector privado.

"Não há reforma do Estado nem reestruturação do Estado se olharmos apenas para as estruturas administrativas e cortarmos cegamente, isso não resolve nada. Temos de ter programação, planeamento, formação e temos de apostar em algo que pode parecer supérfluo mas não é: a dignificação da função pública", afirmou Paula Teixeira da Cruz. (...) " Sem o sentimento de dignificação da administração pública também não vamos lá, sobretudo em tempos difíceis em que é preciso reconhecer que se estão a pedir muitos sacrifícios aos portugueses e aos funcionários públicos, designadamente".


Paula Teixeira da Cruz sublinhou ainda que não partilha "nada da ideia" de que há funcionários públicos a mais em Portugal. "Tem a mais em alguns sectores e a menos noutros e é isso que é preciso rastrear. Não se pode olhar de uma forma cega", sublinhou.

A ministra da Justiça disse ainda que quando se fala na reforma do Estado e em cortes de estruturas da administração não se pode também "cair na tentação de decapitar constantemente aquilo que é a massa crítica que existe na administração pública em detrimento do sector privado".

"Está por provar que o sector privado, ao contrário do que se diz muitas vezes, tenha maior eficiência que o sector público. Temos áreas de negócio onde isso é patente", acrescentou.(...)"