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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

triângulo das bermudas

30.09.12

 

 

 

 

 

 

Soares dos Santos, presidente do Grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce), afirma que quem ganha 500 euros não tem vontade de trabalhar e acrescenta que é violentamente contra os salários baixos praticados nas empresas portuguesas. Nesta matéria contradiz o seu consultor António Borges que, por sua vez, também consulta as privatizações.

 

Há um mês, se tanto, vi uma entrevista a Soares dos Santos em que relatou algumas dificuldades na entrada do seu grupo na Colômbia porque os quadros colombianos seleccionados não se apresentavam. Indagou o fenómeno e percebeu a causa que até lhe agradou: estes sul-americanos estão habituados a que a sua vida privada seja previamente devassada para que as empresas confiem em que vão contratar.

 

Ainda a propósito da Colômbia, tenho registado que é daí que vem o único interessado na TAP.

 

Embora não seja dado a teorias da conspiração, e associando os factos que relatei, fico com a sensação que António Borges usou nos últimos dias uma espécie de rota que, e como se vê na imagem, pode ter passado pelo célebre triângulo nas viagens entre Portugal e a Colômbia e que talvez não tenha agradado ao dono do Pingo Doce.

 

Será apenas, e também, a célebre questão que relaciona quatro categorias: oportunidade, negócio, o-que-hoje-é-verdade-amanhã-é-mentiratudo-é-descartável.

dos amendoins à pedagogia da economia paralela

30.09.12

 

 

 

Entrámos no milénio e rapidamente percebemos que as contas derrapavam e que a grande corrupção se tinha consolidado. O discurso do país da tanga institucionalizou entre nós a vitória da malta-do-subpraime, o socratismo acentuou o desmiolo e o regresso da AD volta a ser desastroso. É muito, mesmo para um país com tanta história.

 

Teixeira dos Santos recorria sem descanso ao argumento dos amendoins, "(...)dava a vida pelas contas públicas (disse-o num programa na RTP1) e que os cortes financeiros resultantes da reorganização da máquina (desculpem o eufemismo) do estado (fim dos governos civis, diminuição de autarquias, redução do pessoal de gabinetes, não recurso do estado a escritórios de advogados e mordomias ilimitadas) eram amendoins e que o importante eram a redução de funcionários e os cortes nos salários (dito no expresso da meia-noite)(...)" e deixou escola.

 

Não haverá dia televisivo sem que se repita a tese. Ontem ouvi Miguel Beleza a desmerecer nos cortes em automóveis e motoristas do Governo, nas fundações e por aí fora. Para este economista os professores são o alvo primeiro seguindo-se os despesistas do costume.

 

O que não chego a perceber nesta trupe-dos-amendoins é a indignação com a economia paralela. Se podemos prescindir dos cortes em banquetes-pagos-pelos-contribuintes, por que é que não devemos "ignorar" facturas em quantias até uns míseros 500 euros? A população apreende a coisa e implementa-a porque o exemplo vem sempre de cima.

4 anos depois e a prosápia não tem remédio

29.09.12

 

 

 

 

 

António Borges era um dos gurus do subpraime (foi a escrita que escolhi para desdenhar do sub-prime) e em 2008 ainda dizia que não entraríamos em crise, que a tempestade era passageira e que os críticos eram uns pessimistas.

 

Aparece agora, como uma espécie de proprietário do Governo, a afirmar que só os "ignorantes" é que criticaram a TSU. Convenceu-se que a memória foi eliminada da sociedade portuguesa?

 

Há gente com desplante ilimitado.

 

A primeira notícia é de 2008 e a segunda de hoje.

 

 

Sub-prime é das melhores inovações dos últimos anos

 

António Borges classifica de "ignorantes" empresários que criticaram a TSU

fora cá dentro

29.09.12

 

 

 

Elegemos a ideia de singularidade, testámos o devir do ser qualquer e construímos o imaginário do insuperável. Não queremos um igual, precisamos do carácter universal do indivíduo e ansiamos pela descoberta da coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade por género, como se diz agora).

 

Existe a diversidade regional ditada pela geografia e pela história. Portugal é uma zona semi-periférica e tem as suas categorias: uma densidade inigualável de inhos e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos .

 

A utilização acentuada dos diminutivos (somos únicos no assunto) na nossa Educação tem de fazer efeito e pode dar maus resultados.

 

Somos uns adultos com egos elevados. Fui fazer umas pesquisas por ego-história convencido que era uma invenção nossa. Mas não: Freud, e o seu eu psicanalítico, influenciou meio-mundo.

 

Mas não desisto e passo a sentenciar: temos de ser os melhores do bairro. É uma alta competição generalizada. Reconhecer (que é diferente de anunciar) o sucesso alheio magoa. Parece que o mote é viver na alteridade.

 

Ai de quem se distinga, ai de quem faça bem aquilo que sempre se espera que corra mal, ai de quem fuja do lugar comum e não se pareça com a formatação estipulada pelo horizonte do nosso quarteirão. Portugal sofre de uma dilatação tal dos egos que o espaço público tornou-se uma impossibilidade e o exterior passou a ser o sítio oxigenado; a não ser que se consiga viver fora cá dentro ou que a queda-sem-fim nos garanta alguma redenção.




Já usei algumas ideias deste texto noutro post.

a propósito da contratação de escola

28.09.12

 

 

 

 

 

Temos meios técnicos e de tratamento da informação que nos permitem implementar concursos nacionais de professores decentes e civilizados. Bastava eliminar o preconceito da escolha, que é da mesma família da nomeação, e deixar à graduação profissional e aos sistemas de informação o resultado célere e não despesista.

 

Confundir autonomia com o que acabei de escrever é, se me permitem, demasiado desconhecedor. Copiar modelos dá sempre maus resultados, não somos capazes de aprender com a nossa experiência e o legislador ignora, fatalmente, a nossa idiossincrasia e a impossibilidade da meritocracia que é da familia antidemocrática que nos trouxe até onde estamos (acrescentei o linque por cortesia do primeiro comentário).

 

O estado de sítio nas denominadas contratações de escola tem responsabilidades várias e temos de concordar com os que apontam o dedo aos dirigentes escolares que influenciaram a lógica da não graduação profissional para justificarem os seus insucessos. Não estivessem os professores anestesiados pela austeridade, divididos pelas políticas dos últimos anos, desconfiados dos seus representantes formais e teríamos uma contestação tão ruidosa como em 2008 e 2009.

 

Confunde-se liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa. Advoga-se, para argumentar a favor da exclusão de pessoas, uma espécie de gestão de alto rendimento inspirada no futebol de grande consumo, como se o que mais se elevasse nos treinadores mais mediatizados não fosse a melhoria do desempenho das pessoas e das organizações.

 

Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico, os nossos "especialistas" em gestão acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, optarão pelo mergulho no oceano.


O que é difícil, belo e da família da boa administração, é melhorar uma organização pública com os que existem.

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