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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

juros da dívida

30.08.12

 

 

 

 

 

 

 

E se Portugal resolvesse pagar os juros da dívida em moedas de 5 cêntimos, nomeando o consultor António Borges para conferir a contagem já que será também da confiança dos credores? Se não quisessem receber, não pagávamos.

 

Lembrei-me desta solução ao ler duas notícias: a Samsung prepara-se para pagar dessa forma a multa à Apple e o inimitável António Borges, num tresloucado exercício de auto-avaliaçãodenuncia "interesses instalados" contra planos de ajustamento. Vale tudo, realmente.

três vezes

30.08.12

 

 

 

O MEC prepara-se para mais uma alteração de nomenclatura: os cursos de educação e formação (os CEF´s) dirigidos aos alunos do 3º ciclo passam a cursos de ensino vocacional (os CEV´s). Parece existir uma grande novidade: um aluno que reprove três vezes é obrigado a inscrever-se num CEV.

 

É preciso uma grande paciência para escrever sobre os sucessivos reformistas lusitanos. Em regra, e enquanto oposição, arrasam o que existe e quando chegam ao poder mudam as nomenclaturas para substituir as chefias por gente da sua confiança política. A rotatividade, e a cortesia mainstream, inscrevia chorudas indemnizações para os saneados. Não sei como é que vai a última asserção, uma vez que a troika também se faz pagar a peso de ouro e padece, portanto, dos mesmos vícios de forma e de conteúdo.

 

Há pelo menos 50 anos que prometemos um ensino profissional digno e com empregabilidade. Passamos a vida a apontar os exemplos da Alemanha e da Suíça, mas o melhor que as nossas elites conseguem é proteger quem tem "berço" (embora a massificação do ensino tenha, de algum modo, furado essa selecção social) e empurrar os deserdados para esquemas de estacionamento de potenciais desempregados (em CEF ou CEV) enquanto os financiamentos dos sucessivos quadros comunitários ficam à mercê da chico-espertice.

 

Este mau hábito de encontrar soluções para os filhos dos outros que não desejamos para os nossos é já secular e muito difícil de mudar. E depois queixamo-nos de que os portugueses têm uma exagerada reverência aos canudos e que são relvistas compulsivos. Mas ainda fazemos pior: há uma suposta clivagem esquerda versus direita (e há diferenças fundamentais, obviamente) que mais não é do que a férrea determinação coreográfica de manter o estado vigente, como se tem comprovado.