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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

de i para e

20.08.12

 

 

 

Passámos de um país que recebia muitos imigrantes (de África, do Brasil e da Europa de leste) para a condição de nação que vê o seus jovens adultos emigraram em números "impensáveis". Se associarmos a esta mudança nos fluxos migratórios o despedimento das mulheres grávidas, a precarização contratual ou a ausência de horários laborais que se preocupem com o tempo precioso para educação das crianças, temos uma forte explicação para a quebra da natalidade.

 

Esta condição afectará o sistema escolar daqui a uns anos. Mas o que mais influencia os números é a vergonhosa taxa de abandono escolar precoce. O nosso sistema escolar terá algum decréscimo de frequência no pré-escolar e no primeiro ciclo durante esta década, mas terá de aumentar a frequência escolar nos 2º e 3º ciclos e principalmente no ensino secundário se quiser continuar a caminhar em direcção à civilização.

 

Há uma questão que deve ser unânime e que deve mobilizar quem se interessa pela generalização da escolaridade: o número de alunos por turma. Numa sociedade com as nossas características, definir um valor à volta de 20 deve significar um elementar sinal de inteligência, de sensatez e de preocupação com o futuro.

gémeos e afins

20.08.12

 

 

 

 

 

 

 

Não adianta lançar o argumento da razão antes do tempo, mas não custa avivar as memórias: quem esperava rupturas em domínios essenciais da educação - "no fundamental, domina a preservação do socratismo, desde a farsa da avaliação dos professores e da hiperburocracia até aos mega-agrupamentos e à gestão escolar acrescentada agora do aumento de alunos por turma e dos achamentos curriculares" -, estava justamente indignado com o que se passava e via esperança no bater de asas das primeiras gaivotas.

 

Ficaria muito surpreendido se a actual maioria percebesse a transcendência vital - até por questões financeiras que passam pelas reformas antecipadas que pagaremos fortemente daqui a uma década ou nem isso - da recuperação do poder democrática da escola, como também me surpreenderia se o "novo" PS rompesse de vez com a trágica herança. 

 

Qual dos irmãos gémeos chegará primeiro à razão? Isso não sei. O que prevejo é que a sobrevivência política passará pela coragem em assumir o inevitável. Quanto mais difíceis são os tempos, mais se impõem os atributos da mobilização, da cooperação e da liderança; e o quentíssimo Setembro europeu está já aí.