Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

da Inevitabilidade

14.08.12

 

 

 

É antiga e comprovada a ideia de que se a Educação é cara a ignorância é-o mais.

 

Temos oito séculos de história com momentos altos de afirmação no mundo das nações, mas chegámos ao século XXI com taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham, apesar dos níveis de excelência do nosso sistema escolar registarem melhorias qualitativas e quantitativas.

 

Mas também se sabe: sociedades com baixa escolaridade e com fracas classes médias são pouco exigentes e rapidamente se "cansam" de investir na escolarização; classificam de despesismo os aumentos nos orçamentos do sistema escolar e só voltam a acordar quando os indicadores chocam as consciências.

 

Portugal volta a entrar num período de trevas. Com o empobrecimento acentuado das áreas sociais, com o radicalismo ideológico da nacionalização da dívida dos privados, com o aumento do número de alunos por turma, com a precarização das condições laborais dos professores, com o preconceito da "licealização" dos currículos e com o aumento da escala da gestão escolar num modelo impensado e de acentuada desumanização, só podemos esperar que aconteça com o abandono escolar o mesmo que se verifica com o desemprego.

 

Taxa de desemprego com novo máximo de 15% no segundo trimestre

movimento cívico em defesa da escola pública no oeste

14.08.12

 

 

Texto publicado na Gazeta das Caldas.

 

 

"No passado dia 1 de Agosto, a comissão de representantes do movimento “Em Defesa da Escola Pública no Oeste” foi recebida pelo senhor presidente da Câmara de Caldas da Rainha, Dr. Fernando Costa.
A comissão apresentou as suas preocupações relativas à situação específica do Concelho de Caldas da Rainha, enfatizando o problema da manutenção do financiamento do ensino particular e cooperativo (e o respectivo aumento da despesa do Estado) quando, no concelho, o número de docentes sem componente lectiva atingiu um nível inaceitável e num momento em que as escolas públicas viram o seu nível de ocupação baixar para cerca de 50% (ao nível do ensino secundário).
Também foi reforçada a ideia do desperdício de dinheiro público, numa altura de acentuada crise financeira e em que os relatórios publicados pelo Ministério da Educação, o protocolo assinado entre o Estado e as associações representativas do ensino particular e cooperativo, e o memorando de entendimento estabelecido com a “troika” impõem uma diminuição do financiamento do ensino privado. A esta situação, junta-se o facto de não estarem a ser rentabilizados nem o espaço disponível nas escolas públicas nem o significativo investimento realizado na modernização das instalações da Escola Secundária de Rafael Bordalo Pinheiro.
Foram igualmente transmitidos a nossa estranheza e o nosso desencanto ao verificarmos que a distribuição de turmas definida na reunião de rede escolar, na Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo, não ser, de todo, respeitada, verificando-se que as escolas públicas abrem com menos turmas do que o ficara estabelecido, acontecendo precisamente o contrário com as instituições privadas de ensino no concelho de Caldas da Rainha. Este facto traz consequências muito graves para o ensino público no concelho, aumentando o número de professores sem componente lectiva atribuída e não permitindo a renovação de contratos aos docentes que, não fazendo parte dos quadros das escolas, têm desempenhado um papel fundamental no contexto educativo de toda a zona Oeste.
Considerou a comissão que o concelho de Caldas da Rainha não pode menosprezar o trabalho, o esforço e a dedicação destes docentes, alguns deles a leccionarem nas escolas públicas caldenses há mais de duas décadas, tendo contribuído para a educação de milhares de alunos.
O Dr. Fernando Costa mostrou total disponibilidade, ouvindo os membros da comissão com atenção e mostrando particular interesse com a evolução registada no número de alunos a frequentar quer o ensino público quer o ensino particular e cooperativo. Neste ponto, informámos o senhor presidente da Câmara que, em cinco anos, as escolas públicas perderam, na totalidade, 500 alunos e os colégios foram sempre aumentando, de forma gradual, o número dos alunos matriculados, numa proporção igual à perda do número de alunos no ensino público.
O edil caldense referiu que esta é uma situação que coloca em causa o papel e a função do Estado, acrescentando que esta é uma área sensível e que o Estado não pode ficar de fora, sob pena de estar em causa o próprio serviço público de educação.
O Dr. Fernando Costa revelou que ia pedir esclarecimentos ao vereador com o pelouro da Educação, prometendo que voltaríamos a agendar uma reunião logo que fosse possível.


O Movimento “Em Defesa da Escola Pública no Oeste”
João Daniel Pereira"