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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o arco governativo, a crise e o estado em que estamos

12.08.12

 

 

 

Não sei se o nosso modelo de democracia se esgotou - não seria a primeira vez que nos acontecia uma coisa do género e por causas semelhantes -, mas é já demasiado evidente o mau exemplo dos nossos governantes.

 

Os últimos governos, os do PS e os da AD, o arco do Governo, portanto, trouxeram duas "novidades" para resolver a grave crise: triunvirato (há quem prefira, e bem, usar a expressão troika) por um lado e capacidade individual para pagar submarinos por outro; o resultado é o mesmo se baralhar os factores e voltar a dar.

da inevitável decadência?

12.08.12

 

 

 

 

O estado psicológico dos portugueses é de rebelião, embora, e pelo menos por agora, se fique pela contenção interior e pelo desabafo aos mais chegados.

Há dias, e integrado numa gincana pedonal pelo centro urbano da cidade, deparei-me com uma quantidade de adultos que me surpreendeu. Como raramente passo por ali nos dias de semana, e ainda por cima entre as 11h00 e as 13h00, fui andando, acompanhado por um grupo de alunos, e ia cumprimentando pessoas que não via há muito. Não foi difícil perceber que estava na presença de pessoas desempregadas e amarguradas.

 

Voltei, hoje, ao centro da parte da tarde e deparei-me com o mesmo flagelo. Se acrescentar a atmosfera arrepiante que se vive nas escolas, também não será difícil concluir que qualquer coisa vai ter de acontecer.

 

Portugal tem uma população despovoada de esperança e que avança, solitária e revoltada, à espera da implosão do que existe e na crença salvífica de uma força externa como sucedeu recentemente com a troika abençoada por quem manda na Europa; alguns até saudaram o acontecimento. Não será assim. A pergunta inevitável brota insistentemente: vivemos a normal brutalidade das decadências?

 

Se os tempos são propícios à eliminação da autenticidade e à hipocrisia, vírus alimentado no autoritarismo, no apontar de dedos e no salve-se quem puder, ainda podemos acreditar que muito se deverá ao nosso comportamento e à nossa capacidade para resistir. 

 

 

 

1ª edição em 3 de Julho de 2012