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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

corrupção sem provas

03.08.12

 

 

"A semana foi marcada pelas declarações de D. Januário Torgal Ferreira e pelas reacções desencadeadas, na sua maioria em registo crítico e mesmo indignado. Por mim, aprecio o testemunho cívico de D. Januário. Ele é desassombrado, livre e denota sentido de servir a sua comunidade.

 

Num quase deserto de referências morais, é uma voz incómoda para os instalados e os que se querem instalar. Assisti, em directo, à retumbante entrevista conduzida por Paulo Magalhães na TVI 24, que extravasou o tempo previsto, o que demonstra o interesse provocado.

Gostei da primeira parte da entrevista que considero notável, mas dei-me conta de que, na parte final, o bispo deu mostras de alguma fadiga momentânea, altura em que divagou mais em abstracto. Foi nessa altura que se referiu a um "governo profundamente corrupto" e aos "diabinhos negros" que o habitarão, o que deu o pretexto para ser amaldiçoado em vários púlpitos, a começar pelo usado por Aguiar Branco. Este chegou a ameaçar o bispo das Forças Armadas com a obrigatoriedade de uma opção entre tal cargo e o de "comentador", a nova besta negra do governo.

A crítica aparentemente mais sensata que se faz ao bispo é aquela em que se pede a D. Januário que prove as afirmações de corrupção. Ora essa crítica só pode provir de quem não vive em Portugal e exige mais a um cidadão sobre matéria tão incandescente do que às instituições vocacionadas para o efeito. Num país onde a PGR não conseguiu provar em tribunal rastos de corrupção em casos como o de Portucale ou o do Freeport, não se pode evitar que a opinião pública divague sobre outros, como o dos submarinos, que nem chegaram a ser investigados em Portugal quando o foram noutras comarcas estrangeiras.

E não é verdade que, mal o actual governo procedeu às primeiras privatizações (REN e EDP), já se suspeita de tráfico de influências, abuso de informação privilegiada, fuga aos impostos e corrupção? Sim, corrupção que a DCIAP estará a investigar actualmente. Claro, são precisas provas para acusar em tribunal, e é bom que elas sejam concretas e obtidas como deve ser. Mas essa gente não se confessa, nem a D. Januário nem ao tribunal, e a sociedade alguma forma de travão deve possuir. Nem que seja só a da opinião pública qualificada.

Não se cale, D. Januário Torgal Ferreira."


José Medeiros Ferreira


Cortesia do Sérgio Moreira