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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o ensino e a escola no século XXI

01.08.12

 

 

 

REFLEXÕES SOBRE O ENSINO E A ESCOLA

 

 

“Estava nos corredores, folheando nervosamente  as minhas cinco pequenas fichas  para reflectir as ideias chave que iria destacar no meu discurso. Dei um olhadela através da cortina e vi 1600 professores de liceu e responsáveis da educação, federais ou do Estado, sentados na sala – e quem eram: tratava-se de professores do programa “Advanced Placement”[1], que são os melhores professores do ensino secundário nos Estados Unidos, que são responsáveis por preparar os mais brilhantes alunos para a universidade.

Era uma assembleia geral anula do College Board, a organização que supervisiona os exames do SAT, o teste estandardizado que é feito por milhões de estudantes do secundário americanos se desejam aceder à universidade.

Gaston Caperton, o ex-governador da Virgínia Ocidental que se tronou presidente do College Board, tinha-me pedido para pronunciar um discurso de orientação para esta reunião. Tinha-me dado apenas uma instrução: “Sacuda-os! Transporte-os para o futuro! Dê-lhes o desafio de repensar a missão da educação americana num mundo em vias de integração.”

Fácil de dizer. Mas eu não estava muito seguro da reacção que teriam os professores se eu lhes dissesse o fundo do meu pensamento. Nos Estados Unidos e no mundo inteiro, o sistema escolar é um vestígio de uma era desaparecida: eis a verdade. Os programas estão obsoletos, afastados da realidade das crises ambientais e económicas actuais. Os postulados metodológicos e pedagógicos que orientam a educação desde há mais de cinquenta anos – depôs do início do ensino público obrigatório – são uma das razões  da nossa caminhada para o abismo.

Em resumo, aquilo que nós ensinamos e a forma como nós ensinamos é em grande parte disfuncional e tóxica para o desenvolvimento futuro da espécie humana – mas os professores que pacientemente nos seus lugares, esperavam seguramente a um discurso tonificante sobre o valor da uma boa educação, estavam prestes a entendê-lo?

Eu entrei na sala. Respirei profundamente e comecei com um lamento sobre o estado do mundo – sentimento próprio para inspirar, eu esperava-o, para uma reflexão libertadora no final do meu discurso. Ao expor a amplitude da crise a que estamos confrontados, eu escrutinava o meu público: eu estava muito atento às expressões faciais, à linguagem do corpo. Eu senti a calma que reinava no anfiteatro e não estava seguro do sentido a dar-lhe. Logo que comecei a desconstruir o sistema educativo tradicional, detectei um ligeiro murmúrio em toda a sala. Mas foi quando passei aos novos métodos de ensino e de estudo distribuído e cooperativo que a atitude do público mudou radicalmente. Centenas de professores animaram-se, abanavam a cabeça para manifestar a sua aprovação. Quanto conclui a minha intervenção, compreendi que um grande número destes professores tinham muito avanço sobre mim: eles colocavam já na sua sala de aula questões que colocam em causa o futuro da educação, eles experimentavam já uma nova pedagogia, métodos de ensino inéditos para preparar a próxima geração a viver numa sociedade distribuída e cooperativa.

No final, eles aplaudiram de pé, mas eu verifiquei que muitos faziam-no virando-se uns para os outros. Para muitos deles, era um momento de auto-afirmação – eles sentiam-se no bom caminho, eles verificavam que os seus esforço pessoais para repensar a educação americana eram justificados.(...)

As universidades e as escolas secundárias devem começar a formar a mão-de-obra da terceira revolução industrial. Os programas deverão concentrar-se cada vez mais sobre a informática avançada, as nanotecnologias, as biotecnologias, as ciências da terra, a ecologia e a teoria de sistemas, assim como sobre certas qualificações profissionais como a fabricação e comercialização das tecnologias das energias renováveis, a transformação dos edifícios em minicentrais eléctricas, a implementação de tecnologias do hidrogénio e outras formas de armazenagem, desdobramento das redes eléctricas inteligentes, construção de meios de transporte em rede e a pilha de combustível, criação de redes logísticas verdes, etc..

Conscientes da necessidade de iniciar os alunos nas competências profissionais e técnicas que terão necessidade para viver e trabalhar numa economia sustentável da terceira revolução industrial, a nossa equipa mundial trabalha com as universidades e escolas que desejam transformar-se num meio de aprendizagem da terceira revolução industrial.nio e outras formas de armazenagem, desdobramento, assim como sobre certas qualificaç”

 

Os cinco pilares da terceira revolução industrial: “1º - passagem às energias renováveis; 2º - transformação do parque imobiliário de todos os continentes num conjunto de minicentrais energéticas que colectam localmente as energias renováveis; 3º - desdobramento da tecnologia do hidrogénio e de outras tecnologias de armazenamento  em cada edifício e no conjunto da infraestrutura, para armazenar as energias intermitentes; 4º - utilização de tecnologia da internet  para transformar a rede eléctrica de todos os continentes numa inter-rede de partilha da energia funcionando exactamente como a internet; 5º - mudança nos meios de transporte com a passagem aos veículos eléctricos que possam ligar à rede ou a pilha de combustível, capazes de adquirir e vender electricidade numa rede eléctrica interactiva continental inteligente.”

 “Jeremy Rifkin” em The third industrial revolution (2011)



[1] Classes do ensino secundário de muito alto nível, comparáveis às dos primeiros anos do ensino superior.


 

Cortesia e tradução de José Luis Almeida e Silva,

que, como informação adicional, aconselha

este linque

das privatizações (modelo lusitano) no sistema escolar

01.08.12

 

 

 

Parte do relatório "Reorganização da Rede do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação", divulgado em Janeiro de 2011, e que está longe de ser cumprido (cortesia de João Daniel Pereira):

 

"Este estabelecimento de EPC encontra-se em funcionamento em plena zona urbana do Município das Caldas da Rainha, sector onde se localizam estabelecimentos da rede pública que apresentam taxas de ocupação próximas dos 50%. Neste quadro a proposta passa pela manutenção do “contrato de associação”, embora com uma significativa redução do número de turmas contratualizadas. Proposta para o ano lectivo 2011/2012: 11 turmas. Uma eficaz reorganização da rede educativa deve levar quer em termos, de 2º e 3º CEB quer ao nível do Ensino Secundário, a uma alteração significativa do número de turmas contratualizadas com este estabelecimento de EPC."

 

É bom que se sublinhe que as escolas da rede pública têm sido impedidas nos últimos anos - desde 2006 - de abrir mais turmas do que o estipulado pela DRELVT.