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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

evidenciou-se, apesar de tudo

21.07.12

 

 

 

Os últimos dias no sistema escolar sobreaqueceram, como se previa, a temperatura continuará elevada até Dezembro e depois se verá. São muitos os que concluem, e com razão, de que o MEC se balcanizou e que transpira em bica com tanta incompetência.

 

Todavia, manifestaram-se as intenções do tipo nem public management que não são mais do que a implementação da precarização e da mão-de-obra barata dos funcionários públicos com particular incidência para os da saúde, educação e justiça.

 

Os orçamentos das áreas sociais são "elevados" para a paciência dos descomplexados competitivos (no caso do sistema escolar, vai dos relvistas aos lurdistas d´oiro) e a compressão das classes médias interessa a quem se revê na suspensão das democracias. Tem sido assim na Europa do sul e não é por acaso.

 

O tipo de precarização, com o recurso a empresas de outsourcing que fazem a contratualização dos profissionais, que recentemente se mediatizou com os médicos e enfermeiros, chegou há algum tempo ao sistema escolar e deu agora sinais evidentes.

 

O processo dos professores DACL não foi inocente e está ligado às outras medidas polémicas que estabelecem os achamentos essenciais que estes ultraliberais (um senador, e recentemente, perdeu a paciência e chamou-lhes corruptos o que deverá ser injusto apenas para uns quantos) não conseguem precarizar desde já.

 

Mesmo o que fica como essencial, e que ainda tem que ser derrotado, será entregue paulatinamente a cooperativas de ensino que se encarregarão, e encarregam, de precarizar.

 

Quando se anuncia que as vagas de alunos no IEFP passam de 18.000 para 30.000 pensa-se na componente lectiva que se destinaria aos DACL e aos professores contratados. Não é preciso detalhar para que se perceba que a lógica quatro euros à hora se imporia com facilidade. Como amortecedor, vamos lendo aqui ou ali que os professores do quadro até podem, se quiserem, vejam bem, leccionar no IEFP.

 

Não é preciso pensar muito para perceber que deste modo se perderá qualidade pedagógica e que a cultura organizacional das escolas voltará à lógica de repartição-terminal-do-poder-central e que, a prazo, o ensino de qualidade só estará ao alcance de famílias endinheiradas.

 

Está implícito em tudo isto um fanatismo ideológico misturado com uma série de preconceitos e com a corrupção.

 

Os professores, e a sociedade em geral, têm um longo combate pela frente em defesa da escola pública. Tanto têm de combater o ultraliberalismo descrito como ficam à mercê da má burocracia férrea travestida de accountability como se viu nos últimos governos socialistas em Portugal. São as duas faces da nova gestão pública e não adianta aos arrependidos de 2007 e 2008 virem agora com tergiversações.

 

 

e não vai acontecer nada?

21.07.12

 

 

Tenho estado fora da rede e ao passar pelo blogue do Paulo Guinote dei com este post arrepiante. Se se confirmar que o que vai ler é verdade, estamos na presença de matéria muito grave, que raio.

 

"Mail puxa mail, algo que carece de investigação especializada:

Hoje (…) palavra puxa palavra, e um colega contou que no colégio obrigavam os professores a passarem cheques, remetidos (…), com o montante exacto do subsídio de férias e de natal. Ou seja: ninguém recebia esses subsídios (ou melhor, recebia, mas devolvia a mesma quantia no mesmo momento), e o (…) ficava com as provas em como pagava esses subsídios. E, todos com medo, calavam e seguiam…"