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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

previsível

20.07.12

 

 

 

Quando criei a etiqueta 5 minutos no arquivo do blogue, ainda me belisquei. Mas quem lá for e estudar mais esta chicoespertice-da-traquitana-do-MEC, concluirá que os nossos factores endógenos também nos levaram à bancarrota.

 

Estamos há catorze anos a discutir se uma hora escolar tem 45 ou 50 minutos. Desta vez, e com a inacreditável conversão das horas dos professores e das disciplinas numa saloiice organizacional que se traduz em centenas de minutos (chega ao milhar para baralhar a troika), levou-me a que em 6 de Junho de 2012 escrevesse assim:

 

"(...)Já não chegavam os amontoados de escolas fora de horas (tipo guião para um 5 para a meia-noite), o aumento do número de alunos por turma, como panaceia lida nos acessos exclusivos do ministro, e a enésima matriz curricular, para termos agora uma balbúrdia à volta das horas escolares que estão, em nome de uma eufemística flexibilidade, a ser marteladas com uma aritmética que se resume ao objectivo não declarado de esmifrar o número de professores.(...)"

 

Quem está mais por dentro do assunto, já percebeu que é o caos anunciado.

 

Qualquer sistema escolar moderno e razoável tem aulas. Os professores leccionam x aulas semanais e as disciplinas curriculares têm y aulas semanais cada uma. Às escolas compete adequar o currículo nacional mínimo às suas características e fundamentar as suas decisões.

 

Quem pensa que isto gera mais despesa está alucinado; e desculpem-me a franqueza, mas está comprovada a minha impressão. O efeito aritmético das matrizes curriculares e do aumento do número de alunos por turma já implodiu: só ficou a sua capacidade devastadora que se cobrirá de ridículo em Setembro (professores com 30 alunos na sala de aula e outros a coadjuvarem, por exemplo).

 

Mas mais: deve ser exigido que esta inovação da má burocracia não resulte em mais horas lectivas para os professores e quem disser que isto é corporativo deve prová-lo.

 

Não admira, portanto, que se comece a tropeçar em problemas destes.

primeira página

20.07.12

 

 

 

 

 

A "Gazeta das Caldas" insere na primeira página da edição de hoje uma notícia sobre os horários zero no concelho e salienta os graves constrangimentos da rede escolar concelhia com particular destaque para a relação entre público e privado.

 

 

Adenda às 19h10: esta notícia tem uma imprecisão: os professores com horário zero só são obrigados a concorrer dentro do concelho da sua escola de origem. 

"Mais de 100 professores com horário zero nas Caldas"

"As ordens do governo para que os directores das escolas indicassem quais os professores que vão ficar sem turmas no próximo ano, num momento em que as matrículas ainda estão a decorrer, levou a que em todo o país milhares de docentes ficassem com horário zero, o que os obriga a concorrer a outros concelhos. No concelho das Caldas esse número é superior a uma centena.Em reacção às medidas do Ministério da Educação estava prevista uma reunião de professores para a passada quarta-feira na Secundária Raul Proença (depois de o director da Bordalo Pinheiro ter recusado ceder o auditório daquela escola). Os professores contestam os financiamentos às escolas privadas num momento em que há professores com horário zero na escola pública."

C.C.