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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

mudou a hora

10.07.12

 

 

Não era difícil prever que o sistema escolar aqueceria a partir de Setembro quando os professores chocassem com a austeridade em curso. As agregações de escolas associadas à revisão curricular e às regras da organização do ano lectivo delapidarão, de forma injusta e brutal, milhares de empregos.

 

Qualquer que seja o ângulo de análise, é discutível que se suprimam disciplinas, ou a carga curricular que dimensionou durante décadas os quadros das escolas, em nome de um achamento curricular que carece de comprovação e que se aumente o número de alunos por turma com argumentos pedagógicos que tentam esconder, de forma infantilizadora e até chocante, cortes financeiros.

 

Compreende-se a anestesia provocada pelo estado do país. Para além disso, os professores estão cansados nesta altura do ano e têm anos consecutivos de uma luta saturante em defesa da escola pública.

 

A pergunta mais ouvida impõe-se: o que é feito da unidade histórica dos professores portugueses? O corte dessa coluna vertebral, que responsabiliza particularmente a promiscuidade entre Governo e sindicatos em 2008 e 2010, também se pode imputar a muitos professores. Uma semana depois de 120 mil se manifestarem, cerca de 80 mil entregaram objectivos individuais e os comportamentos inclassificáveis à volta da gestão escolar danificaram de vez a espinal medula.

 

Parece-me que é altura de tocar a rebate. Não é egoísta ou sequer corporativo defender empregos nestas condições. O que se espera é que os diversos actores tenham aprendido e que não exerçam no futuro comportamentos semelhantes a 2010 depois da "aprendizagem" de 2008.

 

 

 


um emprego

10.07.12

 

 

É difícil criar um emprego sustentável fora do sector público e era ainda mais meritório quando os empresários recorriam a capitais próprios. Nos últimos tempos, a banca assumiu 95% da capitalização e a responsabilidade diluiu-se. Os gestores conseguiram ser pagos a preços proibitivos e a sustentabilidade das empresas foi-se fazendo à custa da precariedade dos empregos. Dir-se-á que o crescimento demográfico assim o exigiu. Contudo, o que se comprova é que a ganância e a desregulação deram as mãos e criaram dívidas privadas que quase duplicaram as do sector público.

 

O bom aluno para além da troika é defensor fanático da diluição da responsabilidade na sustentabilidade dos empregos e foi derrotado. É inadmissível que, e no caso que conheço melhor, o emprego de professores no sistema escolar português esteja a ser brutalmente delapidado. Eliminam-se os professores contratados e amarguram-se os dos quadros numa lógica que não é de um Estado de direito. Espera-se que o ajustamento hoje conhecido, que peca por tardio, reponha rapidamente alguma sanidade. É como sempre: o que leva anos construir com resultados excelentes, como é o caso do ensino em Portugal, pode destruir-se num ápice.

 

Gaspar: troika vai melhorar ajustamento português

perguntas frequentes

10.07.12

 

 

Tem aqui um documento do MEC com respostas a perguntas ferquentes sobre a revisão curricular e a organização do ano.

 

Destaco a seguinte:

 

"P13 – As aulas de substituição deixaram de existir?

R13 –O presente despacho normativo vem terminar com o procedimento dos docentes a aguardar pela ausência de um outro professor para o poder ir substituir. O artigo 82.o do ECD prevê os procedimentos a adotar no que se refere às substituições. O presente despacho normativo prevê que a escola decida sobre a melhor resposta a dar nas ausências pontuais dos docentes. Por exemplo, através da alteração pontual dos horários dos alunos para substituição da aula; através da organização de atividades de natureza lúdica, desportiva, cultural ou científica, ou outras que o diretor considerar serem a melhor resposta para a sua escola."