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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

decreto-lei 137/2012

02.07.12

 

 

 

 

Foi publicado o Decreto-Lei 137/2012 que substitui o nefasto 75/2008 sobre gestão escolar. Mantêm-se os aspectos essenciais que têm, de forma inequívoca e comprovada, dilacerado a imagem e a atmosfera organizacional das escolas públicas.

 

Mantém-se institucionalizada a prática que permite que as instituições públicas sejam uma espécie de quintas para os interesses mais diversos, uma vez que estamos perante um modelo concebido para uma sociedade civil forte, o que não é o caso da nossa, e que leva para dentro das escolas o pior da política partidária local.

 

 

Apesar do legislador reconhecer que a imposição dos critérios da nomeação e de eleição colegial, em detrimento do sufrágio directo e universal, são o principal constrangimento, as mudanças são tímidas e circunscrevem-se, mesmo que de forma mitigada e algo risível, aos coordenadores de departamento. Continuamos a preferir as chefias em prejuízo das lideranças fortes.

Neste sentido impressionou-me este post do Miguel Pinto que é, reconhecidamente, um blogger sensato, ponderado e rigoroso. É realmente saturante o ambiente à volta das nossas escolas.

 

É alterada a composição do Conselho Pedagógico, que passa ser um espaço exclusivo de professores. Não me parece que esta mudança fosse desejada ou sequer curial. Também é reconhecida a prevalência dos grupos disciplinares em relação aos departamentos curriculares. É uma espécie de primeira derrota do empowerment aplicado à gestão escolar e que tantos prejuízos lhe tem causado.

as metas sem metas

02.07.12

 

 

 

Impressionou-me este comentário da Ana Sousa a propósito das metas curriculares. 

 

 

"Confesso que estas Metas me deixaram perplexa. 


Fiz 120 horas de formação para o Novo Programa de Português do Ensino Básico (NPPEB) – Nível I, em 2009/2010, com uma deslocação quinzenal a 30 kms de distância de casa, sem qualquer redução horária (quer na componente lectiva, quer não lectiva) porque a DGIDC se desorientou e tardou em comunicar com a minha escola, fazendo-o já quando o horário me estava atribuído.

 

Fiz este “voluntariado” para não prejudicar a escola, que ficaria sem esta formação, uma vez que não teve culpa nenhuma no processo. Passei esse ano a orientar a respectiva formação, também quinzenal, na minha escola, para catorze colegas de Português. Em 2010/2011 todos fizemos a formação de Nível II (50 horas). 


Entretanto, este ano todos tivemos 90 minutos na componente não lectiva para aplicar o NPPEB no 5º e 7º ano e preparar os próximos. Os manuais em causa são novos, escolhidos em Junho de 2011 para seis anos. Os novos manuais para os 6º e 8º anos, com o NPPEB, também já foram escolhidos (até 18 de Junho), com a particularidade de nos ter sido imposta a selecção conjunta do manual de 8º ano com a escola a que vamos agregar a partir do próximo ano lectivo, o que foi obra, pois é difícil arranjar consensos a magotes de pessoas, obviamente! Foram manuais adoptados também para seis anos.

 
Qual não foi o meu espanto quando verifiquei que as Metas de Língua Portuguesa estão definidas à revelia de tudo isto! Por exemplo, o AUTO DA BARCA DO INFERNO sempre foi leccionado no 9º ano, surgindo agora no 8º ano, sem que nenhum manual o contemple. Vamos andar seis anos a fazer fotocópias da obra e de todos os demais textos agora previstos, para obedecer aos caprichos das Metas, que se inspiraram sabe-se lá onde e saíram tarde e más horas?


Isto é que é ENSINO ESTRUTURADO? 


Que mais será congeminado este Verão, para aplicação obrigatória no futuro próximo, que deite por terra todo o trabalho feito até agora?

 
É verdadeiramente inacreditável e dá vontade de fugir."

cada vez percebo menos ou o caos não é para entender?

02.07.12

 

 

As escolas têm de lançar, no período de 2 a 6 de Julho de 2012 (é bom indicar o ano, não vá alguém pensar que é para 2013), a componente lectiva dos professores, quando ainda não estão resolvidas as questões da estrutura curricular (nomeadamente as cargas curriculares das diversas disciplinas, as ofertas de escola e complementares, a eficácia educativa de acordo com os resultados dos exames e por aí fora)? 

 

E não adianta argumentar com a troika ou com o ministério das finanças, pois estamos na presença do bom aluno para além disso.

 

Pode conhecer a circular da DGAE aqui e aqui (cortesia do Paulo Guinote).

desordem

02.07.12

 

 

 

Podemos pegar na citação e retratar o estado a que chegou o sistema escolar.

 

"Comecemos por pensar o universo físico tal como o conhecemos, com efeitos e causas bem proporcionadas entre si; depois, por uma série de decretos arbitrários, aumentemos, diminuamos, suprimamos, de maneira a obter aquilo a que chamamos desordem."

 

 

 

Bergson, H. (1966:224-239).

L´Évolution créatrice. PUF

juiz supremo

02.07.12

 

 

 

 

 

O Caos toma assento como árbitro.

E o seu juízo apenas agrava

a querela que assegura o seu reinado.

Acima dele, é o Acaso o juiz supremo...

 

 

Encontrado num pedaço de papel.