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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

uma espécie de adenda

01.07.12

 

 

O post sem espaço pode levar a conclusões diferentes das minha reais intenções. Não me passou sequer pela cabeça a ideia de associar as políticas em curso em Portugal com o nazismo. Esse trágico período da história é demasiado cruel para permitir analogias ligeiras.

 

O registo de contenção de caracteres levou-me a acrescentar no último parágrafo do post uma espécie de pré-aviso. O tempo histórico é o que é e tenho ideia que os europeus assumem, e com razão, que os horrores da segunda guerra ocorreram há um piscar de olhos e que foram perpetrados pela mesma nação que agora parece dominar a Europa. É duro, mas é assim. Julgo que os alemães não se libertaram do mesmo temor e devem continuar sem perceber muito bem como-foi-possível.

 

Pelo que se vai percebendo, o nosso Governo tem uma crença na austeridade em curso, que vai destruindo a nossa economia e o emprego, que só tem paralelo nos executivos da Alemanha, Holanda e Finlândia. Existem receios de que se esteja a criar uma caldo propício ao aparecimento de populistas, que se aproveitarão também da corrupção que invadiu a Europa. Se a Itália e a Espanha não resistirem, a França e a Alemanha poderão seguir o mesmo caminho e nem mais a norte se respirará.

 

Os últimos dias pareceram indicar que os crentes na austeridade-sem-mais-associada-ao-esmagamento-de-tudo-o-que-é-público estão a recuar. Que o façam, mas que não nos tentem enganar com a retórica e que assumam a responsabilidade.

e que tal no 1º ano?

01.07.12

 

 

 

O MEC prepara-se para proporcionar aos alunos que entram no 5º ano de escolaridade a possibilidade de formação que enfrente os desafios do mercado de trabalho.

 

Portugal já viveu essa experiência no período que antecedeu a revolução dos cravos. A separação de vias formativas acontecia no equivalente ao actual 7º ano de escolaridade e até com resultados interessantes nas taxas de empregabilidade no mercado de trabalho da altura.

 

Sejamos claros: há alunos que chegam ao 5º ano e que revelam sinais de que não vão cumprir a escolaridade obrigatória, o mesmo acontece na entrada no 1º ano de escolaridade e talvez até no pré-escolar. O eufemismo dos desafios do mercado de trabalho não passa de um estacionamento para o desemprego, a exemplo do que acontecia com os CEF´s que agora parecem terminar, e está muito longe de corresponder a uma formação profissional séria, estruturada e que se afirme nas ideias de igualdade de oportunidades e de aumento da produtividade

 

O que este retrocesso significa é a total incapacidade da nossa sociedade em educar as suas crianças, remetendo para a escola um caderno de encargos impossível de cumprir. O isolamento das instituições escolares tem-se acentuado. A recente discussão à volta do calendário escolar do próximo ano é mais um sinal do mesmo vírus.

 

O tal mercado de trabalho suprime o tempo que as famílias dedicam às crianças do mesmo modo que ameaça as taxas de natalidade e contribui para o empobrecimento do país. A constante alteração de políticas por parte do MEC é só um sinal de desorientação e assume-se como causa e consequência da instabilidade comprovada da nossa sociedade.

 

"(...)O Ministério da Educação e da Ciência quer criar uma nova oferta de estudos, com disciplinas mais práticas, logo a partir do 2º ciclo do  ensino básico – ou seja do 5º ano de escolaridade.

O objetivo é assegurar que os alunos tenham acesso a diferentes  alternativas, incluindo vias que “que preparem os jovens para a vida, dotando-os  de ferramentas que lhes permitam enfrentar os desafios do mercado de trabalho”. Estes novos “cursos de ensino vocacional” poderão ser frequentados por opção do  aluno ou por sugestão da escola, mas sempre com o acordo dos pais.(...)"

sem espaço

01.07.12

 

 

 

 

 

Passos Coelho disse inverdades em campanha eleitoral e só o fez para conseguir votos. Não adianta justificar-se com a ausência de bola de cristal. Disse que nunca cortaria os subsídios aos funcionários públicos. Classificou como Kafkiano e de uma injustiça brutal o modelo de avaliação de professores e que o suspenderia de imediato. Não o fez e, como sabemos, em Setembro o desmiolo regressa numa versão que passa de 100% injusta para 95%.

 

A primeira página do expresso afirma a rejeição de mais austeridade por parte do primeiro-ministro.

 

Passos Coelho afirmou que aplicaria o programa ideológico em curso mesmo sem a troika e que iria para além disso. Não pode agora apagar as intenções. Milhões de pessoas estão a sofrer com isso.

 

Depois da tragédia "socratista", Passos Coelho convenceu-se que a terra já estava suficientemente queimada e que faria história ao aplicar políticas neoliberais nunca experimentadas em Portugal, mas de falhanço rotundo onde quer que tenham sido experimentadas. Criaria um "país novo". Uma "Singapura" na ponta da velha Europa.

 

É grave que um ano depois estejamos nesta situação, não é difícil concluir que o Governo perdeu espaço e que a situação agravar-se-á.

 

Conhecemos demasiado bem a continuação de políticas de marcha forçada em direcção aos "amanhãs que cantam" e que, mesmo pesando bem e com as devidas distâncias para que não se gerem confusões interpretativas, tiveram configurações denominadas de "raça" ou "espaço vital". Esse "peso político", quase irrefutável, criou amibas gigantes incapazes de reagir e com destinos tão certos como a carne para canhão ou o forno crematório. As "boas intenções" levadas a eito podem ter resultados desastrosos e imprevisíveis.

 

Pode ler aqui uma espécie de adenda a este post.