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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

um país às avessas

29.06.12

 

 

 

Os indicadores financeiros do sistema escolar são definidos pela troika e pelo Ministério das Finanças e o MEC terá de cortar até satisfazer o ajustamento, como se diz agora.

 

As alterações na carga curricular, e as agregações de escolas, só terminarão quando não existirem professores contratados?

 

Se são cerca de 35 mil, não seria melhor devolver sensatez ao sistema escolar e explicar isso às duas entidades referidas e eliminar de vez a ideia do bom aluno que vai para além da troika por motivos ideológicos?

 

 

Professores universitários criticam redução da carga horária de Educação Física 

 

 

metas são novidades?

29.06.12

 

 

Concordo que se centre o ensino nos conteúdos e que se subalternize o conjunto quase vazio denominado de livro de competências. Na docimologia tem sido sempre assim: regressamos a sítios anteriores e a oportunidade faz com que apresentemos ideias do passado, muitas vezes abandonadas de forma modista e precipitada, como os caminhos do mundo moderno; no caso actual os EUA e a Grã-Bretanha.

 

Foi isto que me surpreendeu, ontem, nas imagens de Nuno Crato a falar das metas curriculares. Também me impressionou a pressa e o momento escolhido. Não é bom sinal.

 

Metas ou objectivos fazem parte da organização do ensino há mais de 40 anos e em Portugal também. A divisão entre gerais, específicas e operacionais generalizou-se na década de oitenta do século passado e as primeiras, as gerais, davam ao processo um ar etéreo e inatingível. Nos programas escolares do início da década de noventa, foram estabelecidas, de forma exaustiva e bem estruturada, metas curriculares (standards) por ano de escolaridade e ficou por fazer a rede do essencial (core standards), embora muitas escolas e grupos disciplinares o tenham realizado.

 

Em 1998 apareceu o tal livro de competências e desprezaram-se os programas. Os professores, felizmente e em muito casos, não. E porquê? Porque tinham que ensinar todos os dias e porque começaram a perceber que o sistema escolar estava a ficar entregue a "reformistas compulsivos, iluminados e atrevidos". Comprovou-se que tinham razão.

 

Quanto o actual ministro apresenta o assunto como o fez, dá mais uma machadada na imagem da escola pública. Quem não conhecer a história da pedagogia em Portugal, pensará que temos tido um ensino não estruturado, e sem metas, até à chegada de Nuno Crato. É como sabemos: o eduquês não tem remédio, apenas se disfarça, e quando um sistema entra em plano inclinado há sempre espaço para mais devaneios.

 

Metas curriculares vão ser obrigatórias. Agora estão em discussão