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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

obrigado Michelle Obama

26.06.12

 

 

 

 

 

 

Diz-se que os norte-americanos não são grande coisa em geografia e talvez isso explique o email que recebi de Michelle Obama. Já respondi e agradeci. Pensei que era uma mensagem de solidariedade por causa do assalto que o Governo português nos anda a fazer. Mas não.

 

Era um convite, que declinei, para jantar (não sei se a viagem ficava por minha conta) e este mês, depois dos cortes nos subsídios, e pela enésima vez nos salários, e dos acertos no IRS, também não estou em condições para donativos. Já me chegam os supermercados portugueses, os toques na campainha cá de casa e qualquer passagem por um centro urbano em Portugal (escrevi, na resposta, várias vezes o nome do nosso país). Desejei-lhes sorte para as eleições, já que um republicano com as rédeas norte-americanas seria sei lá o quê.

 

Paulo.

I'm sad to say this is probably the last dinner with supporters that Barack and I will be able to host together before the election.

Today's the last day you can chip in to be automatically entered for the chance to join us - and I hope you will. You can donate all the way up to midnight tonight, when the campaign will randomly select the winners:

https://donate.barackobama.com/Meet-Us-for-Dinner

Thanks for everything you're doing. Every little bit makes a difference.

Hope to see you at dinner,

Michelle.

"o ovo da serpente"

26.06.12

 

 

 

 

 

 

"Um dos momentos mais tocantes da entrevista a Edward Witten (que formulou a chamada "M-teoria" das supercordas, até agora a mais perfeita conjectura matemática de uma "teoria do tudo" e é considerado pela generalidade dos seus pares o maior físico teórico vivo) na série "Da beleza e consolação" é quando o entrevistador lhe pergunta o que pensa ele da "Shoah" e dos campos de extermínio nazis onde perdeu grande parte da sua família.

Witten ficou de olhos baixos e em silêncio durante intermináveis segundos. No fim, só conseguiu dizer: "Não sou capaz de compreender".

Ocorreu-me este episódio ao conhecer notícias recentes sobre a amnésia generalizada em que se gera o regresso da irracionalidade racista. Na Hungria, ao mesmo tempo que escritores nazis são hoje de leitura obrigatória nos curricula escolares, erguem-se estátuas ao "herói nacional" Miklós Horthy, regente do país entre as duas guerras e autor das primeiras leis anti-semitas da Europa Ocidental, responsável pelo envio de 450 mil judeus para campos de extermínio. Mais chocante ainda é o que se passa por estes dias em ...Israel: imigrantes negros vítimas de ataques - casas queimadas, espancamentos e outras agressões - e classificados pelo próprio primeiro-ministro de "praga" e de "cancro". O governo de Direita israelita parece ter esquecido os insultos semelhantes dirigidos aos judeus que precederam o Holocausto."

 

Aqui

ventríloqua

26.06.12

 

 

Os professores portugueses reconhecem com facilidade as figuras retratadas no texto.

 

"(...)O socioeconomista von Hayek (Frederich A. von Hayek, "La Route de la servitude" (PUF, 1993)) observa que o poder que emana de um particular expressamente determinável - de um "tirano" - se torna rapidamente odioso, e certamente bastante mais insuportável do que as pressões exercidas por uma entidade anónima e não localizada - uma opinião pública ou um mercado - entidade que seriamos tentados a qualificar de ventríloqua. É por isso que o caos das opiniões, das ofertas e procuras económicas particulares força o respeito - como todas as entidades ventríloquas, com vozes sem rosto que falam com as suas vísceras.(...)"

 

 

Châtelet, Gilles (1998:38)

"Vivermos e pensarmos como porcos"

(sobre o incitamento à inveja e ao tédio

nas democracias-mercados).

Temas e Debates. Lisboa.

indicadores macro

26.06.12

 

 

 

A agenda mediática tem estado, ao que parece, preocupada com a fuga de professores do quadro do ensino não superior nos últimos anos. Foram mais de 23000 os que se reformaram sem serem substituídos e a grande maioria com fortes, e brutalmente injustas, penalizações.

 

Tudo começou em 2006 com a eliminação, sem qualquer constestação, da maioria das reduções da componente lectiva para o exercício de cargos. Percebeu-se, desde logo, que o sistema ficaria com menos 7000 professores e Maria de Lurdes Rodrigues tornou-se uma estrela macro e com carta branca para o disparate; santa, e macro, ignorância. Como é que uma decisão tão basal terá convencido tanto especialista em alta finança? É fácil. Basta olharmos para a blindagem dos contratos PPP e percebe-se de imediato. É tudo da mesma família.

 

Seguiu-se o monstro kafkiano. Professores titulares, avaliação do desempenho desmiolada e um rol de inutilidades e de má burocracia a preencherem a componente não lectiva dos professores e a darem razão aos que equiparam os professores portugueses aos escolhidos de outras guerras.

 

A saga continua e o desconhecimento macro vai fazendo escola embevecido com indicadores que podiam ser atingidos com as pessoas mobilizadas e em regime cooperativo. Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico e os nossos "especialistas" em gestão acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, acabarão por optar pelo mergulho definitivo no referido oceano.

 

Em três anos há menos 23 mil professores no quadro, mas a contrato são mais 20 mil

quantos somos?

26.06.12

 

 

Saber quantos somos é mais um dos nossos problemas. Dá ideia que ninguém confia nos números do MEC, nem o próprio ministro como se viu nos últimos dias.

 

Quanto ao número de professores do quadro, a certeza que tenho é que têm saído aos milhares e que não têm sido substituídos. A primeira página do Público de hoje lança uma redução de 23.000 sendo a fonte a Direcção-Geral do Orçamento.

 

Há tempos não acertávamos com o número de eleitores e dizem-me que há escolas e concelhos que não conseguem saber com rigor o número de alunos. Não admira que tenhamos as contas do país no estado calamitoso que se conhece.