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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

que não seja como o kafkiano

20.06.12

 

 

 

Quando alguém deste Governo diz que um modelo de avaliação é mau, temos de duvidar do que vai acontecer. É que Passos Coelho, o tal do Kafkiano, mentiu em campanha eleitoral e pode ter feito escola.

 

Há dias fiz este post, "O SIADAP, os sem voz e o clima organizacional", em que escrevi assim: "(...)Os grupos profissionais mais capazes de ocupar espaço no mundo mediático, como os professores, os médicos ou os juízes, conseguiram derrubar o desmiolo ou adiar sine die a sua concretização. (...)A avaliação do desempenho dos assistentes administrativos e operacionais está entregue ao arbitrário, à injustiça, à falta de profissionalismo ou de sensatez dos avaliadores, à imensurabilidade dos indicadores, à dilaceração das cotas e por consequência à bajulação, ao despotismo e à utilização da hierarquia como instrumento de sujeição do outro. O que há de pior no clima organizacional é estimulado e consolidado pelo SIADAP.(...)"

 

A sensação que tenho é que o espírito do SIADAP é tão mau que só pode cair. Espera-se não só que caia, mas que sejam anulados todos os seus resultados e efeitos. E repare-se no discurso de um dos mentores: a estratosfera estava certa, os humanos é que se dão mal com práticas totalitárias.

 

Governo vai rever avaliação dos funcionários públicos

 

 

"O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, anunciou esta quarta-feira que o Governo vai rever o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP) por ser “extremamente burocrático”.

(...)Nesse sentido, Hélder Rosalino afirmou que o Governo vai negociar com os sindicatos a revisão do SIADAP, uma vez que este sistema se baseia no “cumprimento de objectivos que não têm reflexo na vida dos funcionários”, uma vez tanto as progressões na carreira quer a atribuição de prémios de desempenho estão congelados. O SIADAP foi criado em 2004 no Governo de Durão Barroso e alterado na primeira legislatura de José Sócrates. A sua aplicação suscitou vários problemas, mas no balanço apresentado em 2009 concluía-se que mais de 90% dos trabalhadores da administração central tinham sido avaliados.

(...)“O sistema foi aplicado. Outra discussão que se abre a seguir é se foi bem ou mal aplicado”, disse o secretário de Estado da Administração Pública da altura, Gonçalo Castilho dos Santos."

dos exames e da repetição

20.06.12

 

 

 

Estamos de tal modo que a repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao alçapão em que estamos metidos, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes.

 

Os exames são um metabolismo útil e basal nos sistemas escolares que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades, e de má burocracia, inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os (sim, porque também existe no modo católico) de prova final.

 

Num sistema como o nosso, generalizar a coisa em doses industriais pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio, como comprova a história das correntes ideológicas e pedagógicas.

 

E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:

 

Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema. Proponho a leitura deste comentário da Ana aqui no blogue. É interessante seguir o raciocínio e chocar com o último parágrafo.

da blogosfera - octávio v. gonçalves

20.06.12

 

 

 

A praga de plágios é uma evidência e em Portugal também. A desonestidade está institucionalizada e isso explica muita coisa sobre o estado das democracias. Quem pratica a pequena corrupção pela calada ou mesmo o laxismo ético (às vezes pensam que ninguém os vê, coitados) não penaliza a grande corrupção. É um caldo de cultura que favorece um quotidiano bombardeado com desvios de milhões e onde nada acontece; ou pior, o que vai acontecendo é o plano inclinado dos países e das instituições.

 

Praga de plágios 

 

"Depois de licenciaturas manhosas, da assunção de habilitações que não se possuem ou se desconhecem e de trabalhos/relatórios descaradamente copiados, vai por aí uma praga de teses de doutoramento plagiadas, com particular destaque para aquelas que já derrubaram um presidente da República na Alemanha e um ministro da Educação na Roménia, a que se seguirá, agora, o próprio primeiro-ministro romeno (dois casos no mesmo governo e no espaço de um mês, não indicia nada de bom, se isto funcionar a título de amostragem).
Assim vai o apetite pelos títulos universitários, além de que estou convencido que uma varredura de muitas das monografias, teses e dissertações submetidas, ao longo dos anos, nas nossas universidades, não deixaria de apresentar alguns resultados surpreendentes.
Aliás, existem, entre nós, manuais universitários publicados que são autênticos plágios de livros americanos. Na minha docência no ensino superior deparei-me com um ou outro."